Mais de dois terços das aplicações em produtos financeiros em Portugal em soluções muito conservadoras

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O valor das aplicações em produtos financeiros, como divulgados pela CMVM no recentemente publicado Risk Outlook 2021, mostra claramente aquela que é uma característica marcada do investidor português, o conservadorismo. Dos cerca de 350 mil milhões de euros em produtos financeiros, quase 240 mil milhões estão alocados a depósitos ou certificados de Aforro e do Tesouro.

São dois terços do total aplicados nos segmentos mais conservadores, por natureza, muito embora, nos restantes segmentos se verifique também uma elevada componente conservadora, sejam nos quase 20 mil milhões de euros em seguros PPR, por exemplo, na parcela dos ativos em fundos mobiliários nacionais em soluções de investimento de curto prazo ou mesmo no perfil de captações que se verificou em 2020. 

São vários os movimentos que mostram um exacerbar do perfil conservador das aplicações em 2020. Nesse sentido a CMVM dá conta de:

Depósitos: “No contexto da incerteza vivida em 2020, as aplicações em produtos bancários (depósitos à ordem e a prazo) de particulares e sociedades não financeiras continuaram a aumentar nos primeiros nove meses do ano, possivelmente em resultado de uma maior preferência por liquidez e por produtos mais seguros (dadas as garantias do Fundo de Garantia dos Depósitos), ainda que com rentabilidades muitos reduzidas dado o contexto de muito baixas taxas de juro (nalguns casos mesmo negativas) e de comissões bancárias a aumentar”.

Certificados: “O reforço dos saldos de produtos bancários foi acompanhado de um ligeiro acréscimo dos montantes vivos de certificados (do Tesouro e de aforro), igualmente considerados produtos de baixo risco.”

Produtos de seguros “Pelo contrário, os produtos de seguros (i.e., fundos de pensões de adesão coletiva e individual, unit linked e operações de capitalização), conheceram uma diminuição das respetivas aplicações, também em resultado da diminuição da atividade económica e dos rendimentos.”

Fundos e gestão discricionária: “Ocorreram diminuições nos valores aplicados (saldos) em produtos do setor dos valores mobiliários (gestão individual de carteiras, fundos de investimento imobiliário e OICVM estrangeiros comercializados em Portugal). A diminuição foi mais acentuada na gestão individual de carteiras, principalmente em resultado da ‘deslocalização’ de carteiras de investidores institucionais. A forte diminuição das cotações acionistas no final do primeiro trimestre contribuiu para a queda dos valores sob gestão no final de março de 2020, mas a posterior recuperação dos preços e subscrições líquidas positivas permitiram que, no final de setembro, os montantes sob gestão de fundos de investimento mobiliário (OICVM e fundos de investimento mobiliário alternativo) sejam superiores aos verificados no final do ano transato.”