O setor tecnológico: uma solução para todos os males?

Jacques-Aurelien Marcireau.
Jacques-Aurelien Marcireau. Créditos: Cedida (Edmond de Rothschild AM)

TRIBUNA de Jacques-Aurélien Marcireau, co-head of International Equities, Edmond de Rothschild AM. Comentário patrocinado por Edmond de Rothschild Asset Management.

Durante esta crise, as empresas tecnológicas têm tido um desempenho muito bom, resguardadas do ambiente pandémico, e entendidas pelos investidores, juntamente com as empresas do setor da saúde (cujo preço das ações subiu apenas ligeiramente em termos relativos), como a solução para muitos dos males revelados pela pandemia. No entanto, limitar a inovação tecnológica (ou Big Data) apenas às empresas do setor tecnológico é uma visão muito limitada. Por outro lado, parece-nos que a crise sanitária serviu de catalisador para muitas transformações sociais e colocou a transformação digital e o Big Data em particular, ainda mais no epicentro de muitos setores.

QUAL TEM SIDO E SERÁ O IMPACTO DA CRISE NAS AÇÕES DAS TECNOLÓGICAS, E DE UMA FORMA MAIS ABRANGENTE, NO BIG DATA ?

Acreditamos que a pandemia COVID-19 tem desempenhado, acima de tudo, o papel de acelerador de transformações para as empresas. A crise apenas reforçou as tendências já dominantes, nomeadamente o reconhecimento da relevância do Big Data na transformação tecnológica das empresas. Nasceram ou expandiram-se novos hábitos, tais como a utilização do comércio eletrónico, o streaming, o teletrabalho, as videoconferências, etc…, e consequentemente numerosas soluções que hoje constituem novos padrões. O distanciamento físico imposto obrigou muitas empresas a repensar o seu funcionamento, e isso deu origem a muitas oportunidades de investimento interessantes em áreas como as consultas e os serviços médicos online. O Ping An Good Doctor da China é um exemplo disso, com uma das maiores bases de utilizadores de saúde digital do mundo (com cerca de 315 milhões de utilizadores) num país onde as consultas médicas “online” estão em plena expansão. Mas se olharmos para o longo prazo, este contexto de disrupção criativa continuará, a nosso ver, a gerar novas oportunidades de investimento. Por exemplo, com o teletrabalho a aumentar, as despesas com a ciber-segurança continuarão a ser uma prioridade fundamental para os CEO, mesmo depois da pandemia.

QUE OUTRAS MUDANÇAS PODEM SER ESPERADAS A MÉDIO PRAZO?

Outro elemento-chave é a reconceptualização total das cadeias de abastecimento das empresas, e da soberania económica e política. A crise reforçou uma tendência que já tinha começado a emergir, consequência da guerra tecnológica: uma transformação nas cadeias de valor. Nas últimas duas décadas, a globalização tem-se centrado em torno dos fluxos de componentes tecnológicos através de numerosas fronteiras nacionais antes da sua integração em produtos acabados. O Big Data deverá ocupar um lugar cada vez mais essencial na evolução para uma maior automatização e otimização industrial e logística.

A pandemia acelerou claramente a trajetória de crescimento de muitos setores. A gestão flexível da cadeia de abastecimento, baseada em dados precisos sobre o estado de fabrico e condições de transporte e armazenamento, será mais importante do que nunca. Empresas logísticas, como a FedEx, e fornecedores de soluções de otimização da cadeia de abastecimento, como a Manhattan Associates, poderão ser muito beneficiadas.

QUAL É A FILOSOFIA DE INVESTIMENTO, O QUE TORNA O FUNDO PARTICULARMENTE ÚNICO E QUAL É O EFEITO DA CRISE NO SEU PROCESSO?

A particularidade do fundo deriva do seu posicionamento: o nosso objetivo é tirar partido das oportunidades oferecidas pela revolução Big Data em larga escala e em todos os setores económicos, muito para além das empresas 100% tecnológicas. A exposição do fundo é de cerca de 50% à tecnologia, meios de comunicação e telecomunicações, e os restantes 50% são investidos em utilizadores de dados em setores tradicionais (tais como serviços empresariais, bancos e seguros, automóvel e cuidados de saúde) cujo modelo económico está a ser transformado pela integração de Big Data e estratégias digitais.

Finalmente, salientamos um factor importante: investimos com muita disciplina, prestando especial atenção à avaliação financeira.

E QUANTO AOS NÍVEIS DE AVALIAÇÃO DO SETOR DAS TECNOLÓGICAS?

O início da crise levou os investidores a reverem a sua atitude bastante complacente, que tinha sido a norma até então. Isto levou a uma aversão extrema ao risco e os índices caíram a pique. Esta retração do mercado e incerteza a longo prazo, bem como a escala da crise, levaram os investidores a analisar as empresas de uma forma muito mais cuidada: a qualidade dos modelos de negócio e a resiliência financeira vieram à tona.

No entanto, esta primeira fase deu lugar a uma certa exuberância, onde algumas empresas tecnológicas foram vistas como o remédio para todos os males, tendo sua avaliação disparado para níveis que consideramos perigosos. A disciplina acima mencionada permitiu-nos ficar longe dessas empresas para nos concentrarmos na seleção de empresas, tecnológicas ou não, com criação de valor a longo prazo.

O QUE MUDOU NA CARTEIRA?

No que diz respeito ao tema do Big Data, acreditamos que as repercussões pandémicas e os factores geopolíticos apenas irão acelerar as tendências base que já integramos. Por conseguinte, não consideramos necessário alterar a nossa seleção. Contudo, não permanecemos inativos durante períodos de grande volatilidade e procurámos aumentar seletivamente a nossa exposição a várias ações excessivamente penalizadas, contando com a força dos seus fundamentos subjacentes.

Também estruturámos uma exposição a ações de tecnológicas de média dimensão que poderiam beneficiar de uma posição de liderança no futuro ou poderiam ser objeto de fusões e aquisições. Estamos atentos a empresas de média dimensão, tais como a Manhattan Associates ou a Sailpoint, que oferecem produtos para um mercado global e com valorizações atrativas, tornando-as hoje em dia ativos estratégicos particularmente interessantes.

E reforçámos recentemente a nossa exposição ao segmento da tecnologia da educação ao participar no IPO da Thinkific (uma plataforma de criação e estruturação de cursos online) e iniciámos uma posição na Strategic Education. O setor da educação privada nos Estados Unidos está a crescer rapidamente, potenciado pelo contributo das novas tecnologias, que permitem melhorar a adaptabilidade e flexibilidade dos seus cursos online e melhorar a sua eficiência operacional. A equipa de gestão da Strategic Education gere a empresa com uma visão a longo prazo, investindo maciçamente em tecnologia, nos seus vários segmentos empresariais, incluindo a Universidade de Capella, o seu operador de longa data no campo da educação online, especializado em programas de diplomas e certificados concebidos para adultos em educação contínua.

QUAL É A EXPOSIÇÃO GEOGRÁFICA?

A nossa distribuição geográfica é consequência da nossa seleção de ações. Cerca de 50% dos nossos investimentos concentram-se nos Estados Unidos, onde temos exposição a especialistas em análise de dados, e ciber-segurança. Temos também posições seletivas na Índia e na China. Na Índia, investimos em alguns dos principais bancos privados, na vanguarda da banca digital e na promoção da inclusão financeira nas regiões rurais do país, nomeadamente no HDFC e no ICICI. A Tencent, NetEase e Alibaba são também posições centrais na carteira do fundo, dado o seu papel de liderança na revolução digital da China.

Desempenho do Fundo Edmond de Rothschild “Big Data” (Class A-EUR) desde o início do fundo


Fonte: Bloomberg, Edmond de Rothschild Asset Management (França). Dados em 14/05/2021.

Rentabilidades passadas não são uma garantia de rentabilidades futuras, não são constantes ao longo do tempo e podem ser afectadas por movimentos de preços. Os dados de desempenho não têm em conta as comissões e despesas incorridas com a emissão e resgate de unidades de participação.

Desempenho da unidade A EUR do subfundo Big Data do Fundo Edmond de Rothschild de 31/08/2015 (data de início) a 14/05/2021: 115,83% (14,43% anualizado) contra 83,33% (11,21% anualizado) do índice de referência do MSCI World (NR). Desempenho da unidade EUR A em 2020: 11,97% contra 6,33% do índice de referência MSCI EMU (NR).

  • Activos sob gestão: 772 milhões de euros (dados em 14/05/2021)

Edmond de Rothschild Fund Big Data é um subfundo do SICAV regulamentado pelo Luxemburgo, aprovado pelo CSSF e registado e aprovado para comercialização em Portugal.

PRINCIPAIS RISCOS DE INVESTIMENTO

O fundo tem uma classificação de 6 numa escala de 7. O perfil de alto risco/retorno do fundo reflecte a sua capacidade de estar exposto até 100% ao mercado accionista. Os riscos descritos abaixo não são exaustivos: é da responsabilidade dos investidores analisar o risco de cada investimento e formular a sua própria opinião.

Risco de Gestão Discricionária: a gestão discricionária baseia-se nas expectativas do desempenho de diferentes mercados (acções, obrigações). Contudo, existe o risco de o Fundo poder não estar investido nos títulos com a melhor performance em todos os momentos.

Risco de Capital: o valor de uma acção pode mudar dependendo de factores específicos do emitente, mas também de diferentes factores de mercado, políticos ou económicos quepodem levar a variações substanciais no valor dos seus activos líquidos, e que podem ter um impacto negativo no desempenho do fundo.

Risco de Investir em Empresas de Pequena e Média Capitalização: Investir em empresas de pequena e média capitalização pode envolver um risco maior do que o geralmente associado a investimentos em empresas maiores e mais estabelecidas. Os Subfundos que investem em pequenas empresas podem flutuar em valor mais do que outros Subfundos, devido à maior volatilidade potencial dos preços das Acções das empresas mais pequenas.

Risco Cambial: Os activos podem ser expostos ao risco cambial quando a exposição cambial de certos activos do Subfundo é noutra moeda.

Risco de Concentração: Certos Subfundos podem concentrar os seus investimentos em activos pertencentes a certos setores específicos da economia e estarão, portanto, sujeitos aos riscos associados à concentração dos investimentos nos setores em causa.

DISCLAIMER

Maio de 2020. Publicidade. Este documento é emitido por Edmond de Rothschild Asset Management (França). Documento não vinculativo. Este documento é apenas para fins informativos. Qualquer reprodução, divulgação ou disseminação sem o consentimento prévio do Grupo Edmond de Rothschild é estritamente proibida.

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Os dados numéricos, comentários, projecções e outros elementos contidos nesta apresentação reflectem a visão da EdRAM sobre os mercados e a sua evolução, tendo em conta o contexto económico e a informação disponível na altura. Podem ter perdido a sua relevância no momento em que o investidor toma conhecimento dos mesmos. Consequentemente, a EdRAM não aceita qualquer responsabilidade pela qualidade e exactidão das informações e dados económicos fornecidos por terceiros.

Qualquer investimento envolve riscos específicos. Recomendamos aos investidores que assegurem a adequação de qualquer investimento à sua situação individual, recorrendo a aconselhamento independente e apropriado sempre que necessário. Além disso, os investidores devem ler o Documento de Informação do Investidor Principal (KIID) e/ou qualquer outra documentação legal exigida pela regulamentação local, que lhes é fornecida antes de qualquer subscrição e que está disponível em http://funds.edram.com, em qualquer altura, de forma gratuita.

As rentabilidades e volatilidades passadas não garantem rentabilidades e volatilidades futuras e não são constantes ao longo do tempo. Em particular, podem ser afectados pelos movimentos das taxas de câmbio. Os dados de desempenho não incluem taxas e despesas incorridas relacionadas com a emissão e compra de unidades ou acções do OPC.

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