Chart of the Week – Desemprego no setor de lazer e hotelaria

Pedro Almeira Degroof Petercam W
Créditos: Degroof Petercam

Chart of the Week é da autoria de Pedro Almeida, senior private banker com a responsabilidade de desenvolver a atividade em Portugal do Banco Degroof Petercam.

Esta sexta-feira, será publicado o relatório de emprego de maio nos EUA onde se espera que a economia tenha criado mais de 650.000 empregos e a taxa de desemprego tenha uma queda de 6,1% para 5,9%.

O Fed tem um duplo mandato: estabilidade de preços e pleno emprego, pelo que mesmo que a inflação aumente, a meta de emprego ainda está longe de ser atingida. Por outro lado, o Fed vê o aumento da inflação como transitório, devido aos efeitos de base, à reabertura da economia e aos problemas na cadeia produtiva (escassez de alguns componentes e aumento dos prazos de entrega).

Se por um lado há alguns setores em que a recuperação da taxa de empregabilidade tem recuperado de forma mais acentuada, como é o caso do retalho, que já se encontra muito próximo dos níveis pré-crise, ainda existem outros setores com um longo caminho a percorrer. Como mero exemplo, no setor dos serviços, nomeadamente, lazer e hotelaria, o emprego ainda está cerca de 3 milhões abaixo do que era previsto tendo destruído 4 milhões de postos de trabalho e criado apenas 1 milhão, sendo expectável que o emprego nos setores mais afetados recupere gradualmente.

Há mais evidências de recuperação da atividade económica e de emprego nos EUA, com os pedidos de desemprego na terceira semana de maio a caírem pela quarta semana consecutiva chegando a 406.000, o nível mais baixo desde meados de março de 2020. O PIB no primeiro trimestre cresceu 6,4% em termos anualizados e os dados económicos de abril (já divulgados) apontam para a manutenção do forte ritmo de expansão.

Além disso, o estímulo fiscal continua muito forte, tendo este governo submetido à discussão um orçamento que prevê um gasto público de cerca de 6 biliões de dólares para este ano fiscal. De referir também, que as famílias acumularam muita poupança durante a pandemia (existindo sempre o risco de intensificação de problemas nas cadeias de produção da indústria de transformação). No entanto, com o forte aumento do ritmo de vacinação em maio e com a reabertura da economia é de esperar que muitos dos setores que ficaram mais afetadas comecem gradualmente a contratar.

Se este forte ritmo de recuperação económica for mantido, certamente não haverá outra alternativa ao Fed, senão, para trazer à mesa a discussão sobre a necessidade de Tapering (redução na compra de ativos), assumindo assim uma postura mais hawkish.

Tendo em conta a recalibração de uma provável alteração da política monetária será interessante monitorizar como este alívio quantitativo impactará as diferentes classes de ativos.