Que fundos conseguiram rentabilidades acima de 100% em plena pandemia

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Corria o dia 31 de dezembro de 2019 quando a OMS comunicava os primeiros casos de coronavírus na província de Wuhan. Poucos poderiam imaginar naquela altura que esse desconhecido COVID-19 acabaria por se tornar numa pandemia e pôr de pernas para o ar a sociedade e com isso toda a economia.

Os efeitos que o coronavírus gerou, e que continua a gerar, foram terríveis. Morreram por COVID-19 mais de 1,5 milhões de pessoas em todo o mundo, cerca de 80 milhões foram infetadas e, em termos económicos, o FMI calcula que a pandemia representará uma queda do PIB mundial de 4,5%.

Os mercados de valores refletiram-no nos seus preços, mas não só negociaram as más notícias. Também as boas. De facto, as fortes quedas vistas até abril aconteceram e foram logo seguidas de grandes subidas provocando o que se apelidou de nova descorrelação entre Main Street e Wall Street. E essa desconexão para alguns (antecipação para outros) manteve-se o resto do ano. Por isso, o annus horribilis que foi 2020 para quase tudo em geral, não encontrou a sua réplica no mercado de valores. Como se vê no gráfico abaixo publicado pela gestora Candriam, a grande maioria dos fundos fecharam 2020 com ganhos e em alguns até superaram os 100%.

Fonte: Candriam

Em concreto, são quatro os fundos de gestoras internacionais e que são comercializados em Portugal que superaram a marca dos 100% de rentabilidade num ano cunhado pela pandemia.

BNP Paribas Energy Transition

Este fundo da BNP Paribas AM investe em empresas a nível global que participam na transição para um sistema energético sustentável através dos seus produtos e serviços. Tem uma carteira concentrada em poucos valores já que apenas investe entre 30 e 50 empresas de setores como o de energias renováveis (ocupa 36,8% da carteira), tecnologia e eficiência energética (engloba 22,8%) e infraestrutura (35,4%).

De todos eles, o que mais contribuiu para essa rentabilidade de 100% em 2020 foi o da energia. “Este setor está em plena transformação, ao longo do ano foram anunciados investimentos milionários por parte de governos e empresas em soluções energéticas que nos permitam chegar à neutralidade de carbono no ano de 2055. Neste caminho pela neutralidade terá claros vencedores e, pelo contrário, as empresas que não consigam adaptar-se ficaram para trás”, afirmam na gestora.

Schroder GAIA II NGA Turnaround

O fundo alternativo Schroder GAIA II NGA Turnaround, gerido por George Putnam, proporciona o acesso a uma estratégia líquida long-short de investimento em dívida e equity ‘distressed’. Este produto da Schroders investe em empresas de todo o mundo procurando sempre ter uma carteira diversificada, por emissor e setor de atividade, por nível de estrutura de capital e por nível de reestruturação das empresas onde investem.

Segundo o gestor, as distressed securities podem ser uma adição valiosa numa carteira de investimentos por duas razões. Primeiro, pelo conhecimento especializado necessário. O setor representa um nicho relativamente ineficiente e essa ineficiência pode levar a retornos atipicamente altos. Em segundo lugar, porque o retorno em títulos individuais distressed são em última análise, determinado mais pelo resultado da reestruturação da empresa em particular do que por movimentos de mercado, pelo que tendem a ter um baixo correlação com outras classes de ativos.

BGF Next Generation Technology Fund

A tecnologia foi um dos setores que mais partido tirou da digitalização da economia impulsionada pelo coronavírus em tempos de pandemia e sobretudo durante o confinamento. Este fundo foi um dos que mais beneficiou desta disrupção. “O fundo estava bem posicionado desde o início do ano em muitas das tendências estruturais que aceleraram com a pandemia, e soube gerir as consequências das medidas de distanciamento social e restrições em todo o mundo”, afirma Andre Themudo, responsável de Negócio e Desenvolvimento da BlackRock para Portugal, Espanha e Andorra.

Entre esses temas de investimento destaca a computação em nuvem, o comércio eletrónico, a assistência médica telemática e as aplicações de trabalho à distância. No ADN deste fundo está o investimento em potenciais líderes de mercado do futuro e entre esses líderes os que se dedicam a um negócio tecnológico são a maioria.

Morgan Stanley Investment Funds US Insight Fund

O fundo da Morgan Stanley IM caracteriza-se por ter uma das grandes vencedoras de 2020 como primeira posição na carteira: a Zoom. Isto explica em grande parte a boa rentabilidade conseguida em 2020.

Não é a única posição em tecnologia do fundo, já que este setor ocupa 37% da carteira. Ao fim e ao cabo, o objetivo deste produto é investir principalmente em ações de empresas estabelecidas e emergentes nos EUA e com capitalizações pequenas.

Metodologia: Para estabelecer um critério o mais homogéneo possível para permitir um certo grau de comparabilidade nas rentabilidades, foram selecionados os fundos estrangeiros (não domiciliados em Portugal) privilegiando as classes denominadas em euros e com maior antiguidade. O ranking está ordenado pela rentabilidade em euros, sendo que assim refletimos uma experiência próxima à vivida pelo investidor europeu.