Foto finish do primeiro semestre de 2021 nos mercados: recorde de dinheiro para ações e subida de quase todos os cíclicos

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Cráditos: Chander R (Unsplash)

O primeiro semestre do ano ficou marcado nos mercados de valores por dois claros acontecimentos. O primeiro deles, e talvez o mais importante, foi a reabertura das economias em todo o mundo devido à massiva campanha de vacinação contra a COVID-19 . O segundo foi o aumento da inflação, que ainda que o consenso veja mais como algo mais transitório do que como uma mudança de tendência, provocou o medo de que se começassem a retirar os estímulos antes do esperado, sobretudo nos EUA.

Não obstante, vendo o comportamento dos mercados parece que na mente dos investidores pesou mais o otimismo, que implica o primeiro, do que o medo, que acarreta o segundo. Por isso, viu-se uma forte rotação no primeiro semestre de setores defensivos para outros mais ciclos e do estilo growth para o estilo value. E foi também por isso que os principais índices de ações chegaram a este mês de julho com rentabilidades que em muitos casos alcançam os dois dígitos.

De facto, segundo o relatório de The Flow Show, publicado pela BoFa Securities, o primeiro semestre foi de recordes em termos de rentabilidade anualizada do mercado global de ações já que, segundo os dados, os ganhos vistos neste primeiro semestre de 2021 estão entre os sete melhores dos últimos 100 anos.

Subscrições líquidas disparam

Além disso, nesta ocasião estes bons números foram também influenciados pelas entradas de dinheiro que se viram em fundos de investimento de ações. “As entradas anualizadas no primeiro semestre em fundos de ações, TIPS, financeiras, matérias-primas e infraestruturas é maior do que a entrada acumulada dos últimos 20 anos. Por exemplo, a entrada em ações no período de 2001-2020 foi de 0,8 biliões de dólares acumulados e em 2021 a entrada anualizada foi de 1,2 biliões de dólares”, afirmam na entidade. E podemos vê-lo perfeitamente nos gráficos seguintes.

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Quem retirou mais partido do caminho da rentabilidade?

Ainda que o comportamento do mercado de ações tenha sido positivo em termos gerais, houve estratégias que conseguiram liderar facilmente os rankings de rentabilidade. Por exemplo, segundo dados da Morningstar, as categorias de fundos mais rentáveis foram as ligadas ao setor energético e também às ações do Vietname com ganhos nos primeiros seis meses do ano superiores a 30%.

De facto, é precisamente nestas categorias onde se enquadram os fundos mais rentáveis do ano (incluem-se só os comercializados por empresas estrangeiras na Península Ibérica). Os três fundos que conquistaram o pódio conseguiram rentabilidades superiores a 45% em apenas seis meses.

Categorias mais rentáveis no primeiro semestreRentabilidade em 2021 (em %)
Matérias-primas – Setor Energético55,44
Ações Vietname43,71
Ações Setor Energético34,29
Ações Setor Capital de Risco28,02
Imobiliário – Indireto América do Norte27,21
Categorias menos rentáveis no primeiro semestreRentabilidade em 2021 (em %)
Ações Turquia-16,71
Imobiliário – Direto Outros-8,46
Ações Longo Prazo EUR-7,34
Ações Indonésia-6,81
Ações Setor Ouro e Metais preciosos-3,32
Fonte: Morningstar. Dados de 2 de julho de 2021

O que esperar do segundo semestre?

Perante esta positiva fotografia que nos deixaram os mercados, sobretudo os de ações nesta primeira metade do ano, a grande pergunta agora na cabeça dos investidores é se este é um bom momento para realizar mais-valias e aumentar a liquidez nas carteiras. Ao fim e ao cabo, as perspetivas macro das gestoras internacionais coincidem ao assinalar que há muitos riscos a ter em conta no segundo semestre do ano e que com certeza vão gerar volatilidade.

Não obstante, estes riscos não parecem ser suficientes para mudar a visão positiva que ainda se tem quanto às ações a curto prazo. Por exemplo, vemo-lo no inquérito a gestores da BoFa Securities. A exposição líquida a ações globais voltou a máximos históricos. Pelo contrário, a alocação a obrigações globais está em mínimos de três anos.