Nuno Pereira (Sixty Degrees): “Esperamos que as valências de um portefólio flexível fiquem bem patentes durante 2022”

Sixty Degrees, Nuno Pereira (Sixty Degrees): “Esperamos que as valências de um portefólio flexível fiquem bem patentes durante 2022”
Nuno Pereira. Créditos: Vitor Duarte

Quase a celebrar o seu terceiro aniversário, o Sixty Degrees PPR/OICVM Flexível enfrentou já uma diversidade de cenários de mercado que testaram os métodos e convicções da equipa de gestão. No seu arranque, em 2019, Virgílio Garcia, CFA contava à FundsPeople o objetivo interno da entidade gestora de obter uma rentabilidade líquida anual melhor Euribor +2% numa abordagem agnóstica a benchmarks. Em 2021, o fundo viu não só o seu objetivo de rentabilidade anual atingido, como ultrapassado, o que associado a uma reduzida volatilidade o posicionou como o fundo com melhor retorno por unidade de risco no ano. As convicções e opções de gestão da equipa de quatro gestores são espelhadas na carteira. 

Já sobre os drivers de performance em 2021, Nuno Pereira, CFA explicava que “as decisões com contributos mais relevantes para o fundo foram, como seria de esperar, as de alocação entre ativos”. Segundo o CIO da Sixty Degrees, os contributos com maior impacto para a performance do portefólio foram, essencialmente, dois: “A exposição ao dólar norte americano, que foi aumentando ao longo do ano e atingiu um pico de 80%”, e a “decisão de investir em matérias-primas, apesar da contribuição negativa da prata”. A exposição a ações, por seu lado, “apesar de correta, acabou por ser em média muito abaixo daquilo que seria desejável”, comenta o profissional.

A história de 2021

A gestão do PPR flexível da Sixty Degrees revelou-se muito dinâmica ao longo do ano. Nuno Pereira destaca, especialmente, os três vetores de risco onde melhor se viu refletido esse dinamismo: ações, dólar americano e matérias-primas. “O peso em ações começou o ano nos 60%, mas foi diminuindo até 24% em março, após um trimestre mais fraco das ações tecnológicas e emergentes. A exposição inicial só voltou a ser quase reposta na totalidade durante o mês de novembro, na medida em que as empresas mostraram que, apesar das leituras crescentes da inflação e das dificuldades com a cadeia de logística, estavam a ter uma boa performance financeira”, diz. 

A exposição ao dólar americano, por seu lado, subiu bastante no terceiro trimestre chegando a atingir os 80%. “No último trimestre e com a forte valorização face ao euro desde janeiro, a Fed acabou por reconhecer que necessitava de aplicar medidas como a redução do programa de compras e subidas de taxas de juro, pelo que considerámos que fazia sentido reduzir taticamente a exposição para cerca de 20%”. 

Por fim, na terceira vertente de dinamismo, a exposição a matérias-primas viu o seu peso aumentar no portefólio de forma constante ao longo do ano, tendo terminado com um peso de 12,7%. Aqui, o CIO destaca a exposição a matérias-primas agrícolas e metais preciosos.

As perspetivas

O fundo começou 2022 com uma exposição de cerca de 35% a ações, maioritariamente americanas, 20% ao dólar e 13% a matérias-primas. Segundo Nuno Pereira, este posicionamento reflete uma “alocação moderada a risco em virtude da nossa expetativa de aumento da volatilidade dos ativos de risco, em especial as ações, devido à retirada de estímulos no mercado financeiro por parte dos Bancos Centrais”. 

Mas tal como em 2021, a equipa da Sixty Degrees espera continuar a usufruir da flexibilidade que configura a filosofia de gestão do seu fundo PPR flexível. “Graças às previsíveis oscilações no preço dos ativos e à convergência dos múltiplos de mercado para padrões historicamente mais razoáveis, esperamos que as valências de um portefólio flexível fiquem bem patentes durante 2022”, atesta.