No risk outlook para 2022, o regulador olha para o comportamento dos investidores. Alerta ainda para o risco de deslocalização de players para outras jurisdições.
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Para além dos riscos de mercado, os riscos associados à digitalização e os riscos ESG, a CMVM apontou outros aspetos a ter em conta no ano de 2022. No documento Risk Outlook 2022, o regulador explica que a pandemia foi um dos factores que teve impacto no comportamento da poupança (e investimento) das pessoas, mas também nas suas atitudes, e expetativas. Neste capítulo, dedica portanto palavras sobre os investidores e os riscos que lhes são inerentes.
Na perspetiva da entidade, os impactos da pandemia poderão ser longos, e muitos investidores procurarão "economizar mais para a reforma em vez de privilegiarem o consumo presente".
Saldo líquido de investimento - por tipo de instrumento financeiro
Fonte: CMVM
Os dados acima confirmam que o aumento da poupança durante a pandemia teve reflexos nas subscrições de produtos, em concreto na "generalidade dos vários tipos de produtos financeiros". Este aumento de subscrições, que a CMVM detalha ter sido mais intenso nos nove meses anteriores à data em análise, poderá trazer algumas evidências. Apontam que poderá estar aí espelhado um "aumento da confiança, a procura de retorno (search for yield) e objetivos de diversificação ou de cobertura de risco pelos investidores".
Decréscimo da importância dos depósitos
Por outro lado, conta a CMVM, nos três primeiros trimestres de 2021 deu-se o decréscimo da importância relativa das novas aplicações em certificados de aforro e do tesouro e principalmente em depósitos. As novas aplicações de particulares em valores mobiliários, por sua vez, registaram um acréscimo "de importância relativa". O regulador justifica este aumento com o "já referido aumento recente da taxa de poupança, mas também com alterações da procura provocadas pelo muito baixo nível das taxas de juro de aplicações mais tradicionais e de menor risco (depósitos bancários e dívida pública), e ainda com o redireccionamento da oferta pelos distribuidores (que potencia a rentabilidade bancária por via do comissionamento mais elevado deste tipo de produtos)".
Mas o efeito preço também é salientado. "Além do referido efeito-quantidade, a evolução dos preços contribuiu igualmente para explicar o recente crescimento do valor total dos produtos de investimento e instrumentos financeiros em Portugal", afirma.
Risco da saída de players
A descida nos montantes sob gestão individual de ativos também foram referenciados pelo regulador. Lembram que esta redução esteve "essencialmente relacionada com a saída de dois operadores que geriam carteiras institucionais". Situações que lhe demonstrámos em maio de 2020, e mais recentemente, quando a BMO deixou de gerir as carteiras do grupo Ageas.
Sobre esse movimento deixam um comentário: "Estas saídas correspondem à materialização dos riscos de deslocalização dos operadores para outras jurisdições, que os desenvolvimentos tecnológicos e a globalização potenciam".