Update do Nordea 1 - European Financial Debt Fund: aposta nas seguradoras

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Jacob Topp. Créditos: Cedida (Nordea AM)

Categorizado como fundo de obrigações subordinadas em euros, o Nordea 1 - European Financial Debt Fund está focado no segmento com classificação high yield. Assim, o seu objetivo é gerar uma rentabilidade ajustada ao risco do índice ICE Euro Financial High Yield Constrained. Além disso, investe principalmente em dívida subordinada emitida por entidades bancárias e seguradoras. Uma das faixas mais características da estratégia é a sua aborgadem bottom-up. Na prática, isto traduz-se em duas implicações importantes na carteira atual.

Em primeiro lugar, a equipa gestora é muito cuidadosa com as obrigações convertíveis (CoCos). O investimento neste tipo de obrigações está limitado a um nível menor do que 20%. Isto deve-se ao facto de não se sentirem confortáveis com o risco de extensão que representam adicionalmente. E é um risco que muitas vezes não sentem que seja compensado por uma valuation mais alta.

Em segundo lugar, destaca a relativamente alta exposição ao setor segurador. Atualmente, representa aproximadamente 35% da carteira. “Esta setor tem, de um modo geral, níveis de capitalização muito sólidos, rácios de rentabilidade saudáveis e valuations muito interessantes em comparação com o setor bancário”, explica Jacob Topp, gestor deste fundo da Nordea AM.

Oportunistas perante o sentimento adverso

A elevada volatilidade reinou nas obrigações no início do ano e o crédito financeiro não foi exceção. A inflação, as declarações do Banco Central Europeu, as taxas de juro e os recentes desenvolvimentos geopolíticos (incluindo a trágica guerra na Ucrânia) estão a ter impacto no sentimento do mercado. “Isto provocou a queda do crédito financeiro, que tem sofrido em termos de rentabilidade por razões que têm mais a ver com sentimento adverso do que com os seus fundamentais”, explica Topp.

Porque para o gestor, os fundamentais ainda são sólidos no setor. “Uma das questões mais relevantes para os bancos em ambientes difíceis é a perturbação geral dos problemas de mercado e de liquidez”, reconhece. A boa notícia é que os bancos da Europa Ocidental estão a partir de uma situação de ampla liquidez e os bancos centrais estão dispostos a expandi-la, se necessário. Topp também argumenta que a dimensão e a qualidade dos níveis de capital é muito melhor do que no passado. E isto reflete a estabilidade e solidez do setor bancário em geral.

Ruído na banca

A exposição à Rússia e à Ucrânia também gerou ruído no setor. “As ações dos bancos europeus caíram acentuadamente. E, para contextualizar, a perda de valor de mercado que estes têm apresentado até agora excede a exposição dos bancos à Rússia e à Ucrânia nos seus balanços”, afirma. Como o gestor salienta, estes são maioritariamente financiados com depósitos locais, pelo que a exposição direta dos bancos ocidentais ao conflito nestes países é bastante limitada.

Por conseguinte, defende que esta exposição não deve causar qualquer problema de solvência para nenhum dos bancos mais importantes, pelo menos enquanto as injeções de capital são efetuadas na Rússia e na Ucrânia em caso de fuga de capitais. Em todo o caso, os bancos que têm no Nordea 1 - European Financial Debt Fund concentram-se principalmente no mercado interno. Têm pouca exposição direta ao mercado da Europa Central e Oriental, pelo que a guerra na Ucrânia implica um impacto limitado na qualidade do crédito da sua carteira.

Mas para todos os bons gestores ativos, a volatilidade é sinónimo de oportunidade. E Topp não descarta aproveitar as oportunidades que surgem nos mercados primário e secundário com este ruído. Dito isto, já está satisfeito com as ideias do portefólio. Na sua opinião, está a obter excelentes resultados em comparação com o índice Euro financial high yield.