...acaba ainda pior? A história demonstra que os anos que começam mal têm mais dificuldade em recuperar. Contudo, a história também demonstra que tentar perseguir o mercado é uma estratégia de investimento nefasta.
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As ações têm tido um dos piores começos do ano desde a crise financeira de 2008, com perdas em 2016 de cerca de 6% para o EuroStoxx 50, de 5% para o S&P 500, de 7% para o DAX de Frankfurt, de 6,6% para o Ibex 35, e de aproximadamente 20% para o mercado de ações A da China. A história demonstra que, em média, os anos que começam mal têm dificuldade em recuperar. No entanto, um janeiro bom pode ajudar o mercado a continuar a subir durante o ano. Esta tendência é preocupantemente consistente, cumprindo-se em 78 dos últimos 86 anos. Mas, apesar deste mau começo, o ano acaba de começar e ainda resta algum tempo até ao final do mês para que consigamos ver uma recuperação durante janeiro, assinalam da J.P Morgan AM (ver gráfico1).
A história também demonstra que em períodos de forte agitação das bolsas os investidores tendem a sair das ações. O último exemplo disso aconteceu no passado mês de agosto, quando o estalar da crise na china resultou em resgates em produtos que investem nesta classe de ativos. Esta é uma estratégia correcta? Segundo a Fidelity, a resposta é não. “Uma das consequências mais graves de seguir a “manada” é que os investidores acabam por comprar quando os preços estão altos e vender quando os preços estão baratos. Para além disso, evitamos as perdas, já que sentimos a dor de uma perda aproximadamente no dobro de um ganho”, dizem da entidade. Alguns investidores com mais êxito ilustram esta situação ao referirem que investir em bolsa assemelha-se a uma empresa complexa, embora lucrativa, que requer sólidas habilidades de análise, uma mentalidade racional e cerebral, um horizonte a longo prazo e paciência.
Sir John Templeton, fundador da Templeton e uma das grandes referências no mundo do investimento, costumava referir que “a primeira regra do investimento é comprar barato e vender caro, mas muitas pessoas têm medo de comprar barato porque temem que a bolsa perca ainda mais. Então, por isso, muitas podem questionar-se: quando é afinal o momento para comprar barato? A resposta é: quando o pessimismo estiver no seu ponto mais alto!”, afirmava. Peter Lynch, outro dos gurus mais respeitados da indústria, mostra-se convencido de que “a chave para ganhar dinheiro com as ações é não ter medo. Tem-se perdido mais dinheiro a tentar prever as correções e a proteger-se contra elas do que quando se sofre essas perdas efetivamente”. Esta última frase de Lynch é especialmente relevante tendo em conta os importantes estragos que uma política de investimento que consista em tentar evitar períodos de correções de preços pode ter sobre a rentabilidade total de um investimento.
As sessões com maior subida das bolsas costumam acontecer depois das fases de queda. Em muitas ocasiões estes choques bolsistas apanham despercebido o investidor que está fora do mercado. E perder os melhores dias do mercado pode ter um impacto muito significativo na rentabilidade total de um investimento (ver tabela 2).
01/01/1992 a 31/12/2015 |
Rentabilidade total de todo o período |
Rentabilidade total menos as cinco melhores sessões |
Rentabilidade total menos as 30 melhores sessões |
CAC 40 |
452% |
244% |
-15% |
DAX |
581% |
329% |
2% |
FTSE 100 |
486% |
294% |
28% |
Hang Seng |
1055% |
495% |
11% |
Nikkei 225 |
-17% |
-47% |
-87% |
S&P 500 |
697% |
429% |
64% |
Fonte: Datastream, janeiro de 2016. Todos os cálculos usam a rentabilidade total da divisa local, excepto o Nikkei 225, para o qual o cálculo se baseia no preço do índice.
A história demonstra que perseguir o mercado é uma estratégia de investimento nefasta. As experiências no âmbito das finanças comportamentais têm demonstrado que os investidores estão longe de ser racionais, na prática. Na realidade, quando estes enfrentam a complexidade e a incerteza, as provas demonstram sistematicamente que recorrem a regras gerais ou a atalhos para tomar decisões, muitas vezes erradas. A necessidade imperativa de fazer o que os demais estão a fazer é uma tendência especialmente forte no comportamento humano que tem contribuído para o desenvolvimento social, mas que nem sempre tem ajudado na hora de investir. Uma das consequências mais graves de seguir a “manada” é que os investidores acabam por comprar quando os preços estão altos, e vender quando os preços estão baratos. Na realidade, o melhor é fazer o contrário: comprar quando outros têm medo e os preços estão baixos, e vender quando os demais querem comprar e os preços estão altos. Os melhores investidores sabem-no, mas para muitos ir contra o "rebanho" custo muito, já que há que lutar contra as emoções.