Chart of the Week – SPAC Attack

André Amado Pinto, BPI GA noticia
André Amado Pinto, BPI GA. Créditos: Vitor Duarte

‘Chart of the Week’ desta semana é da autoria de André Santos Pinto, CFA, selecionador de fundos da BPI Gestão de Ativos.

IPOs anunciados (incluindo SPACs) por ano

Fonte: Bloomberg Finance, JP Morgan

2021 poderá ficar para a história por variadíssimas razões, mas definitivamente ficará marcado pelo número recorde de IPOs (initial public offering) a que temos vindo a assistir.

Nos primeiros três meses do ano tivemos mais de 600 empresas a estrearem-se em bolsa e a levantarem mais de 200 mil milhões de dólares de capital, o que representa o melhor início de ano de sempre. Este número representa mais de metade do montante emitido o ano passado e bastante perto da média de IPOs dos últimos 10 anos.

Apesar deste número ser impressionante só por si, é importante destacar que mais de metade do capital angariado nestes IPOs foi através de SPACs (“Special Purpose Acquisition Company”). Os SPACs também conhecidas por “Blank Check Companies” angariam capital junto de investidores e são registadas em bolsa apenas com um objectivo: fundirem-se com uma empresa privada (private company).

No último ano, o aumento de popularidade deste método alternativo aos IPOs tradicionais é notório. Os SPACs que existem desde os anos 90, não eram um instrumento muito popular quer junto dos investidores quer junto das empresas. Isto mudou em 2020, um ano em que devido à pandemia, tornou o mercado de capitais muito volátil e como consequência aumentou a incerteza sobre o sucesso do financiamento das empresas em bolsa. Uma das soluções encontradas, especialmente para empresas mais pequenas e com grande crescimento (como por exemplo startups) foi o registo em bolsa via SPAC.

Apesar desde instrumento ser muito popular nos Estados Unidos, a tendência não tem sido acompanhada na Europa. Entre 2020 e 2021, apenas foram registados 10 SPACs nas principais bolsas Europeias, correspondente a 1,3 mil milhões de capital. Um número muito residual quando comparado com os mais de 500 SPACs registados no mesmo período nos Estados Unidos que angariaram mais de 300 mil milhões de capital.

Mas isso pode mudar, e as principais bolsas Europeias têm vindo a referir que estão a estudar a possibilidade de se tornarem mais “SPAC-friendly” de maneira a acompanharem a popularidade deste instrumento. Quem sabe se da mesma maneira que Portugal se tem vindo a posicionar como um hub de startups na Europa, não se poderá tornar num hub europeu deste tipo de instrumentos? A considerar!