Esta semana vou estar de olho… na reação dos investidores à divulgação do core PCE nos EUA

João Paulo Caldeira da Silva

Esta semana vou estar de olho… é da autoria de João Paulo Caldeira da Silva, do departamento de desenvolvimento e marketing de retalho no Novo Banco.

De acordo com os resultados do inquérito Global Fund Manager de maio, realizado pelo Bank of America, 69% dos inquiridos são da opinião de que vamos estar perante um cenário de crescimento económico/Inflação acima da média. Esta percentagem representa o valor mais alto de sempre e é quase o dobro dos picos anteriores alcançados em 2011, 2017 e 2018.

Em consonância com esta perspetiva, 83% dos gestores de fundos de investimento inquiridos esperam taxas de inflação mais elevadas nos próximos 12 meses. Por sua vez, esta expectativa, quase consensual, de aumento das pressões inflacionistas faz com que os referidos gestores considerem a inflação como o maior risco enfrentado pelos mercados financeiros, seguido de perto pelo risco de taper tantrum. Esta opinião é tanto mais de assinalar, porque remete o risco COVID-19 para o quarto lugar nas preocupações dos gestores de ativos.

Perante estes riscos, a principal questão que os gestores enfrentam é como é que se devem preparar para uma potencial inversão da tendência de queda da inflação, que tem prevalecido nas últimas décadas. Uma análise histórica, relativa ao mercado financeiro dos EUA, indica que tal irá depender do cenário, que se venha a concretizar.

Um cenário de aumento das pressões inflacionistas num contexto de uma economia sobreaquecida – que é o cenário atualmente na mente dos investidores – tende a favorecer os ativos de risco no seu conceito mais amplo, ou seja, ações, obrigações de high yield, matérias-primas (incluindo o ouro) e imobiliário residencial. No entanto, se os bancos centrais estiverem corretos na sua visão (consensual entre a generalidade das autoridades monetárias) de que o atual aumento nas taxas de inflação é temporário, o conjunto de ativos de risco com melhor desempenho potencial será mais restrito: ações e obrigações de investment grade e high yield.

A questão fundamental que os gestores de fundos necessitam de ver esclarecida (questão essa que ultrapassa a dúvida sobre quem é que tem razão, se os investidores, ou a Fed?) é: a taxa de inflação no final de 2021 importa à Reserva Federal? Talvez seja chegada a altura de a Fed sinalizar de uma vez por todas, se não irá reagir, qualquer que seja o valor que a taxa de inflação venha a atingir este ano (justificando essa inação com a convicção de que qualquer aumento para além do esperado, será sempre um fenómeno temporário). Seria ótimo, que a visão da Fed se venha a revelar como correta. Porém, como atestam as décadas de 1960 e 1970, não seria a primeira vez, que a Fed considerou uma aceleração da inflação como temporária. Este exemplo do passado alerta para o facto de uma aceleração da inflação poder ser desencadeado por um período em que o aumento da inflação é qualificado como meramente temporário. Mais ainda: a partir do momento em que a Fed adquire o hábito de culpar fatores temporários, a inflação corre o risco de se tornar um problema de longo prazo.