Após a conclusão do curso no Instituto Superior de Línguas e Administração, iniciou a sua carreira com breves experiências na TAP e na Renault Portugal, na área de Marketing. No final de 1989, ingressou no BCP, na Direção Internacional e Financeira, onde, ao longo dos primeiros anos da década de 90, aprofundou conhecimentos sobre o mercado de capitais através de estágios e cursos em alguns dos maiores bancos de investimento internacionais.
“A década de 90 foi particularmente desafiante e enriquecedora: na sala de mercados do BCP, com responsabilidades na mesa de trading de dívida pública, acompanhei de perto o desenvolvimento do mercado de capitais português, desde a criação do mercado de derivados na Bolsa de Derivados do Porto até à adoção do Euro”, relata. Posteriormente, no Banco CISF, assumiu responsabilidades na área de estruturação, sindicação e colocação de emissões obrigacionistas para não residentes.
Em 1997, iniciou funções na área de gestão de ativos, na AF Investimentos, à data a entidade responsável pela gestão de ativos do grupo BCP. No virar do milénio, já com responsabilidades na gestão de carteiras de seguros e fundos de pensões, ingressou na F&C Asset Management como diretor responsável pela gestão de carteiras de clientes institucionais em Portugal, função que manteve também após a transição para a BMO Asset Management, onde permaneceu até 2021.
Desde junho de 2021, desempenha funções como diretor de Investimentos na Ageas Portugal, mantendo a responsabilidade pela gestão das carteiras de seguros e fundos de pensões do Grupo Ageas Portugal.
Um objetivo a nível profissional
Um dos meus principais objetivos profissionais é continuar a desenvolver uma abordagem estratégica e rigorosa na interação com os diversos intervenientes de mercado — desde gestores de ativos a analistas e parceiros institucionais — mantendo sempre uma postura colaborativa, mas intransigente na defesa dos interesses dos clientes que represento.
Penso que o verdadeiro valor na gestão de investimentos reside na capacidade de identificar oportunidades que maximizem a rentabilidade, sem comprometer os princípios éticos e a sustentabilidade das decisões. Mais do que alcançar resultados financeiros, procuro construir uma carreira pautada pela integridade, profissionalismo e transparência, valores que considero essenciais para gerar confiança e impacto duradouro no setor financeiro.
Qual diria que é a sua maior virtude e o seu maior defeito?
Considero que a minha maior virtude é a capacidade de ouvir e de trabalhar em equipa. Acredito que o sucesso em investimentos depende muito da colaboração, da partilha de ideias e da construção de soluções em conjunto.
Por outro lado, reconheço que o meu maior defeito é a dificuldade em tomar decisões que possam impactar negativamente quem me é próximo. Por vezes, pondero demasiado quando sei que uma decisão, mesmo sendo necessária para o bem do projeto ou da organização, pode ter consequências menos positivas para colegas ou parceiros com quem tenho uma relação próxima.
O seu maior passatempo fora das finanças
Atualmente, não tenho um único passatempo dominante, mas sim um conjunto de atividades que me preenchem tanto a nível mental como físico. Destaco a bicicleta de montanha e o ténis como as minhas principais atividades desportivas, que me permitem manter o equilíbrio e desafiar-me fora do contexto profissional. Viajar é também essencial para mim, pois proporciona novas perspetivas e inspiração. Além disso, tenho um interesse especial por relógios e decoração, áreas que acompanham o meu dia a dia e onde encontro espaço para criatividade e atenção ao detalhe.
Uma reflexão sobre o seu setor: o que mais mudou nos últimos anos e quais são os desafios para o futuro?
A transformação do setor financeiro tem sido profunda, impulsionada pela digitalização acelerada, que trouxe maior eficiência, mas, ao mesmo tempo, novos desafios em termos de segurança e adaptação tecnológica. A concorrência aumentou significativamente, não só entre instituições tradicionais, mas também com a entrada de fintechs e outros players inovadores, tornando o ambiente mais dinâmico e exigente.
A complexidade dos mercados também se intensificou, com produtos financeiros mais sofisticados, maior volatilidade e uma regulação cada vez mais rigorosa.
Outro aspeto fundamental é a evolução para as finanças sustentáveis. Hoje, é cada vez mais necessário olhar para além das métricas financeiras tradicionais e integrar critérios de sustentabilidade ambiental, social e de governance (ESG) nas decisões de investimento. Esta mudança reflete não só uma exigência regulatória, mas também uma crescente consciência por parte dos investidores e da sociedade em geral.
Um dos grandes desafios para o futuro será também o potencial impacto da inteligência artificial na gestão de ativos. A IA está a revolucionar a forma como analisamos dados, identificamos oportunidades e gerimos riscos, permitindo uma abordagem mais preditiva e personalizada. No entanto, traz consigo questões éticas, de transparência e de supervisão que exigem uma reflexão cuidadosa.
Assim, o grande desafio será conciliar a inovação tecnológica, a procura de rentabilidade e a responsabilidade social e ambiental, garantindo que as decisões financeiras criam valor sustentável a longo prazo. A capacidade de adaptação, a aprendizagem contínua e a visão holística do impacto dos investimentos serão fatores críticos para quem quiser ter sucesso neste novo paradigma.
Conselho para as novas gerações que desejam entrar no mundo das finanças
Num contexto de um setor em constante transformação, o meu principal conselho é que desenvolvam uma forte capacidade de adaptação e mantenham sempre a curiosidade intelectual. É fundamental acompanhar as tendências, aprender continuamente e estar aberto a novas formas de pensar e trabalhar.
No entanto, não basta dominar apenas as competências técnicas. O desenvolvimento dos soft skills, como a comunicação, o trabalho em equipa e a capacidade de negociação, é cada vez mais valorizado. Além disso, a inteligência emocional — saber lidar com a pressão, gerir expectativas e manter o equilíbrio em ambientes exigentes — é uma competência essencial para quem quer construir uma carreira sólida e sustentável no setor.
Em resumo, quem quiser destacar-se nas finanças deve procurar um equilíbrio entre conhecimento técnico, competências interpessoais e uma atitude resiliente e ética perante os desafios do mercado.
3/5