Ações crescem nas carteiras de seguros e fundos de pensões em 2020

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Créditos: Kupono Kuwamura (Unsplash)

Depois de enumerar os pontos que têm afetado o setor segurador e o setor dos fundos de pensões, a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) passa a outros factos. Concretamente à fotografia da carteira de investimentos do setor em 2020.

No Relatório de Estabilidade Financeira do Setor Segurador e dos Fundos de Pensões, revelam que o total da carteira de ativos das empresas de seguros fixou-se em 51 mil milhões de euros. Se se excluírem os ativos afetos a seguros ligados (unit-linked) esse valor diminui para 38,2 mil milhões de euros. Contas feitas, trata-se de uma quebra de 4,2% face a 2019.

O contrário aconteceu com os fundos de pensões. Isto é, o património cresceu cerca de 5% em 2020, para os 23 mil milhões de euros.

Ações crescem nas carteiras de seguros e fundos de pensões

Com a ressalva de que a análise incorporou “os efeitos da pandemia sobre os mercados financeiros ao longo de 2020”, a ASF detalha sobre a política de investimentos em 2020. A preponderância dos instrumentos de dívida mantém-se nas carteiras das empresas de seguros. Assim, “representa 77,7% do total, com destaque para os soberanos, cujo peso se situa em 45,9%”, dizem.

As ações cresceram nestas carteiras. Ainda assim, dizem, permaneceram com uma “proporção limitada (14,6%)” nos portefólios. Os depósitos, por sua vez, registaram “um decréscimo de 6,6%, em 2019, para 3,7% em 2020”. Um reflexo do que dizem ser a evolução de uma “empresa de seguros de elevada dimensão”.

Igualmente, nos fundos de pensões os títulos de dívida pública e privada são predominantes, mas de forma mais comedida, com 50,6% de peso.  Verificou-se, acrescentam, “um ligeiro incremento do peso conjunto destas categorias”. Algo que foi “fruto do aumento do peso dos emitentes privados (1,4 pontos percentuais), que superou a redução verificada nos soberanos (1,2 pontos percentuais)”, escrevem.

Nestes produtos, os títulos acionistas assumem um papel de relevo, com 37,3% do total, o que se traduz num aumento considerável face ao observado no final do ano passado (4,1 pontos percentuais).

Fonte: ASF

No que diz respeito à qualidade de crédito, a ASF destaca que na carteira obrigacionista das empresas de seguros existiram poucas alterações. “Constata-se que, no final de 2020, a qualidade creditícia média permaneceu em BBB+, com a totalidade das empresas a situar-se em território conotado como de investment grade”, escrevem.

Aquela que era a categoria com maior peso em 2019 nestas carteiras, a de Credit Quality Step (CQS) 3 incrementou o seu peso em 3,1 pontos percentuais, para 58,4%. De forma oposta,  a CQS 2 reduziu a sua ponderação para 20,4%.

Investment grade cresce nos fundos de pensões

Nas carteiras dos fundos de pensões, o destaque foi para o aumento “do peso dos ativos conotados como investment grade (2,5 pontos percentuais)”. Tal deveu-se então ao “aumento das categorias com melhor qualidade creditícia, isto é, CQS 0 e 1 (2,1 e 2,6 pontos percentuais, respetivamente)2. “Esta evolução refletiu-se, em termos globais, no aumento da qualidade creditícia média da carteira obrigacionista de A- em 2019, para A em 2020”, dizem em conclusão.

Fonte: APAF