Chart of the Week - Defensivos vs Nasdaq & Meta Platforms testa zona técnica chave

Eduardo Nunes BiG
Eduardo Nunes. Créditos: Vítor Duarte.

Chart of the Week é da autoria de Eduardo Nunes, multi-asset sales trader no BiG.

Ao longo dos últimos meses temos assistido a superiores níveis de volatilidade e aversão ao risco no mercado acionista global, principalmente motivados por contextos macroeconómico, geopolítico e humanitário particularmente desafiantes e adversos em múltiplas geografias.

Um dos temas predominantes ao longo dos últimos dois trimestres tem sido a agressiva postura por parte da Reserva Federal no que toca a normalização monetária, visando combater a inflação (que se encontra em máximos de 40 anos…) de forma rápida e eficiente. Neste âmbito, numerosos representantes da FED têm vindo a indiciar um caminho de incremento de taxas de juro de referência expressivamente severo e acelerado para os próximos meses, originando assim um incremento notório nas yields soberanas norte-americanas.

Tal hawkishness por parte da FED tem sido um importante catalisador negativo em particular para o segmento tecnológico ao longo dos últimos meses – de facto, desde o momento em que a FED passou a adotar um tom claramente mais agressivo em relação à normalização monetária (finais de novembro do passado ano, aproximadamente), o principal índice acionista norte-americano (Nasdaq 100) retraiu mais de 20% considerando as atuais cotações.


Em paralelo, face a um panorama fundamental adverso e considerando um crescendo de probabilidade de significativo abrandamento económico, destaca-se o desempenho favorável de segmentos acionistas defensivos ao longo das últimas semanas. Efetivamente, setores acionistas como saúde ou consumo de bens essenciais têm apresentado uma importante força relativa face ao resto do mercado, fazendo valer as suas características mais defensivas (maior visibilidade sobre receitas futuras, solidez de balanço, robustez dos modelos de negócio, por exemplo), num contexto incerto e de aversão ao risco.

O gráfico supra explicita o rácio entre o ETF de consumo de bens essenciais nos Estados Unidos (VDC US) e o principal índice tecnológico da região (Nasdaq 100) – uma retração do valor do rácio indicia maior força relativa de tecnológicas face a consumo de bens essenciais, enquanto que uma subida do valor do rácio indicia maior força relativa de consumo de bens essenciais face a tecnológicas. Como evidenciado, ao longo das últimas semanas temos assistido a um sólido desempenho do VDC US face ao âmbito tecnológico, explicitando maior procura por este segmento defensivo.

Caso assistamos a uma continuação de incremento de valor deste rácio, quebrando em alta a linha descendente a cor de laranja no gráfico, estaremos perante indícios de continuação do movimento de força relativa de segmentos defensivos face a segmentos de maior beta de mercado (tecnológico, neste caso em específico).

Em termos corporativos, esta semana chamou-me a atenção o gráfico de Meta Platforms (FB US).

Aliado ao adverso contexto macroeconómico descrito anteriormente, Meta Platforms desapontou aquando da divulgação de resultados corporativos no início de fevereiro, originando quebras massivas no valor da respetiva ação.

Após uma retração superior a 50% face aos máximos atingidos em setembro de 2021, o título revisitou de forma clara, esta semana, a linha de tendência ascendente multianual que vigora desde inícios de 2014, tendo permanecido acima da mesma (um indício técnico favorável).

No pós-mercado de dia 27 (quarta-feira), FB US divulgou resultados corporativos trimestrais, desta vez reveladores de uma elevada resiliência, superando as expectativas de mercado em múltiplas métricas, inclusive no que respeita à evolução de utilizadores diários (uma métrica de importância capital para a empresa). Assim, a reação de mercado vai para já sendo otimista e compradora após tais resultados.

Em suma, tecnicamente o título permaneceu acima da linha ascendente multianual que vigora há mais de 8 anos, após a mesma ter sido novamente testada esta semana, e do ponto de vista fundamental os números corporativos divulgados foram convincentes e robustos – um complemento de fatores potencialmente positivo e interessante para o desempenho futuro do título. Ainda assim, recorda-se que o panorama macroeconómico continuará a ser uma força importante na definição de sentimento de mercado para com este segmento acionista.