Paula Geada (Caixa Gestão de Ativos): “O nosso grande desafio é aumentar a quota dos fundos nos recursos da CGD”

Caixa gestão de ativos, Paula Geada (Caixa Gestão de Ativos): “O nosso grande desafio é aumentar a quota dos fundos nos recursos da CGD”
Paula Geada. Créditos: Vitor Duarte

“Este ano estamos a colher frutos do caminho que tem vindo a ser feito; um caminho realizado em conjunto com todos os colaboradores da gestão de ativos. Caminho que passa por termos equipas muito bem preparadas, focadas nas necessidades e objetivos dos clientes, sempre baseadas nos princípios da verdade e da transparência”, resume Paula Geada, presidente do conselho de administração da Caixa Gestão de Ativos, numa conversa com a FundsPeople sobre o passado e o futuro da entidade gestora. 

No balanço do ano passado, a administradora não tem hesitações ao afirmar que 2021 foi o “melhor ano em termos de crescimento de ativos sob gestão desde que a Caixa GA foi criada como sociedade gestora”. Destaca, em particular, os mais de dois mil milhões de euros somados nos fundos mobiliários que assenta em dois vetores de crescimento: fundos multiativos e o fundo Caixa Ações Líderes Globais. “Nós somos líderes de mercado e temos vindo, paulatinamente, a aumentar a quota de mercado, mas mais importante que ser líderes no mercado em geral, é ser líderes nos segmentos que mais valor criam para o cliente, pela sua eficiência e perfil de risco e retorno”. É por isso que os fundos multiativos têm sido o grande foco da entidade, segundo a administradora, foco esse que se traduziu, em julho de 2020, na conquista da liderança, também neste segmento. 

Já o maior fundo português de ações, o Caixa Ações Líderes Globais - com as classificações de Blockbuster e Consistente do Selo FundsPeople - vê no seu sucesso refletida outra das grandes apostas da casa gestora, a simplicidade. “É muito bem percecionado por quem vende e por quem compra”, comenta Paula Geada. Segundo a profissional, esta simplicidade é importante para que a rede comercializadora, desde os comerciais da Caixa GA até aos da Caixa Geral de Depósitos, entendam muito bem os produtos que estão a vender. “É por isso que o nosso foco será também na simplificação da oferta. Já realizámos algumas fusões e temos na calha liquidar alguns fundos. Para que a oferta seja mais simples, mais clean”, revela.

Potencial de crescimento

Paula Geada faz questão de realçar o “trabalho extraordinário” que considera que as equipas comerciais e as redes têm vindo a fazer, mas realça também o imenso potencial que o universo CGD encerra. “Há muitos clientes que não têm noção da abrangência da oferta da Caixa Gestão de Ativos e do potencial do investimento em fundos. O nosso grande desafio é aumentar a quota dos fundos nos recursos da CGD”, diz. É por isso que Paula Geada considera também que o grande foco estratégico da casa continuará orientado para o grupo ao qual a entidade pertence

Já no segmento institucional, apesar de a evolução recente ser marcada pela perda de um grande cliente, isso não se refletiu em qualquer “choque” na entidade e nas suas equipas. “Reorganizamos a nossa equipa para poder captar mais clientes institucionais e para focar mais nas necessidades destes clientes, mais especialistas e que necessitam de uma relação diferente da do investidor de retalho”, indica. 

Critérios ESG

Para Paula Geada a incorporação de critérios ESG nos processos da entidade gestora é “um caminho sem retorno”. “Sentimos que nós, na Caixa GA, temos uma exigência ainda maior pelo facto de nos inserirmos no grupo CGD, que tem pautado a sua atuação, nos últimos anos, por ser muito ativa em todas as vertentes do E, do S, e do G. Ao mesmo tempo, sentimos que temos da parte do  grupo CGD um aliado na construção  deste caminho”, introduz.

Para a administradora, o cliente, especialmente o mais jovem, tem mostrado sensibilidade a este tema, especialmente na componente ambiental. Contudo, é algo em que “se tem que criar a necessidade junto do cliente”. “Temos que conseguir mostrar que os nossos fundos também incorporam estas preocupações. E que dentro da nossa capacidade, intervimos junto das empresas em que investimos para que também elas façam este caminho. Só em conjunto conseguimos criar um ecossistema bom para todos”, exclama. 

Não é, no entanto, um caminho que se trilha sem desafios, como diz Paula Geada. Por um lado, “além de toda a análise que se fazia é mais um nível de avaliação que se tem que adicionar”, comenta. Por outro lado, vê especialmente no setor imobiliário uma classe de ativos em que a incorporação destes critérios se revela mais desafiante, mas que seguirá o mesmo caminho. “Queremos cumprir em todos as atividades do nosso negócio”, diz. Por último, a regulação apresenta-se como outro desafio. “Os temas são muito densos, colocando um grande desafio a todos os intervenientes no mercado e uma maior exigência aos reguladores, designadamente na forma  como devem transmitir as exigências de atuação junto dos gestores de ativos", diz. 

Finalmente, para a profissional, tudo “isto é muito exigente e requer grande formação”. É por isso que a formação tem sido uma peça chave da atividade da entidade gestora neste campo, começando pelos gestores de carteiras. Os profissionais da entidade gestora têm sido formados tanto com recurso à certificação EFFAS Certified ESG Analyst (CESGA), como ao Certificate in ESG Investing do CFA Institute. Mas o caminho não fica por aqui, e Paula Geada comunica que “está nos planos que tanto o compliance como os profissionais do risco o devem fazer” e que toda a estrutura está envolvida no tema, “para que todos percebam a importância de ter em consideração critérios ESG. 

Literacia e fiscalidade

Por fim, Paula Geada realça dois pontos importantes para o futuro da gestão de ativos nacional. Por um lado, a importância da literacia financeira. “Todos têm que gerir o seu dinheiro, e essa responsabilidade começa em idades bem jovens. Deveria haver um processo contínuo, da escola até à faculdade, de educação para a poupança”. 

Por outro lado, a profissional considera de extrema importância que exista um incentivo para que as pessoas invistam no longo prazo, designadamente incentivos fiscais. “Isso vê-se no sucesso que os PPR têm tido. Há que dar um benefício hoje para que as pessoas tenham também um benefício no longo prazo”. 

Neste contexto, para Paula Geada, cujo foco do momento está no novo produto de poupança europeu - o PEPP (Pan European Personal Pension Product) – está expectante por saber qual será a fiscalidade deste produto, Por fim, alerta para as desvantagens fiscais que ainda existem nos fundos de investimento face a outros produtos de poupança “os produtos deveriam ter uma fiscalidade semelhante”.