Como difere o investidor europeu do americano ou do chinês

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No terceiro trimestre do ano, os ativos em fundos a nível mundial aumentaram 1% até alcançar os 52,2 biliões de euros, segundo dados da EFAMA. Estamos muito próximos do máximo histórico em ativos do fecho de 2019, apesar de a procura se ter moderado nesse trimestre. Mas por detrás deste número global há um mar de nuances geográficas. Uma análise mais profunda das tendências por geografia mostra-nos importantes diferenças entre o investidor europeu e o investidor americano ou chinês.

Primeiro, a nível geral. Os fundos a longo-prazo (long-term funds) em todo o mundo registaram entradas líquidas de 411.000 milhões de euros no terceiro trimestre de 2020, em comparação com os 387.000 milhões de euros do segundo trimestre de 2020. A Europa e os mercados emergentes registaram as maiores vendas líquidas (156.000 milhões de euros e 104.000 milhões de euros, respetivamente), seguidos dos Estados Unidos (90.000 milhões) e outras economias desenvolvidas (61.000 milhões).

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Dentro disto, os fundos de obrigações atraíram a grande maioria das vendas de fundos a longo prazo (279.000 milhões). Mas foi uma procura que chega principalmente dos Estados Unidos (221.000 milhões) e da Europa (65.000). Como se pode ver no gráfico anterior, nos mercados emergentes até se registaram saídas.

Mas é nas ações onde existe uma maior divergência no apetite dos investidores. As vendas líquidas de fundos de ações tornaram-se negativas (24.000 milhões de euros). Mas isto explica-se sobretudo pelas grandes saídas líquidas nos Estados Unidos (123 milhões de euros). Talvez numa mudança para produtos indexados, não por um fecho de posições em ações. Assim, o número global é negativo apesar das entradas líquidas na Europa (45.000 milhões), outras economias avançadas (33.000 milhões) e nos mercados emergentes (23.000 milhões).

Passa-se algo semelhante nos multiativos. Estes registaram fortes entradas líquidas (100.000 milhões de euros). Mas deste dado, a China representa a maior parte das vendas líquidas (91.000 milhões).

Nos monetários também vemos como uma única região pode mudar a tendência na procura. Registaram-se saídas líquidas de 168.000 milhões de euros, em comparação com entradas líquidas de 441.000 milhões no segundo trimestre de 2020. A inversão da tendência deveu-se principalmente à mudança de rumo nos Estados Unidos, que passou de ter entradas líquidas de 270.000 milhões no segundo trimestre para saídas líquidas de 197.000 milhões no terceiro. Pelo contrário, os monetários continuaram a atrair entradas líquidas na Europa (41.000 milhões), ainda que menos fortes do que no segundo trimestre de 2020 (136.000 milhões).

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