Portugal fica aquém da média europeia em perguntas de literacia financeira sobre temas como inflação ou juros compostos

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Cerca de 18% dos cidadãos da União Europeia mostram um elevado nível de literacia financeira, 64% um nível médio e os 18% restantes um nível baixo. É o que indica o mais recente estudo da Comissão Europeia, denominado Monitoring the level of financial literacy in the EU, cujos dados foram recolhidos entre março e abril deste ano. Contudo, um alerta: há diferenças significativas entre Estados-Membros. Em apenas quatro deles, mais de um quarto dos cidadãos consegue resultados elevados ao nível da literacia financeira - e nenhum deles é Portugal. Trata-se da Holanda, Suécia, Dinamarca e Eslovénia.

Conhecimento financeiro: Portugal mal posicionado

No conhecimento sobre literacia financeira, a verdade é que Portugal não fica bem na fotografia.

Fonte: Estudo Monitoring the level of financial literacy in the EU

Como ilustrado na imagem, Portugal fica em penúltimo lugar - só à frente da Roménia - no que se refere ao score mais elevado do conhecimento financeiro. Apenas 16% dos inquiridos portugueses que lhes viram feitas cinco perguntas sobre literacia financeira conseguiram responder acertadamente a quatro ou cinco dessas questões. 56% dos respondentes nacionais, por sua vez, conseguiram responder com sucesso a duas ou três questões. No score mais baixo, ou seja, o que considera zero ou uma questão correta, ficaram reunidos 28% dos inquiridos portugueses.

O teste executado compreendeu questões sobre a inflação ou juros compostos. Em termos globais, a maioria dos questionados europeus (65%) compreende o impacto da inflação e as suas potenciais consequências no poder de compra. Por outro lado, apenas 45% dos questionados diz entender como o juro composto funciona. Relativamente à compreensão dos riscos de investimento, 66% dos respondentes "associa corretamente elevados retornos com grandes riscos", enquanto "56% identifica corretamente que investir num conjunto diversificado de empresas é provável que seja menos arriscado do que investir apenas numa empresa".

Confiança no aconselhamento financeiro

No mesmo estudo também se aferiu sobre o grau de confiança dos inquiridos no aconselhamento financeiro que recebem do seu banco, seguradora ou assessor financeiro, nomeadamente se estes agem no melhor dos interesses do seu cliente.

As conclusões mostram que apenas um em cada três europeus "confiam nos conselhos de investimento que recebem", enquanto apenas 38% dos respondentes estão confiantes de que "o aconselhamento de investimento que recebem do seu banco, seguradora ou financial advisor age no melhor dos seus interesses".

Portugal, como visível baixo, não é dos menos confiantes relativamente a este tópico. 6% dos questionados portugueses dizem-se muito confiantes sobre os conselhos que recebem, 40% um tanto confiantes, e 22% dizem não estar muito confiantes.

Fonte: Estudo Monitoring the level of financial literacy in the EU

Por fim, destaque para o tema da reforma. O estudo questiona quão confiantes estão os inquiridos sobre se terão dinheiro suficiente para viver confortavelmente durante os seus anos de reforma. Em linha com a média europeia, 36% dos questionados nacionais responderam que não estão muito confiantes sobre terem dinheiro suficiente para esse período da sua vida. 23% diz mesmo que não estão de todo confiantes sobre essa possibilidade.

Fonte: Estudo Monitoring the level of financial literacy in the EU