“Somos mais caros, porque historicamente fomos melhores” – Os novos fundos Biz Capital

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Com mais de 20 anos de história no mercado português, o Grupo Biz terminou recentemente o processo de unificação de todos os segmentos de negócio sob um único nome: BIZ Capital. Com todas as atividades de gestão de ativos do grupo sob o mesmo chapéu, aumenta-se assim a eficiência, sinergias e economias de escala que resultam da conjugação da atividade de capital de risco, gestão de patrimónios e gestão de fundos mobiliários numa mesma estrutura.  “A nossa abordagem ao mercado é sempre uma abordagem private. Uma estratégia focada em clientes de altos rendimentos, baseada no desenvolvimento de um relacionamento próximo e pessoal de longa duração. Não vendemos o produto A ou B, mas sim o aconselhamento de estruturação patrimonial”, esclarece Armando Nunes o CEO da BIZ Capital. E é desta forma que os restantes segmentos de negócio da entidade gestora se complementam com a gestão de fundos mobiliários, nomeadamente, o capital de risco e private equity, com uma especialização em projetos de energias renováveis e que estão em processo de expandir para o Luxemburgo, onde a BIZ Capital está já autorizada a atuar. Já na área imobiliária, trabalham com entidades externas, mas não descartam, eventualmente, vir a constituir valências nesta classe de ativos. 

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“Abdicámos da gestão tradicional há anos”

Mas a grande novidade, os fundos mobiliários. Com licença desde o ano passado, a entidade tem autorizados três fundos. O CEO do grupo tinha já anunciado a intenção de veicular em fundos de investimento mobiliário as estratégias com um “twist de inteligência artificial” que pautavam a gestão de patrimónios da Biz. E assim nascem o BIZ Europa Bull e Biz Europa Bear. O primeiro, um fundo de ações e o segundo, de obrigações, ambos focados em ativos da Zona Euro. Será lançado também um fundo PPR neste princípio de ano que bebe em cada classe de ativos da mesma abordagem e estratégias dos dois fundos da casa. Os fundos vão agregar os montantes sob gestão da gestão de patrimónios da casa, que serão transferidos para estes novos veículos e que atingiam, a setembro de 2020, cerca de 45 milhões de euros

Filosofia

“Abdicámos da gestão tradicional há anos”, introduz o CEO. “Basicamente, foram descartados todos os modelos de análise fundamental de empresas e, literalmente, deitados ao lixo. As nossas equipas são agora recrutadas com base em perfis de matemática, engenharia física ou economia com grande especialização em análise quantitativa, pela simples razão de que apenas recorremos a algoritmos e inteligência artificial na identificação de oportunidades. A equipa é, hoje em dia, um executor e avaliador de último recurso do que é gerado em termos matemáticos”, comenta. E isto funciona tanto para a gestão de ações como de obrigações, segundo Armando Nunes, que acrescenta outra característica das suas estratégias, a flexibilidade. “Os nossos fundos de ações podem ter, a cada momento, 50%, 100% ou 120% de exposição, e isso não é compatível com as regras de um fundo harmonizado”. Isto faz com que tenham optado pela figura do Organismo de Investimento Alternativo ao invés de fundos harmonizados. 

Já o investimento em ativos não cotados foi uma das razões que os levou a seguir o mesmo caminho – de veículo alternativo – no fundo de obrigações. “Cada vez é mais difícil encontrar rentabilidade no mercado de obrigações. Ou se incorre em mais risco de crédito – e pode correr mal, eventualmente – ou se recorre a ativos não cotados que proporcionam acesso a um prémio de iliquidez”. O fundo pode, assim, ter até 20% dos ativos nestas soluções menos liquidas, muito embora a estratégia, no seu global, seja igualmente algorítmica. Armando Nunes destaca, no entanto, que a carteira do BIZ Europa Bear tem efetivamente um pouco mais de risco de crédito do que a concorrência, e isso introduz um pouco mais de volatilidade. No entanto, é perante a volatilidade que entram “em funcionamento os algoritmos que avisam atempadamente para sair do mercado antes que os movimentos aconteçam”. 

Abordagem quantitativa

O modelo de ações está já muito estabilizado e é muito raro pormos o modelo em causa. O de obrigações enfrenta um mercado um pouco mais difícil. Primeiro, não é um mercado puro, no sentido que hoje em dia tem sempre o Banco Central a contaminar a informação que está refletida nos preços. Outro problema é o facto de não ser um mercado organizado e perante nova informação reage sempre com um alargamento dos spreads”. Contudo, ambas as estratégias de investimento, segundo Armando Nunes, têm tido “excelentes resultados”. E  perante a prova de fogo de março de 2020, Armando Nunes destaca que o modelo tinha já antecipado uma redução de exposição ao mercado, o que contribuiu para consolidar a estratégia. 

Com o Bison Bank como banco custodiante, estes novos fundos do mercado nacional não são baratos, em comparação com  a concorrência. No fundo de ações a comissão de gestão pode ascender aos 3%, e no de obrigações aos 1,5%, aos quais somam uma comissão de performance. No entanto, Armando Nunes é assertivo ao afirmar: “Somos mais caros, porque historicamente fomos melhores”. Fizemos as contas e os números dizem que a escala com que batemos o mercado permite ter este nível de pricing”, conclui.