Na opinião de William Craig, responsável de Investimentos Privados na Wellington Management, a próxima fase de crescimento dos mercados privados será impulsionada pelo segmento de banca privada. “A maioria dos cerca de 12 biliões de dólares investidos em ativos não cotados provém de investidores institucionais — fundos de pensões, fundações, endowments, etc. Os institucionais continuarão a ser o principal cliente, mas em termos de potencial de crescimento, o próximo grande impulso virá dos investidores de private banking”, afirma.
Atualmente, a alocação média de um cliente high net worth (HNW) aos mercados privados ronda os 3 a 5%. “Acreditamos que esse valor continuará a crescer e poderá até duplicar nos próximos cinco anos”, antecipa Craig.
Em termos de volume de clientes, estima-se que o segmento wealth seja o dobro do institucional. “Isso representa uma nova fonte de fluxos de capital que poderá chegar aos mercados privados, reforçando a tendência de convergência entre os mundos público e privado e a importância dos mercados privados nas carteiras dos investidores”, acrescenta.
Ampliar o universo de oportunidades
Para Craig, investir em mercados privados é também uma forma de aceder a oportunidades e setores que não estão representados nos mercados públicos — como algumas das empresas mais inovadoras em inteligência artificial. “Os mercados privados continuam a ser relativamente ineficientes. Ainda há pontos de entrada atrativos para o investidor. Cerca de 85% das empresas nos EUA que geram mais de 100 milhões de dólares em receitas continuam privadas, o que significa que também existem negócios muito maduros neste segmento”, observa.
Por que a Wellington entrou nos mercados privados
Dos 1,2 biliões de dólares sob gestão da Wellington, a maioria continua em mercados cotados, divididos equitativamente entre ações e obrigações. No entanto, há mais de 30 anos a gestora começou a desenvolver competências em investimentos alternativos: primeiro, com hedge funds nos anos 90, e depois, em 2014, com o lançamento do seu primeiro fundo de private equity. Atualmente, o foco da casa está em venture capital, growth equity, crédito privado e imobiliário privado.
Craig vê esta aposta como uma evolução natural do negócio. “As empresas permanecem privadas durante mais tempo, o que acentua a interseção entre o universo cotado e o privado. Das cerca de 200.000 empresas existentes no mundo, apenas 9.000 estão cotadas em bolsa”, explica. E é uma tendência que deverá continuar, sobretudo entre pequenas e médias empresas. “As grandes empresas tendem a ir para o mercado — casos como a Nvidia, Apple ou Amazon. Mas há exceções, como a Stripe, SpaceX ou OpenAI. As privadas tendem a situar-se no segmento de baixa capitalização”, refere.
A importância de não separar o mundo cotado do privado
Na visão de Craig, o conhecimento profundo dos mercados cotados fortalece o processo de análise nos mercados privados. “Na Wellington, os analistas dos dois universos trabalham em conjunto. Quando avaliamos uma oportunidade de investimento privado, recorremos à perspetiva dos nossos especialistas em ativos públicos, o que melhora o processo de due diligence. Permite-nos ter uma visão mais clara do contexto competitivo, das métricas de crescimento e das margens relevantes.”
Caso contrário, avisa, há o risco de destruição de valor — seja por compressão de múltiplos, seja por uma avaliação desalinhada na transição do privado para o público. “Por exemplo, uma empresa privada pode ser valorizada com base no crescimento das receitas, mas se o mercado público a avaliar segundo os lucros ou o EBITDA, pode haver uma perda significativa de valor nesse processo”, conclui.

