O que a bitcoin está a fazer na crise de mercado causada pela Evergrande

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Créditos: Aleksi Räisä (Unsplash)

A possível falência do promotor imobiliário chinês Evergrande tornou-se a última razão que os mercados financeiros encontraram para fazer uma correção. O receio (até agora injustificado) de que a Evergrande se torne um novo Lehman Brothers levou os principais índices dos mercados desenvolvidos a perder nos últimos cinco dias 2% do seu valor.

Os investidores têm procurado refúgio em obrigações soberanas de países desenvolvidos, como o bund alemão ou a T-note dos EUA, que voltaram a agir como elementos descorrelacionadores da carteira. Mas há outros ativos que historicamente tinham essa falta de correlação com as ações que desta vez falharam. Dois exemplos são ouro e, sim, também a bitcoin.

De facto, o metal precioso recuou 2,2% nos últimos cinco dias, mas mais abrupta tem sido a queda da bitcoin: perdeu 7% do seu valor, quatro vezes mais do que as ações.  Isto foi influenciado pela elevada volatilidade registada por este tipo de ativo em comparação com os tradicionais que causam uma maior oscilação no seu preço. "A bitcoin tem um elevado rácio de rentabilidade/risco, o que significa que pode ser comparado com outros ativos, mas tem uma alta volatilidade que nem todos os investidores serão capazes de suportar", referem Xi Chen, gestor de fundos multiativos, e Ben Popatlal, estratega de multiativos da Schroders.

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Fonte: Schroders, Bloomberg, janeiro 2021

A sua vantagem de diversificação cai

Além disso, na gestora avisam que esta elevada volatilidade já não justifica o caráter diversificador que a bitcoin tem oferecido no passado. "Acreditamos que as propriedades diversificadoras da bitcoin são exageradas. Uma combinação de fluxos de rentabilidade estatisticamente não correlacionados não constitui uma carteira diversificada", sublinha.

Esta ausência de descorrelação está a ser observada nesta última crise e também tem sido vista em muitas outras no passado mais recente.  "A sua correlação com outras classes de ativos está a crescer à medida que mais investidores acedem através de novas plataformas e produtos tecnológicos. A correlação com as ações é especialmente elevada durante os grandes movimentos de mercado, tanto ascendentes como descendentes", afirmam na Aberdeen Standard Investments.

E o Bank of America colocou isto em números num relatório intitulado Bitcoin’s dirty little secrets, publicado há alguns meses. Nele, sublinham que a criptomoeda se correlaciona mais positivamente com ativos de risco, tais como ações e matérias-primas, enquanto mostram uma correlação neutra com outros ativos refúgio, como o dólar ou as obrigações do Tesouro dos EUA.  

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E também duvida que haja uma forma de diversificar corretamente no próprio mercado de criptomoedas.  "Também notamos que as correlações da bitcoin com outros criptoativos permanecem relativamente elevadas, tal como há anos", afirma. E continua: "Sugere mais uma vez que possuir um cabaz diversificado de criptoativos numa carteira pode ter benefícios limitados."