Os fundos multi-gestão delegada da Mediolanum

Dublin
Dublin, Flickr, Creative Commons

A Mediolanum International Funds Limited completou recentemente o seu 25º aniversário, e deu a conhecer o seu modus operandi numa viagem de imprensa, no local de onde são originários: a Irlanda, mais concretamente, em Dublin.  A entidade gestora distingue-se pela aposta em fundos onde a gestão é delegada a terceiros. Visam criar portefólios multi-managed, com elevada diversificação, recorrendo aos melhores gestores do setor onde pretendem atuar.

O segmento de fundos com gestão delegada a terceiros representa uma fatia elevada do investimento em fundos UCITS. Um estudo recente, do Allfunds, partilhado pela entidade, revela que este mercado atingiu em 2023 os 1,38 biliões de euros, o equivalente a 11% do total de fundos UCITS. A MIFL lidera a lista de entidades ligadas a bancos que recorre a este tipo de instrumento, contando com 46 mil milhões de euros sob gestão no fim do primeiro semestre de 2023.

Nesta viagem, a FundsPeople teve a oportunidade de falar com Christophe Jaubert, Chief Investment Officer da Mediolanum International Funds Limited, e Giorgio Carlino, diretor de Multi-Management da mesma entidade. Pretendemos perceber as vantagens associadas a este tipo de investimento, descortinar como é feita a gestão das carteiras e apontar alguma luz sobre o rigoroso processo de seleção dos gestores para os seus fundos.

Para Giorgio Carlino, este tipo de fundo (com vários gestores) permite “capturar a essência da criação de alfa de cada um, mantendo um portefólio diversificado e com menor tracking error”. O CIO da entidade, por sua vez, destaca que escolher uma equipa de gestores de qualidade e aliar as suas ideias e competências num só portefólio permite à Mediolanum cumprir o seu objetivo principal, “providenciar soluções a todos os seus clientes”. Este destaca que, devido à agilidade da equipa de seleção, “em menos de seis meses é possível passar da identificação de uma necessidade ao período de comercialização do fundo”.

Da criação à gestão de risco

O diretor de Multi-Management falou sobre o processo por trás da criação de um novo produto. Todos os anos a MIFL corre um processo onde tenta perceber o que os seus clientes procuram. Giorgio Carlino revela que o processo envolve “clientes, gestores e distribuidores”, e a ideia é “perceber as melhores ideias para os próximos 3 anos”. Completo o processo, “são selecionadas as melhores ideias e os resultados são cruzados com a disponibilidade de gestores de qualidade no mercado”.

Com o portefólio desenhado e já em comercialização, o papel da entidade passa por garantir a consistência e controlar a boa implementação das várias estratégias. Cada gestor traz os seus nomes e ideias para a mesa e com estes é construído o portefólio final. O papel da equipa de risco reverte, depois, para “controlar o tracking error do portefólio e avaliar desvios excessivos na exposição a setores, geografias ou mesmo a uma empresa em particular”. Para isto, faz-se também valer do framework interno com limites previamente definidos. Quando o risco incorrido se torna demasiado, a equipa pode implementar diferentes métodos, “desde coberturas, redução do espaço alocado a algum gestor ou simplesmente compra e venda de linhas diretas”.

A seleção dos gestores

Por fim, o importante processo de seleção dos gestores, que vão participar no fundo, processo esse comandado pela equipa de seleção. A ideia por detrás? “Identificar os melhores gestores disponíveis em cada categoria ou segmento identificados que melhor cumpram com a filosofia do portefólio”.

O reconhecimento do mercado é feito por duas vias. A equipa faz-se valer de bases de dados externas e da experiência e contactos que já tem no mercado. Christophe Jaubert afirma que, por vezes, liga a gestores, analistas ou colegas de profissão para “procurar referências dos melhores gestores do mercado”.

Uma vez chegada a uma lista mais curta com cerca de 15 gestores diferentes, é iniciado um processo mais meticuloso. Nesta fase é “dissecada a performance do fundo, são calculadas medidas de risco e tenta-se identificar a chave por trás dos bons resultados”. A MIFL é exigente no processo, pede à equipa de gestão para mostrar o seu processo de investimento, métodos de research, entre outras abordagens. O CIO enaltece que “a equipa de seleção não fala apenas com o gestor”. Vão ao detalhe. A equipa “chega a falar com todos os analistas ou qualquer outro interveniente do processo de decisão”. O objetivo é ter a máxima convicção na equipa escolhida para liderar parte do fundo.

O processo de seleção robusto é, na opinião de Christophe Jaubert, a chave para o sucesso dos fundos e, consequentemente, do modelo de negócio implementado pela Mediolanum. Este permite à MIFL manter a calma quando os mercados não sopram a favor, uma vez que estão confiantes que estão os melhores a gerir o dinheiro dos seus clientes.