Emitentes de obrigações: É tudo uma questão de transparência

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Cedida

(TRIBUNA de Svein Aage Aanes, Chefe do Departamento de Ativos de Rendimento Fixo na DNB Asset Management. Comentário patrocinado pela DNB AM.)

Ingresso: A integração de fatores de risco Ambientais, Sociais e de Governação (ESG) é fundamental na gestão de ativos de rendimento fixo no DNB AM. Contudo, nos últimos anos temos assistido a uma necessidade de integrar os ESG de maneira mais sistemática. Assim, iniciámos um projeto para verificar a qualidade e pontuar os emitentes de obrigações no mercado norueguês de rendimento fixo. Estas pontuações de ESG, para além de avaliarem os riscos de crédito, irão influenciar o modo como alocamos capital entre emitentes de obrigações.

Acreditamos verdadeiramente que as atitudes de uma empresa perante os fatores ESG materiais e o modo como trabalham os mesmos serão de crucial importância para a competitividade, resultados e solidez financeira nos próximos anos. Assistimos, portanto, a uma forte necessidade de ter uma visão mais completa da gestão destes fatores de risco dentro das empresas a que emprestamos dinheiro.

Normalmente, os grandes emitentes têm bastantes recursos disponíveis para fornecer relatórios abrangentes, incluindo relatórios de sustentabilidade. Nestas empresas os dados importantes para as pontuações de ESG são fornecidos por terceiros. No entanto, também emprestamos dinheiro a pequenas e médias empresas. Estas empresas não têm, normalmente, terceiros que lhes fornecem dados e, consequentemente, não temos acesso, antecipadamente, às avaliações da sua gestão dos riscos de ESG materiais.

Vimos uma necessidade de aumentar a cobertura dos dados e análises de ESG para estes emitentes. Tendo como base avaliações da materialidade de fontes como o Sustainability Accounting Standards Board (SASB) (Conselho de Normas para Contabilização da Sustentabilidade), discussões com especialistas do sector e empresas selecionadas, criámos um quadro para avaliar as oportunidades e riscos ESG materiais por sector.

Desenvolvemos e enviámos questionários específicos do sector que refletem as condições específicas do mercado norueguês. Com base nas respostas que recebemos pontuámos os emitentes de obrigações com base na qualidade e transparência do seu trabalho ESG nos sectores bancário, imobiliário e de serviços. As pontuações ESG podem ser vistas a um nível agregado da empresa ou podem ser desagregadas e divididas em subáreas dentro do ESG.

Esta é uma ferramenta importante para os gestores de carteira de rendimentos fixos pois fornece uma avaliação quantitativa interna dos riscos ESG dos emitentes de obrigações. Estas avaliações podem ser integradas nos nossos sistemas de gestão de carteira e considerados na avaliação global do risco de crédito da empresa. Conseguimos atribuir peso à forma como os emitentes gerem os riscos ESG materiais e comparar empresas dentro do mesmo sector, quando alocamos capital entre diferentes emitentes de obrigações. Para os emitentes que estão determinados a ter perfis de crédito fracos, optamos por não investir ou exigir um prémio por risco-elevado. Agora, os emitentes que possuam perfis ESG fracos serão tratados da mesma maneira. O aumento dos dados e da perceção de ESG que temos agora é também um bom ponto de partida para aprofundar o diálogo nas reuniões regulares que mantemos com quase todas as empresas a quem emprestamos dinheiro dentro do mercado norueguês de rendimento fixo.

Os nossos clientes exigem um aumento de integração ESG do lado do rendimento fixo e, no futuro, os investidores irão enfrentar novos requisitos de informação por parte da UE. Para tal, temos de recorrer aos emitentes para que nos forneçam estes dados.

Os emitentes também enfrentam cada vez mais requisitos de informação. As revisões propostas à Diretiva relativa à Divulgação de Informações Não Financeiras foram submetidas para apreciação no início do ano. Submetemos comentários à mesma através da Associação Norueguesa de Fundos Mútuos (VFF). Foi proposta a alteração do limiar de requisitos de informação de empresas com mais de 500 trabalhadores para empresas com mais de 250 trabalhadores. Foi também proposto que empresas com menos de 250 trabalhadores também forneçam informação, mas com menos detalhe. No fundo, os nossos interesses estão alinhados com os dos emitentes de obrigações – nós precisamos de melhores dados e informações e os emitentes precisam de aumentar a transparência.

Acreditamos que este trabalho nos pode dar uma melhor perspetiva sobre a gestão de oportunidades e riscos ESG dos emitentes, contribuindo ao mesmo tempo para definir normas para os emitentes que estão no início da sua jornada da sustentabilidade.

Embora os obrigacionistas não tenham direito de voto nas assembleias gerais, podemos exercer a participação ativa pois somos uma figura central no Mercado Norueguês. Avançando, conseguimos colaborar com os emitentes e encorajar uma maior transparência. O objetivo é influenciar as empresas para seguirem uma direção positiva e medir o progresso ao longo do tempo.