Esta semana vou estar de olho… nos dados de emprego de março nos Estados Unidos

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Créditos: Clem Onojeghuo (Unsplash)

O Esta semana vou estar de olho... é da autoria de Tiago Lavrador, do Departamento de Desenvolvimento e Ativação da Estratégia do novobanco.

Diversos indicadores referentes à economia norte-americana merecem destaque esta semana, com potencial impacto sobre a evolução dos mercados financeiros e sobre a atuação futura da política monetária da Reserva Federal.

Assim, serão divulgados os índices ISM relativos ao desempenho da indústria (já esta segunda-feira) e dos serviços (na quarta) no mês de março. Ambos poderão revelar uma ligeira deterioração face a fevereiro, antecipando-se para os serviços uma desaceleração, enquanto a indústria terá sofrido uma intensificação da contração da atividade. Também a evolução das encomendas dirigidas à indústria (na terça-feira) poderá vir a apontar para um decréscimo da atividade no setor.     

Por último, serão publicados na sexta-feira os dados relativos ao mercado de trabalho no mês de março. É esperada uma criação líquida de emprego superior a 200 mil postos de trabalho, o que, embora menor que a do mês anterior (311 mil), continuará a ilustrar uma elevada robustez das condições do mercado de trabalho. A taxa de desemprego deverá ter permanecido em 3.6% da população ativa.

Estes dados permitirão avaliar a economia dos EUA num momento de particular incerteza e volatilidade dos mercados financeiros. Caso evidenciem um dinamismo maior do emprego e da atividade, poderão consolidar a perspetiva de uma nova subida da taxa de juro de referência de 25 pontos base pela Reserva Federal na reunião de 3 de maio (para o intervalo 5%-5.25%). Atualmente, o mercado atribui uma probabilidade de cerca de 60% a tal movimento, que poderia ser o último do atual ciclo. A perceção de que o final deste ciclo de subidas estará já relativamente próximo e o alívio das preocupações em torno do setor bancário estiveram na base da melhoria do sentimento dos investidores na passada semana, em que se verificou uma recuperação generalizada dos mercados acionistas.