Luís Lobo Jordão, CFA: “uma excelente solução para quem tem uma visão de longo prazo para o seu património”

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O fundo de pensões SGF Reforma Stoik comemorou recentemente cinco anos de track record e ocupa uma posição de destaque entre a oferta nacional de produtos de investimento para a reforma. Para assinalar a data conversámos com Rui Sousa, administrador da SGF e Luís Lobo Jordão, CFA, responsável pela estratégia do fundo, numa conversa em que se falou dos excelentes resultados do fundo e na sua resiliência face à crise pandémica, bem como sobre a importância de uma alternativa de segundo ou terceiro pilar na poupança para a reforma. 

Rui SousaSegundos os profissionais, o fundo surgiu em 2015 para “completar uma gama de fundos de pensões abertos da SGF para as empresas, procurando ser um complemento ao sistema de segurança social que, previsivelmente, será insuficiente no futuro”. “Temos um problema demográfico complicado e a segurança social, o primeiro pilar dos rendimentos na reforma, tem sido fortemente afetada. A idade de reforma legal é cada vez maior e, em sentido inverso, a taxa de substituição do último salário pela pensão é cada vez menor”, explica o consultor do FPA SGF Reforma Stoik. 

Face a estes desafios, para Luís Jordão (na foto, em baixo, à esquerda), “o fundo constitui-se como uma solução de segundo pilar com contribuições realizadas pela empresa e pelos colaboradores de forma justa  – à semelhança do que já acontece nalguns países, como a Suíça, por exemplo”. Para Rui Sousa (na foto, acima, à direita), administrador da SGF7048c813fecf87b6, “este modelo de investimento na poupança financia uma reforma mais confortável”. Refere que veem o "FPA SGF Reforma Stoik como uma solução adequada para quem deseja poupar para a reforma, no ambiente em que nos encontramos."

O discurso de ambos aponta no mesmo sentido, o da necessidade dos empregadores e colaboradores incorporarem na sua relação laboral cada vez mais este tipo de fundos, com benefícios para ambos. Para além disso, acrescenta Rui Sousa, “mesmo acumulando um património até aos 66 anos, há que continuar a sua gestão de modo a retirar mensalmente uma pensão sem que o património se esgote no longo prazo, permitindo assim um período final da vida com qualidade. Temos investidores que, ao começar a poupar e investir com cerca de 20 anos, terão mais de 40 anos de horizonte de investimento e que não encontravam em Portugal soluções de qualidade para esses horizontes temporais”. Como indica Rui Sousa, “também temos investidores que até podem ter idades mais avançadas, mas que não têm necessidade de consumir valores substanciais do seu património e portanto podem investir como se tivessem horizontes temporais quase perpétuos. Podem investir quase como uma fundação, protegendo o capital para uma eventual sucessão familiar”. Desta forma, e dada a falta de alternativas de investimento a longo prazo, “não existem muitas opções com maior proporção de ativos de crescimento como são as ações”, complementa Luís Lobo Jordão acrescentando que “este fundo é uma excelente solução para quem tem, acima de tudo, uma visão de longo prazo para o seu património.” 

As ações como componente central da carteira

Como argumentado pelos dois homens responsáveis pelo fundo, o portefólio atual do FPA SGF Reforma Stoik reflete um posicionamento para o longo prazo, com uma base de 75% de alocação a ações e a restante componente alocada a obrigações, imobiliário e matérias-primas. “Utilizamos uma filosofia sistemática que consiste na seleção de um grupo pequeno, mas diversificado de empresas líderes no seu setor, de 20 a 30, mais precisamente. São organizações sólidas, com inúmeras vantagens competitivas e duradouras com indicadores financeiros de grande qualidade”, detalha Luís Lobo Jordão.  

Quando questionado quanto ao risco que advém de um forte peso acionista no portefólio, o consultor afirma “que a força da estratégia reside na diversificação e qualidade das empresas, com vista a mitigar o risco acionista”. “Cada vez mais temos necessidade de assumir algum risco de investimento em ações, fruto da evolução das taxas de juro. Um produto cujo resgate apenas poderá ocorrer na reforma será o produto ideal para assumir esse risco”, remata o gestor do fundo. 

Para Luís Jordão, o processo de seleção de títulos é onde, tipicamente, acrescentam mais valor. “A sistematização das abordagens e os ensinamentos dos grandes investidores têm norteado o processo de seleção dos títulos da filosofia Stoik. Falamos de personalidades como Warren Buffett, Charlie Munger, Philip Fisher e Peter Lynch, sem esquecer, claro, Benjamin Graham”. Como tal, não tentam fazer market timing ou grandes ajustes de alocação, mas sim “entregar aos investidores os resultados previsíveis de uma estratégia de longo-prazo, com forte aposta em empresas líderes de mercado.” 

Efeito da pandemia na composição do fundo 

Face às significativas valorizações manifestadas no período pré-pandemia, o fundo sofreu algumas alterações, tanto na composição das empresas que constituem o portefólio como no peso das alocações. “Em termos de empresas, trocámos a Exxon – muito exposta ao preço do petróleo – pela Amazon – uma empresa que faltava no portefólio de empresas líderes mundiais. Adicionámos também a Roche, na expetativa de beneficiar de um claro crescimento do peso do setor, nesta altura”. No final de março, início de abril, o fundo reforçou ainda a sua alocação a ações para se situar nos 75%, uma vez que, de acordo com o consultor FPA SGF Reforma Stoik, estava “um pouco abaixo da central dadas as valorizações do ano anterior” e aproveitaram a queda abrupta decorrente do confinamento devido ao Covid-19 para reforçar.