Pontos-chave e consequências dos preços do petróleo em 2021

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Créditos: Grant Durr (Unsplash)

Há pouco mais de um ano e meio, os futuros sobre o petróleo bruto chegaram a cotar em território negativo; em outubro, o Brent voltou aos 80 dólares pela primeira vez em dois anos. Passou-se de descontar o pior da pandemia, para a captura do movimento da reabertura e normalização.

Os preços do petróleo estão a ser impulsionados pela recuperação da procura no pós-pandemia e pela oferta insuficiente, explica Rebecca Chesworth, responsável pela Estratégia de Ações e Setores da SPDR ETF EMEA. A produção limitada é o resultado de anos de gastos de capital menores, em parte por motivos políticos, pelas interrupções do ano passado devido à pandemia, pelas perturbações causadas pelos furacões, e pelas companhias petrolíferas que deram prioridade à recompra de ações.

E é pouco provável que a tendência do petróleo mude significativamente na opinião da especialista. Há dois fatores importantes que Chesworth destaca. Primeiro, a decisão da OPEP+ de não aumentar os planos de produção (acima dos 400.000 barris por dia previamente acordado de adições de fornecimento por mês) apesar do estímulo dos EUA. Segundo, a falta de resposta dos produtores de combustíveis fósseis dos EUA a preços mais altos, uma vez que estão a dar prioridade à disciplina de capital para melhorar os seus retornos.

O regresso dos lucros aos produtores

Dos preços das matérias-primas aos lucros dos produtores. Os resultados do terceiro trimestre das empresas de energia mostram o impacto benéfico do aumento dos preços do petróleo e da disciplina de capital que Chesworth menciona. Segundo os seus cálculos, cerca de três quartos das empresas cotadas reportaram lucros acima das expectativas. Foi um trimestre recorde para o free cash flow, com um regresso aos níveis pré-pandemia.

Isto traduziu-se num aumento da remuneração aos acionistas. "Os dividendos sempre foram um grande atrativo para investir neste setor. Agora isso combina-se com lucros, cash flows e avaliações face ao valor contabilístico muito baixos. Como resultado, o setor da energia continua a ser a nossa seleção de setor SPDR favorito quando entramos em 2022", explica a especialista.

A onda ESG é um motor para os preços do petróleo

A isto vem juntar-se outro fator estruturalmente inflacionário para a energia: o ESG. "Durante demasiado tempo, os preços da energia foram mantidos artificialmente baixos", afirma Paul Flood, gestor da Newton (parte da BNY Mellon IM). Flood espera que a introdução de um novo regime de preços aborde este problema, bem como incentive a uma maior expansão das energias renováveis. Com o tempo, isto deverá ter o efeito de afastar a sociedade da sua atual dependência do petróleo e do gás como a sua principal fonte de energia. Pode também resultar noutros efeitos secundários positivos, tais como encorajar os proprietários a investir no isolamento da casa. "A pandemia encorajou mudanças de comportamento, mas demasiadas vezes tem sido uma luta para ver como podemos fazer as mudanças que os cientistas precisam que façamos", diz o especialista.

Mas não conduzirá necessariamente a preços exageradamente altos. Flood não descarta o papel dos governos na redução do aumento de preços se o custo da energia começar a absorver uma proporção demasiado grande dos rendimentos das pessoas, especialmente para as famílias de baixos rendimentos. "A prioridade, como sempre, é equilibrar o que precisamos de um ponto de vista ambiental com o que pode ser alcançado, especialmente se quisermos manter a economia a funcionar", defende o gestor.

Será a nova variante capaz de lidar com o petróleo?

Mas nem tudo está escrito no mercado das matérias-primas. A poucos dias do fim de ano, uma nova onda do coronavírus está mais uma vez a abanar os preços do petróleo.

Agora, Chesworth reconhece que assistimos a alguma inversão das tendências de compra nas últimas duas semanas devido ao sentimento de ausência de risco de perda gerado pela variante Omicron da COVID-19. No início de dezembro, o receio de uma menor procura de combustível por parte da indústria dos transportes fez com que o preço do petróleo bruto Brent caísse abaixo dos 70 dólares. Desde então, retrocedeu uma parte dessa queda face aos 86 dólares atingidos este ano, cotando agora nos 73 dólares. Na opinião da especialista, esta continua a ser uma oportunidade interessante como parte da estratégia para comprar a queda. "Embora a recuperação da procura pós-pandemia possa agora abrandar, os preços do petróleo bruto podem ainda ser impulsionados por uma oferta insuficiente", argumenta.