Prémio Nobel da economia entregue a estudo sobre bancos e crises financeiras

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Créditos: Eduardo Soares (Unsplash)

A Academia Real das Ciências da Suécia já tomou a sua decisão. O Prémio Nobel da Economia deste ano foi entregue a Ben Bernanke, Douglas W. Diamond e Philip H. Dybvig pela investigação conduzida sobre "bancos e crises financeiras". Estes vencem o galardão por contribuírem positivamente para a compreensão do papel dos bancos na economia, particularmente durante as crises financeiras, bem como o seu papel na regulação dos mercados financeiros. "A análise tem uma grande importância prática na regulação dos mercados financeiros e no tratamento de crises financeiras", afirmou a instituição sueca.

Bernanke, em particular, analisou "a grande depressão da década de 1930, a pior crise económica da história moderna" e mostrou como os bancos foram culpados por tornar a crise tão profunda e prolongada. "Quando os bancos entraram em colapso, perdeu-se informação valiosa sobre os devedores e não foi possível recriá-la rapidamente. A capacidade da sociedade de canalizar a poupança para o investimento produtivo foi assim fortemente diminuída", comentou a academia sobre a investigação de Bernanke.

Adicionalmente, a sua análise demonstrou os fatores importantes na queda do PIB e concluiu que os que estavam diretamente relacionados com a falência dos bancos foram os que mais contribuíram para a recessão que continuou.

Diamond e Dybvig

Douglas W. Diamond é um investigador da Universidade de Chicago especializado no papel dos bancos em crises financeiras. É professor de finanças na Booth School of Business, na Universidade de Chicago, onde é membro desde 1979. Nascido em outubro de 1953, Diamond foi homenageado, entre outras ocasiões, pela sua pesquisa com Dybvig, que incluiu uma solução para a vulnerabilidade bancária sob a forma de seguros de depósitos do governo.

Philips H. Dybvig é especialista em economia bancária e finanças empresariais, coautor de um modelo que explica a importância dos bancos na economia e a necessidade de mecanismos de proteção para precaver contra crises financeiras. Este é professor de economia bancária e finanças na Olin Business School da Universidade de Washington em St. Louis. Ele e Douglas W. Diamond desenvolveram um modelo que mostra como os bancos ajudam a economia, criando liquidez, e o impacto negativo de não ter seguros de depósito ou outra proteção.

Os investigadores receberam o prémio pelo desenvolvimento de modelos teóricos que explicam a existência dos bancos, como o seu papel na sociedade os torna vulneráveis a rumores do seu colapso iminente, e como a sociedade pode diminuir esta vulnerabilidade. Ambos apresentaram uma solução para a instabilidade bancária, sob a forma de seguros de depósitos do governo. "Quando os depositários sabem que o Estado garantiu o seu dinheiro, já não precisam de correr para o banco assim que os rumores de uma falha bancária começarem a surgir", afirmam.