Gaurav Chatley (M&G): “O que mais me chama a atenção é o nível de spread do crédito”

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Gaurav Chatley. Créditos: Cedida (M&G)

O M&G European Credit Investment é um fundo com Rating FundsPeople 2023 que segue uma abordagem bottom-up baseada na análise de valorizações para a seleção de títulos, com capacidade para investir em todo o universo de obrigações corporativas europeias investment grade. “A pergunta que nos colocamos constantemente é: somos adequadamente remunerados pelo risco que aceitamos? Se sim, investimos, se não, permanecemos à margem e esperamos outra oportunidade”, revela Gaurav Chatley.

Tal como o gestor desta estratégia explica, os fundamentais de crédito mudam muito mais devagar do que as cotações dos ativos. “Embora os mercados possam descontar projeções de debilidade, certas áreas permanecem relativamente sólidas do ponto de vista fundamental e podemos ser remunerados por assumir risco adicional. Fazemo-lo de forma gradual, para comprar verdadeiras joias quando os spreads mostram volatilidade e o pânico domina os mercados”. A sua equipa de análise de crédito é um fator essencial.

“Contamos com uma das maiores da sua classe na Europa. Isto faz com que não tenhamos que nos limitar a um universo de investimento estreito, com acesso a um conjunto de oportunidades mais amplo. Como investidores bottom-up, durante fases de tensão nos mercados podemos acrescentar risco quando todos estão a vender e, do mesmo modo, esperar quando todos estão a comprar e as valorizações se tornam excessivas. O nosso objetivo é conseguirmos responder com rapidez a alterações nas condições de mercado, dispondo de imediato da informação fundamental necessária”, destaca.

Visão de mercado

No primeiro trimestre do ano, os mercados de crédito registaram uma forte recuperação, mas o que continua a chamar a atenção de Gaurav Chatley é o nível de spread. “Se compararmos o quartil superior e inferior dos spreads de crédito, vemos uma diferença semelhante à de março de 2020. E é aqui onde encontramos as melhores oportunidades de investimento. A seleção é, como sempre, essencial”.

Atualmente, um dos setores onde encontram as melhores oportunidades é o de utilities. “Ficou bastante atrasado no ano passado e isto permitiu-nos comprar a bons preços. Também o setor imobiliário, que apresenta oportunidades muito interessantes e ao qual temos vindo a aumentar a nossa exposição”.

Posicionamento atual e últimas alterações na carteira

O gestor continua focado em identificar oportunidades atrativas onde os fundamentais e os preços estão desalinhados, ao mesmo tempo que reduz exposição às emissões que tiveram um bom desempenho e estão próximas do seu fair value. “Nos últimos meses, temos reduzido o risco e aumentado a exposição a ativos defensivos e de maior qualidade. Entre as compras no mercado primário, incluímos emissões sénior do setor industrial como a East Japan Railway, o Sage Group, a Siemens ou a Tesco, por exemplo”.

No mercado secundário, aumentaram a exposição a empresas que lhes continuam a parecer atrativas no setor imobiliário, como a Aroundtown e a Balder. Também incluíram obrigações sustentáveis do setor energético, como os emitidos pela ENEL. Entre as vendas do trimestre estão algumas obrigações híbridas industriais da BP, ENI, Total Energies e Veolia. Desfizeram-se também de diferentes obrigações financeiras T2, em muitos casos trocando-as pelos seus equivalentes mais sénior, incluindo nomes como BNP, Barclays, ou Commerzbank, entre outros.  

Quanto à duração, não tomam posições ativas de duração/curva de taxas (máximo +/- de um ano em relação ao índice). “A realidade é que é sempre muito equilibrado”, afirma.