Tendências da indústria: análise do aumento dos fundos de gestão delegada a terceiros na Europa

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Créditos: Anastasia Nelen (Unsplash)

Uma das maiores tendências atualmente no setor da gestão de ativos. É assim que John Bolton, diretor comercial do instiHub, define o boom que o negócio dos fundos de gestão delegada a terceiros está a viver na Europa. De acordo com o mais recente estudo da empresa, os ativos em fundos de gestão delegada a terceiros e fundos de subadvisory na EMEA já ascendiam a dois biliões de euros no final do primeiro trimestre de 2022. Deste valor, a maior parte está em fundos de subadvisory: 1,27 biliões de euros. Para contextualizar este valor, já representam 15% de todos os ativos de fundos europeus.

Além disso, Bolton destaca a tendência crescente. Os ativos em fundos de gestão delegada registaram um aumento anualizado de 21,2% até 2021. É um crescimento mais rápido do que a indústria de gestão de ativos em geral, que registou um aumento de 17%, de acordo com os dados da EFAMA. E a previsão do instiHub é que a tendência se mantenha. A entidade prevê uma taxa de crescimento anual dos ativos de fundos de subadvidory de 10,4% entre 2022 e 2030, atingindo os 3,2 biliões de euros em toda a região EMEA.

De acordo com os cálculos do instiHub, existem 3.247 fundos de subadvisory na região EMEA. Destes, quase metade são pequenos mandatos. 1.249 têm uma dimensão inferior a 100 milhões de euros e outros 854 têm um património líquido entre 100 milhões e 250 milhões.

Uma tendência europeia

A ascensão do modelo de fundos de gestão delegada é uma tendência europeia. E é um movimento que se tem vindo a preparar há anos. Em 2018, um banco italiano de distribuição lançou o seu programa de parcerias de subadvisory. Uma plataforma que começou com 4.000 milhões de euros e que gere agora 10.000 milhões.

Mais recentemente, assistimos a movimentos semelhantes na BNP Paribas e no Amundi. Em 2021, ambas lançaram as suas plataformas de subadvisory com a previsão de que milhares de milhões de euros em ativos passarão de fundos de terceiros para fundos de gestão delegada. A BNP Paribas já captou 2.000 milhões de euros para este negócio, dos quais 84% são investidos em fundos do grupo a um custo semelhante ao dos fundos de terceiros.

E esta é outra das tendências que detetam do instiHub. A substituição de ativos em fundos de terceiros por ativos em fundos de subadvisory. Tem havido uma aceleração da transferência nos ativos de fundos próprios de subadvisory dentro de fundos de fundos. "As entidades preferem usar fundos próprios por razões comerciais e de controlo. Isto inclui a pressão para reduzir comissões, para poder mudar as gestoras a quem delegam a gestão mais facilmente, bem como personalizar a sua oferta", explicam. O problema que gera é que as gestoras que não estão abertas a estabelecer acordos de assessoria a terceiros correm o risco de perder capital para aquelas que estão.

Os grandes players no mercado de subadvisory

Por canais de distribuição, o principal segmento é o das gestoras, que têm 302.000 milhões em fundos e outros 204.000 milhões em ativos de subadvisory. Este mercado registou um crescimento de 10% entre março de 2021 e março de 2022, impulsionado pela expansão dos ativos da Rabobank, delegados à BlackRock. É seguida de perto por bancos que fazem distribuição com 235.000 milhões e 192.000 milhões, respetivamente.

Entre as gestoras, as três principais players do mercado de subadvisory são a BNP Paribas AM (33 mil milhões de euros), a BlackRock (32 mil milhões de euros) e a Nordea (18 mil milhões de euros). Em termos bancários, são liderados pela Mediolanum (45.000 milhões), pelo Santander (37.000 milhões) e pelo CaixaBank AM (36.000 milhões). Quanto aos principais aumentos de ativos, são a BlackRock, a Schroders, a UBS AM, a Amundi AM e a State Street Global Advisors.