Pedro Lobo (Bankinter): "Existem neste contexto menos opções de diversificação dos portefólios tradicionais"

Fundo de Energias renováveis, Pedro Lobo (Bankinter): "Existem neste contexto menos opções de diversificação dos portefólios tradicionais"
Pedro Lobo. Créditos: Vitor Duarte

Pedro Lobo, diretor de Private Banking do Bankinter Portugal, em entrevista à FundsPeople, aponta os desafios e as soluções para os portefólios dos investidores numa conjuntura que exige ir mais além da diversificação clássica.

Como vê o atual contexto de taxas de juro e de mercado impactar o potencial de diversificação dos portefólios tradicionais?

Acho que podemos olhar para esse tema com mais do que uma perspetiva, desde logo numa visão de asset allocation global em que as classes mais conservadoras estão com perspetivas de retorno nulo ou negativos, nomeadamente o cash, depósitos e obrigações governamentais, o que desde logo afeta a diversificação clássica. Depois podemos enquadrar este contexto também numa visão que incorpore um cenário de potencial inflação futura e que naturalmente terá impactos nas curvas de taxas de juro e respetivas classes de ativos. Finalmente, diria que dentro da classe das ações temos os impactos na visão de alocação entre value e growth.

De uma forma simplista, existem neste contexto claramente menos opções de diversificação dos portefólios tradicionais. 

Que classes de ativos surgem como alternativa de diversificação?

Face à visão clássica, assumem importância, procura e atratividade crescentes os designados Investimentos alternativos, nomeadamente os veículos com investimento direto em ativos reais e particularmente na perspetiva de geração de cash-flows e distribuição de rendimentos. Dentro desta perspetiva, o imobiliário, infraestruturas, logística, energias renováveis são exemplos que possibilitam cumprir esses requisitos de procura. 

Estes investimentos alternativos têm sido uma tendência evidente, quando olhamos para os portfólios de uma forma global ao nível mundial, quer na taxa de crescimento do peso desses investimentos na alocação das carteiras, quer na própria perspetiva de visão do cliente/investidor que manifesta uma disposição de alocar cada vez mais uma percentagem superior da sua riqueza a ativos reais.

E nesta matéria refira-se que, ao nível do private banking do Bankinter, o temos conseguido fazer muito bem, através, por exemplo, do lançamento que realizámos este mês do Fundo de Capital de Risco Helia Renovables IV, mas também do lançamento da primeira SIGI em Portugal em parceria com a Sonae Sierra, a ORES Portugal. A nível ibérico, através do Bankinter Investment, a nossa área de banca de investimento, já são 14 os fundos lançados nos últimos 4 anos com 5,4 mil milhões de euros de investimento.

Que valor aportam essas classes de ativos?

Existem duas características que se destacam. Uma, que já referi anteriormente, é a capacidade de gerar e distribuir rendimentos muito atrativos, particularmente no atual contexto de taxas de juro. Naturalmente que em outras filosofias de investimento como private equity ou venture capital o potencial de retorno por alienação é mais relevante do que a distribuição de rendimento. A outra característica é que estamos a falar de investimentos - e, por isso, de uma parte do portfolio financeiro do investidor - não correlacionados com os mercados financeiros tradicionais do ponto de vista da volatilidade. A conjugação destas duas características torna estas classes de ativos muito atrativas e, num binómio risco/rentabilidade, permite gerar valor para os investidores.

De forma complementar, e no caso concreto do Bankinter, existe uma característica adicional importante para os nossos clientes que é o facto do próprio banco e do parceiro especialista na gestão de cada um dos temas referidos serem, em igual medida de risco e retorno, investidores conjuntos com os clientes, isto é, aportam o seu capital ao veículo e geralmente com impedimento de venda (lock-up) durante a vida do mesmo. 

Há que sacrificar alguma liquidez para obter retornos satisfatórios?

Claramente, no atual contexto torna-se ainda mais evidente e compensatório. É em larga medida esse prémio de manutenção do investimento que suporta os retornos estimados, e principalmente o diferencial para as taxas de juro atuais, e por isso é relevante ter uma componente do portefólio nesta classe de ativos. Mas existe outra característica importante para o investidor, que é capacidade de aceder ao retorno potencial desta tipologia de investimento que, por natureza, exige níveis de alocação de capital elevados face aos patrimónios individuais. O Helia Renovables IV é um excelente exemplo, porque se trata de investir no retorno de parques de produção de energias renováveis, sem ter de disponibilizar individualmente o investimento total de aquisição dos mesmos.