O capitalismo darwiniano do Brown Advisory U.S. Equity Growth

Evoucao evoluir darwin

Kenneth Stuzin, CFA é o portfolio manager do Brown Advisory U.S. Equity Growth Fund um dos poucos fundos com Selo FundsPeople 2021 em Portugal, pela tripla classificação de favorito dos Analistas, Blockbuster e Consistente. É também o único fundo de ações norte-americanas a agregar os três pilares que compõem o selo em 2021. Como máximo responsável por esta estratégia de investimento da entidade gestora norte-americana, representada em Portugal pela MCH Investment Strategies, Ken Stuzin define-se a si próprio como o “Cético Mor” ou o “Dr. No” pela forma como a sua liderança encaixa no processo de gestão do fundo.

“A nossa empresa e o seu processo são dirigidos pelo research. Em muitas empresas o portfolio manager é o ‘all powerfull, all seeing OZ’ e os seus analistas estão lá apenas para passar a ideia de que têm acesso a todos aqueles recursos. Nestas situações, o PM traz todos os seus vieses para o processo e os analistas não se sentem uma parte importante do mesmo. No nosso caso, não existiria empresa, nem fundo, se não fossem os analistas. O meu trabalho é alocar capital às melhores ideias”, comenta o gestor à FundsPeople.

“Uma das coisas que digo frequentemente aos investidores é que, na minha mente, considero-me essencialmente como um investidor de capital de risco, mas que opera nos mercados públicos”

Neste trabalho de alocação – e daí as suas autoproclamadas alcunhas – Jen Stuzin está permanentemente a questionar as ideias, pedir explicações e desafiar o research num processo que não se converte em investimento se não se obtiver a resposta a uma simples pergunta: Para esta ação entrar no portefólio, qual é que vai sair? “Chamamos a isto de capitalismo Darwiniano”, explica. “É um dos detalhes do processo de que mais gosto, que cria alguma tensão e debate na seleção de títulos”, acrescenta. Isto porque a sua abordagem ao mercado traduz-se num portefólio de apenas 30 a 35 nomes e um turnover muito reduzido, com alguns nomes a fazerem parte da carteira há mais de 10 anos.

A filosofia de investimento

“Uma das coisas que digo frequentemente aos investidores é que, na minha mente, considero-me essencialmente como um investidor de capital de risco, mas que opera nos mercados públicos. Não digo isto no sentido de que os meus retornos são na escala das 200 vezes, mas sim que somos muito focados no modelo de negócio subjacente e na forma como as empresas conseguem navegar a dinâmica competitiva do mercado em que se inserem”, explica. Para o profissional da Brown Advisory a taxa de crescimento dos resultados é um fator central e que define uma ação growth. Investe em empresas que apresentem um modelo de negócio que consegue suportar um crescimento de 14% ou mais dos EPS num ciclo completo de mercado, “o dobro do mercado em geral, quando medido pelo S&P 500”, diz.

Já sobre a concentração da carteira, o gestor disputa a ideia que representa um maior risco. “Acreditamos que estamos focados em modelos de negócio fantásticos e, a um segundo nível –  algumas pessoas diriam que isto é estranho para um investidor growth – estamos muito conscientes e preocupados com as valutions. Tendemos a ser muito anti-momentum nas características do nosso portefólio”. Adicionalmente, para o gestor, mais importante que diversificar em muitas empresas é que aquelas que constituem o portefólio apresentem um fosso competitivo (moat) muito amplo.

Euforia do mercado?

Consciente das valuations, o gestor vê no atual contexto de mercado semelhanças com o contexto do final do século passado, principalmente no que diz respeito à euforia. “Os investidores não estão a fazer o seu trabalho de análise. A Tesla, por exemplo, é uma excelente empresa e assenta nos ombros de uma das pessoas mais brilhantes dos dias de hoje. Contudo, a cotação dos últimos tempos está a descontar uma história impressionante. Todos os veículos elétricos teriam que ser produzidos pela Tesla nos próximos cinco anos. Além disso, não teriam que dominar apenas o espaço EV, mas também o espaço das baterias. Temos que evocar todos estes temas para justificar as valuations. Isto tresanda a euforia e a investimento momentum. A Tesla não vai valer zero, mas há que perceber que existem muitos headwinds competitivos no segmento em que opera”, esclarece.

“No entanto, uma das coisas que vejo diferente relativamente à conjuntura dos anos 90 é que as empresas e ações que dizemos hoje que estão ridiculamente caras, em termos gerais, têm modelos de negócio e mercados alvo bastante bem definidos e interessantes. Nos anos 90 toda e qualquer empresa que dissesse que era B2C ou B2B – o que só por si não significa nada – subia em bolsa. A qualidade dos nomes hoje em dia é infinitamente mais elevada”, exclama.

Exemplo prático

Se a Tesla será um bom exemplo de uma empresa growth que não encaixa na carteira do fundo de Ken Stuzin, a Dexcom – uma mid-cap líder em soluções de medição automática do açúcar no sangue para diabéticos – é, segundo o gestor, um bom exemplo dos títulos que ultrapassam o seu processo diligente.

“A empresa produz um pequeno mecanismo que permite, em tempo real, controlar o nível de açúcar no sangue. Quando comprámos a empresa tínhamos passado muito tempo a compreender a tecnologia num mercado dominado por grandes conglomerados como a Medtronic ou Abbot”, comenta. Mas ao contrário de um conglomerado que joga em várias frentes, o gestor considera muito importante o foco da administração. Se por um lado, a empresa apenas produz estes equipamentos, por outro, o contexto concorrencial tornava o sucesso ou insucesso algo com importantes consequências para os fundadores da empresa.

O gestor ilustra com um pedaço de história. “Quando Cortés chegou ao novo mundo, a primeira coisa que fez foi queimar os barcos em que tinha sido feita a viagem. Fez isso para passar a mensagem de que ou sobreviviam, ou morriam. Não havia retorno possível. Este foco é muito importante em empresas mais pequenas”. A tecnologia superior da Dexcom permitiu que a empresa agarrasse mais e mais quota de mercado e isso refletiu-se no valor da ação. “São vários os fatores favoráveis. Empresa pequena, ou seja, com maior potencial  – lei dos grandes números -, desprezada porque era mal compreendida e muito pouco coberta pelos analistas do sell-side. Conceptualmente adoro este tipo de histórias. Dá-nos a nós, como analistas em profundidade, uma vantagem competitiva”, conclui.