Passando para o mercado obrigacionista, Filipe Silva considera que o principal motor para os títulos de rendimento fixo globais será “a normalização final das taxas de juro pelos bancos centrais e ver até onde conseguem ir sem reacender a inflação”. Em 2025, comenta o profissional, “mais de 40 bancos centrais cortaram taxas de juro, sendo que, do núcleo dos maiores, o Japão foi o único que esteve em contraciclo e subiu taxas; os outros nove desceram (Fed, BCE, BOE, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Suécia, Noruega e Suíça)”. Na sua opinião, o primeiro semestre de 2026 deverá então ser marcado por movimentos distintos: “Alguns bancos centrais deverão fazer novos cortes, enquanto outros já deverão ter chegado ao fim do ciclo, como parece ser o caso do BCE”. O profissional acrescenta ainda que o mercado está assente num “contexto de crescimento moderado” e “inflação ainda acima das metas em algumas economias”. Desta forma, Filipe Silva acredita que deveremos assistir a uma convergência da inflação para as metas objetivo de 2% (Fed e BCE), não prevendo um choque de volatilidade como o de 2022/2023, mas sim uma volatilidade de execução, “uma vez que o mercado estará sensível a dados de emprego, produtividade, choques políticos e dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal nos EUA e alguns países europeus, o que pode causar oscilações táticas na curva de rendimentos”, explica.
“A dívida soberana de alta qualidade (EUA, core Europa, alguns DM como Austrália ou Japão) continua a ser pilar defensivo das carteiras, mais para estabilizar e gerir duração”, afirma. O profissional acrescenta ainda que com o abrandamento do crescimento do PIB global, previsto em torno de 1,8% - 2,00%, “esta classe de ativos pode oferecer proteção real contra um abrandamento económico”. Por outro lado, a dívida investment grade oferece “um prémio versus o soberano, mas, com os spreads historicamente comprimidos, o foco deve estar na qualidade e na seletividade setorial, evitando assumir demasiado risco de duração”, afirma. A dívida de high yield tem tido, na sua opinião, “um bom desempenho nos últimos anos”: “A seleção neste setor deverá ainda ser maior, evitar os CCC e manter maturidades mais curtas. O risco de crédito e de liquidez estará sob maior escrutínio em 2026”, acrescenta. Além disso, Filipe Silva refere que a dívida de mercados emergentes, em especial em moeda local, entra em 2026 com “yields atrativas, melhoria de ratings e fundamentais mais robustos”, com a opção a recair sobre os países que beneficiam da reconfiguração das cadeias de valor e que têm políticas monetárias já estabilizadas.
Por fim, como revela o profissional, os investimentos no Banco Carregosa são guiados por uma “filosofia de gestão ativa e seletividade”, onde o prazo do investimento e o perfil de risco são ajustados à sua visão para as taxas de juro e critérios de sustentabilidade. “Para o investimento em prazos curtos”, revela Filipe Silva, “a nossa estratégia concentra-se em maximizar o rendimento sem uma exposição excessiva ao risco de duração”. Além disso, explica que investimentos em fundos de high yield global permitem ao gestor identificar oportunidades de crédito em empresas com balanços resilientes, assim como em geografias nicho, como os países nórdicos “Para os prazos intermédios, a nossa escolha recai sobre gestores ativos e unconstrained, pois acreditamos que ter flexibilidade para navegar entre diferentes geografias e setores sem as restrições de um benchmark são essenciais para um mundo onde as políticas monetárias podem divergir”, afirma. Também procuram valor relativo através de dívida subordinada, tanto financeira como não financeira. Estes instrumentos, explica, permitem-lhes obter um incremento de rendimento face à dívida sénior, sem necessariamente descer muito na escala de rating de crédito. “O setor financeiro encontra-se bem capitalizado, pelo que o risco de crédito da dívida subordinada parece-nos bem remunerado, servindo como um motor adicional de performance para a carteira global”, conclui.
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