Os fundos perfilados defensivos em 2020: análise da alocação

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2020 foi atípico. Disso ninguém tem dúvidas. Começou bem, sofreu um enorme baque e foi recuperando com altos e baixos. Mas agora que já estamos a meio do primeiro trimestre de 2021, já temos dados – e distância – suficientes para avaliar como foi realmente o ano para os mercados financeiros.

Neste caso, o foco da nossa atenção será a alocação dos fundos perfilados nacionais com um perfil de risco mais defensivo durante o ano passado. A distribuição dos fundos pelas três categorias de risco é a habitual e os dados, que foram retirados da Morningstar Direct, são do fim de dezembro de 2020.

Fonte dos dados: Mornigstar Direct.

Começando pela categoria global, verificamos que a alocação a obrigações foi oscilando durante o ano com variações mensais por vezes superiores a 2%. Porém, foi em junho que se verificou uma maior percentagem desta classe de ativos nas carteiras dos fundos perfilados defensivos.

No caso das ações, as subidas e descidas foram menos acentuadas. Apesar de ter entrado em 2020 com um peso 13,51% nas carteiras destes fundos, acabou o ano com 15,87%, um aumento de 2,36%.

Além disso, e talvez por consequência da incerteza que se vivia na altura com o início da pandemia, em fevereiro verificou-se um pico da alocação a liquidez.

Ações

Fonte dos dados: Mornigstar Direct.

Como se pode verificar no gráfico acima, observamos que as maiores variações mensais se verificaram na alocação a ações da América Latina. Em fevereiro sofreu uma descida de 0,52% para 0,13% tendo recuperado nos meses seguintes. Porém, em junho voltou a cair e manteve uma média de 0,12% até ao fim do ano.

Quer as ações da América do Norte, quer as ações da Europa desenvolvida, atingiram um máximo no mês de abril, altura em que vários países começavam o período de desconfinamento.

Também as ações da Ásia, tanto da desenvolvida como da emergente, foram ganhando algum espaço nas carteiras dos fundos defensivos, principalmente a partir do último trimestre do ano.

Obrigações

Fonte dos dados: Mornigstar Direct.

No caso do segmento das obrigações, e olhando para o gráfico acima, podemos claramente ver a diferença entre o primeiro e o segundo semestre do ano. Em fevereiro foi registado um pico na alocação a obrigações corporativas e soberanas. Porém, em abril foram as securitizações a ganhar terreno ao ocuparem 8.63% das carteiras. O Caixa Defensivo PPR/OICVM, da Caixa GA, foi o fundo que mais contribui para esta tendência, uma vez que aumentou a sua exposição em cerca de 10%.

Contudo, este pico foi de pouca dura. No mês seguinte a alocação a esta classe voltou a descer, mantendo-se constante até ao fim do ano.

Fonte dos dados: Mornigstar Direct.

Se acima referia que em abril se registou um máximo de alocação a securitizações, no mesmo mês, em termos geográficos, a maior variação verificou-se na Europa desenvolvida. A alocação a esta zona subiu 2,48%. Fundos como GNB NB Conservador, da GNB GA, ou Santander Select Defensivo, da Santander AM, foram os grandes impulsionadores deste aumento. Em maio foi a vez da exposição à América do Norte subir 1,68%.