Saúde, TMT e consumo: razões para serem os melhores setores para construir posições long-short

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Créditos: Tobias Reich (Unsplash)

Em todos os setores de mercado podem ser construídas posições long-short. No entanto, existem alguns mais indicados para isso. É nisso que acredita Jean-Damien Cavalier, especialista em investimento alternativo da Pictet AM, que aponta para aqueles que seriam os melhores segmentos para gerar rentabilidade com estratégias long-shot: saúde, tecnologias, media e telecomunicações (TMT) e consumo. “São setores particularmente adequados para estas estratégias”, afirma. Mas porquê?

Razão #1: Não são muito dependentes das taxas de juro

Segundo o especialista, em primeiro lugar, estes três setores não são tão dependentes, como os bancos, das taxas de juro. Nem da volatilidade do preço das matérias-primas. “Não são afetados por estas e outras variáveis macroeconómicas difíceis de prever. Ao mesmo tempo, caracterizam-se pela disponibilidade e abundância de dados financeiros relativos às empresas correspondentes. Tudo isto pode ser traduzido em previsões”. 

Na sua opinião, são setores amigáveis para a modelação. “Tratam-se de empresas com indicadores-chave claros, o que facilita uma melhor compreensão da trajetória das ações. De facto, em cada um destes setores e subsetores, os dados podem ser verificados de forma independente”.

Razão #2: São setores complexos e diversos

Em segundo lugar, Jean-Damien Cavalier sublinha que se tratam de setores complexos e diversos. “Requerem conhecimentos especializados e detalhados, sendo propensos a avaliações de mercado não ideais. Estas ações mostram um elevado grau de dispersão da rentabilidade, tanto intrassetoriais como entre subsetores. Assim, a diferença entre o primeiro e o último quartil é notória, tanto na Europa como nos Estados Unidos”, indica. Neste sentido, o especialista em investimento alternativo da empresa suíça destaca que a dispersão atinge os 52% na saúde, face 39 e 29% dos índices S&P 500 e Stoxx 600.

“É preciso ter em conta que quanto maior for o gap entre ações vencedoras e vencidas, há mais oportunidades para obter maiores retornos através de estratégias de long-short. Além disso, estes setores mostram uma multiplicidade de histórias idiossincráticas, não correlacionadas com eventos macroeconómicos ou de mercado, que geram oportunidades de investimento. Oferecem opções pouco concorridas e uma análise detalhada e precisa pode levar a descobrir ações demasiado caras ou baratas. Isto permite-nos focar na análise empresarial bottom-up, de modo a gerar conhecimentos e oportunidades superiores para gerar alfa”, explica.

Razão #3: Dados alternativos podem fornecer uma vantagem

Segundo o especialista, a terceira razão é que a análise alternativa de dados aplicada a estes setores pode proporcionar uma vantagem, especialmente para identificar explicações que outros ignoraram. “A maioria dos gestores compra dados para encontrar padrões e depois investe com base neles. A utilização de dados alternativos, mesmo personalizados, é uma forma de acompanhar de forma independente o progresso nas empresas ou nos seus produtos”. 

Exemplo: o setor da saúde

O setor farmacêutico, biotecnológico e de tecnologia médica está a ser transformado por várias tendências a longo prazo. Isto inclui o envelhecimento, o que certamente conduzirá a um aumento dos gastos durante muitos anos. É o setor que Jean-Damien Cavalier coloca como um caso de estudo, uma vez que, na sua opinião, oferece uma boa mistura de empresas dominantes e pequenos disruptores que constantemente desafiam a ordem estabelecida.

“A complexidade é acrescentada, uma vez que diferentes países oferecem sistemas de saúde e de reembolso de medicamentos muito diferentes. Não é por acaso que, desde 2017, houve quase o dobro da dispersão de rentabilidade nas ações de cuidados de saúde dos EUA e da Europa Ocidental entre o quartil superior e o inferior do que no mercado global”.

Além disso, a crise da COVID-19 terá mudado e ampliado a oportunidade nos cuidados de saúde e em vários subsetores para posições long-short. “As empresas que beneficiam da pandemia revalorizaram substancialmente, com oportunidades interessantes, mas nem todas poderão sustentar as valuations assim que a crise diminuir”, conclui.