Quebrar cinco mitos sobre o estilo de poupança do investidor millennial

millennials, Quebrar cinco mitos sobre o estilo de poupança do investidor millennial
Créditos: Waranont Joe (Unsplash)

Os primeiros membros da geração millennial fazem 40 anos. Ou seja, entram na fase de maiores rendimentos. Uma geração estereotipada como desperdiçada, mau planeador financeiro e dependente dos pais. Estes são precisamente os mitos que o mais recente relatório da Natixis Investment Managers, Five Financial Truths about Millennials, at 40, procura refutar.

“Esta geração tem gozado de um bull market prolongado, com baixas taxas de juro e baixa inflação durante grande parte da sua vida adulta. Também experimentaram o 11 de setembro, o rebentamento da primeira bolha tecnológica e uma grave crise financeira que destruiu muitas pessoas da geração dos seus pais. Sabem o que é sofrer perdas e querem proteger os seus interesses agora que vêm os riscos aumentarem e as suas finanças tornarem-se cada vez mais complexas. A boa notícia é que os millennials não só apreciam o valor da assessoria em termos de planificação, como também confiam em consultores financeiros”, explica Dave Goodsell, diretor executivo do Natixis IM Center for Investor Insight.

As conclusões do inquérito realizado pela Natixis IM revelam cinco realidades sobre os millennials de 40 anos.

1. Os algoritmos não podem responder a todas as questões financeiras

É fácil assumir que os millennials gerem todas as suas operações financeiras a partir dos seus telefones. Acima de tudo, se tivermos em conta que muitos deles utilizam aplicações móveis bancárias. No entanto, esta afinidade digital não se traduziu numa vontade de receber conselhos automatizados de investimento.  Esta geração é mais suscetível de confiar nas pessoas do que em soluções digitais. Entre os que recorrem a um conselheiro profissional, 88% confiam neles na hora de tomar decisões. Menos de metade depende de algoritmos – os motores dos conselhos automatizados – e apenas um quarto (24%) confia nas redes sociais nesta área.

O elevado número de millennials que recorrem a assessores profissionais pode dever-se à maior complexidade das finanças, o que torna necessário recorrer a aconselhamento personalizado, analisa a Natixis IM. Em vez de confiarem num algoritmo, os millennials querem ajuda direta na gestão da sua riqueza. Quatro em cada dez dizem que ajudar a conter a volatilidade (40%) é uma parte importante da sua relação consultiva. Essa mesma proporção também salienta que é importante que os seus investimentos correspondam aos seus valores pessoais, enquanto 37% querem que o seu assessor os ajude em matéria fiscal.

2. O risco torna-se real quando se tem mais a perder

Esta geração tem gozado de um bull market prolongado, com baixas taxas de juro e baixa inflação durante grande parte da sua vida adulta. Assim, 66% diz estar confortável em correr riscos para aproveitar, embora sejam muito mais intolerantes ao risco do que dizem. 72% indicam que colocam a segurança dos investimentos à frente da rentabilidade.

“Embora sentir um saudável respeito pelo risco seja bom, muitos millennials sofrem de um conflito real entre o risco e as suas expetativas de rentabilidade”, aponta Goodsell. A volatilidade gerada pela pandemia e a subida das tensões geopolíticas e das taxas de juro significa que, ao escolherem os seus investimentos, se concentram mais na gestão de riscos do que na capacidade de um fundo superar o seu índice de referência. 60% dos inquiridos dizem que a volatilidade do mercado prejudica a sua capacidade de cumprir as suas metas de poupança e de reforma.

3. Os millennials entendem que não devem trair os seus valores para serem capitalistas

Os millennials veem a riqueza como uma extensão dos seus valores. 78% acreditam que investir é uma forma de ter um impacto positivo no mundo. E 63% acreditam mesmo que têm a obrigação de ajudar a resolver problemas sociais através dos seus investimentos. Portanto, após o risco, o segundo aspeto a que os millennials prestam mais atenção na escolha dos seus investimentos é se correspondem aos seus valores, embora também queiram obter retornos enquanto tentam mudar a sociedade. Assim, um em cada dois pede aos seus consultores financeiros que incluam fatores ESG na sua análise de investimento, juntamente com métricas financeiras mais gerais.

4. Reforma parece muito mais próxima dos 40

Os millennials esperam reformar-se, em média, aos 60 anos. “É um objetivo ambicioso, mas estão cientes dos riscos envolvidos, o que pode explicar a importância que colocam no planeamento e aconselhamento”, explica Goodsell. E o caminho para a reforma? De acordo com o estudo, os millennials são aforradores comprometidos. Poupam, em média, 17% do seu rendimento anual para a reforma, uma vez que 76% acreditam que financiar a sua reforma é cada vez mais uma responsabilidade pessoal. No entanto, dado que a inflação subiu nos últimos dois anos para máximos de 40 anos, 72% dos inquiridos consideram-na a maior ameaça à sua segurança financeira na reforma.

5. A pandemia serviu como um lembrete de conceitos financeiros básicos

A COVID-19 fez com que 58% dos millennials se sentissem stressados com a sua segurança financeira. 28% dos inquiridos responderam que perderam rendimentos a nível pessoal ou familiar durante a pandemia e cerca de um quinto sofreu um notório revés na segurança financeira. No entanto, durante a pandemia, cerca de um quarto dos membros desta geração aumentaram a sua atividade negociadora através dos seus consultores financeiros, o que pode reforçar o valor do aconselhamento profissional em tempos de volatilidade nos mercados. 68% disseram sentir-se resilientes em termos financeiros, isto porque garantiram que tinham um plano financeiro.

Os seus três maiores receios financeiros de hoje são ter de enfrentar uma grande despesa inesperada, segurança no emprego e impostos. No entanto, em retrospetiva, dizem que a pandemia tem servido como um lembrete de conceitos financeiros básicos, incluindo a importância de controlar os gastos (46%), ter uma conta poupança de emergência (38%), e evitar tomar decisões de investimento emocionalmente (32%).