Esta semana vou estar de olho… às tensões comerciais e geopolíticas entre os Estados Unidos e a China

Pedro Carvalho. ABANCA
Pedro Carvalho (ABANCA). Créditos: Pedro Duarte

Esta semana vou estar de olho… é da autoria de Pedro Carvalho, responsável pela equipa de Gestão Discricionária no ABANCA.

No passado dia 10 de outubro, o presidente dos EUA, Donald Trump, causou um mini terramoto nos mercados financeiros, o Nasdaq foi o mais penalizado, ao perder 3,56%, no pior dia desde 10 de abril. 

Trump anunciou que a partir de 1 de novembro serão impostas tarifas de 100%, sobre as existentes, às importações de produtos chineses, assim como um controlo às exportações de software crítico. A decisão da Casa Branca, que eleva para 130% as tarifas à China, ameaça uma nova rutura nas relações entre as duas maiores economias do mundo no espaço de quatro meses.

Esta medida, que estaria a ser ponderada como forma de pressionar Pequim a rever práticas comerciais e industriais consideradas desleais por parte dos EUA, ameaça agravar ainda mais a relação entre as duas maiores economias do mundo. A decisão de Donald Trump surgiu em resposta à restrição da China de exportações de minerais raros, fundamentais para a indústria norte-americana, essenciais para automóveis, defesa e semicondutores. 

Por esta altura, a China terá cerca de metade das reservas mundiais de terras raras e deverá produzir 70% destes minerais a nível mundial (com refinação e processamento deverá rondar os 85%).

A partir de 1 de dezembro, a China vai obrigar as empresas a ter uma licença para exportar produtos que contenham mais que 0,1% dos minerais raros. O domínio de 70% da produção mundial destas matérias-primas, confere-lhe uma poderosa alavanca estratégica num contexto de guerra económica ou tecnológica.

Os Estados Unidos têm vindo a tentar diversificar as cadeias de abastecimento e reduzir a dependência destes minerais chineses, incentivando a produção doméstica e acordos com outros países. No entanto, essa transição é lenta e complexa. Os poucos países que conseguem minerar terras raras, muitas vezes ainda precisam de enviá-las para a China para serem refinadas.

Caso as tarifas sejam implementadas, Pequim poderá impor mais restrições à exportação de terras raras, elevando os custos para as indústrias ocidentais e aumentando as tensões globais. Este novo capítulo poderá marcar um endurecimento significativo da rivalidade sino-americana, com impactos não apenas no comércio bilateral, mas também nos mercados tecnológicos e nas cadeias globais de valor. O resultado poderá definir a próxima fase da competição económica e geopolítica entre as duas potências.

O prazo, já no fim deste mês, dá ainda margem para os EUA e China – o maior consumidor mundial e a maior fábrica do mundo – voltarem à mesa de negociações e evitar o alastrar da guerra comercial.

Scott Bessent (Secretário do Tesouro dos Estados Unidos) informou que haverá reuniões entre representantes dos dois países em Washington nesta semana, paralelamente aos encontros anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional e sugeriu a formação de uma coligação com os aliados europeus, Austrália, Canadá e Índia como retaliação para responder a esta medida.

Se as negociações avançarem positivamente, será uma excelente notícia para os mercados financeiros, mas se não existir acordo, poderá desencadear quedas significativas.