Primeira emissão de bilhetes do tesouro de 2022 sem grande variação das taxas da dívida de curto prazo

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Créditos: Louis Paulin (Unsplash)

Portugal foi de novo aos mercados no espaço de duas semanas, desta vez concretizando a primeira emissão de bilhetes do tesouro de 2022. No total, emitiu 1.500 milhões de euros em dívida de curto prazo, 495 milhões de euros a 6 meses e 1.005 milhões de euros a 12 meses

Como explica Filipe Silva, diretor de investimentos do Banco Carregosa, "a variação das taxas na dívida de curto prazo não tem sido grande". O último leilão que permite fazer a comparação foi realizado em julho de 2021, para o prazo de 12 meses. "Face ao mesmo vemos a taxa subir dos -0,594% para os -0,574%, já nos 6 meses a taxa fixou-se nos -0,596%".

O diretor de investimentos recorda que "os bancos centrais têm estado sob alguma pressão, devido aos fatores como inflação, interrupção nas cadeias de abastecimento e elevados preços de energia, fatores que os levaram a  iniciar os primeiros ajustes às suas políticas monetárias". Contudo, lembra também que "ainda estamos numa fase de recuperação das economia", e, por isso, "não se esperam que estes ajustes sejam muito agressivos".

Desse modo, "os planos de compra de estímulos começaram a ser retirados e a expetativa dos mercados é que comecemos a assistir a subidas nas taxas de referência, movimento que já é visível nas taxas de médio e longo prazo mas que ainda não afeta muito as de curto prazo", algo que se confirmou neste leilão. Um cenário que na perspetiva de Filipe Silva "é muito importante, e em particular para Portugal, para poder continuar a beneficiar do cenário atual de taxas de juro baixas, para poder fazer face ao elevado nível de endividamento".

Do mesmo modo, recentemente Mário Carvalho Fernandes, CIO do Banco Carregosa, emitia a mesma visão da casa. "Apesar da evolução da política monetária no sentido da normalização, ainda existe um longo caminho até se atingir esse estado, pelo que as taxas de juro do mercado monetário se vão manter baixas e inferiores à inflação". O mesmo cenário apontava ainda Jorge Silveira Botelho, CIO da BBVA AM Portugal, quando referia que "apesar de todo o entusiasmo em redor da temática da inflação, não há razões estruturais para achar que estamos sobre um novo regime inflacionário, muito menos ainda de esperar uma alteração da política de repressão financeira assente em taxas de juro nominais de curto prazo historicamente baixas e taxas de juro reais de longo prazo negativas".