Três tendências no mercado de ativos privados pelos olhos da Schroders

edificio_negocio
Créditos: Unslash

Os mercados privados triplicaram desde 2015 e quase duplicaram nos últimos cinco anos, valendo atualmente cerca de 40 biliões de dólares em ativos sob gestão. “E deverão crescer quase um terço nos próximos cinco anos”. É o que nos diz Georg Wunderlin, responsável global de ativos privados da Schroders, que durante a Schroders Private Assets Media Summit 2021 explicou a evolução do mercado de ativos privados nos últimos anos.

Segundo o profissional da Schroders, os investidores institucionais querem continuar a aumentar as suas alocações aos ativos privados. “De acordo como o mais recente Institutional Investor Study, estes investidores vão aumentar a sua alocação em 5%, o que representa mais ativos sob gestão na ordem dos 500 a 600 mil milhões de dólares só este ano”, explica.

Além disso, intermediários financeiros e investidores individuais, que representam aproximadamente 40% da indústria, também querem apostar mais nos mercados privados. Atualmente, estes últimos apenas investem 5% nos mercados privados. “À medida que os investidores individuais aumentam a alocação, isto criará uma grande oportunidade para as gestoras de ativos privados”.

Precisamente para aproveitar esta oportunidade de crescimento, a Schroders anunciou recentemente a união das suas capacidades de investimento especializadas em ativos privados sob uma nova marca, a Schroders Capital. Esta marca vai englobar a gama de capital de risco, titularizações, dívida privada, imóveis, infraestruturas, insurance-linked securities e a BlueOrchard (especialista em investimento de impacto).

As tendências nos mercados privados

Durante a cimeira, Georg Wunderlin abordou ainda algumas tendências que vão impulsionar este mercado nos próximos anos. Falamos em seguida de três delas:

  • Sustentabilidade  -  É a tendência que tem que ver com o tema do momento na indústria financeira. O profissional considera que se trata de algo “idêntico a uma revolução que se está a espalhar pelo mercado de ativos privados e que tem potencial para mudar por completo esta indústria”.
  • Democratização - Apesar do interesse dos clientes individuais na classe de ativos, para muitos ainda há obstáculos ao investimento nos mercados privados. Contudo, e conforme explica Georg Wunderlin, têm existido “desenvolvimentos regulatórios e de investimento em todo o mundo que significam que um amplo espectro de investidores de retalho, desde pessoas físicas com elevado património, até aqueles com um plano de pensões de contribuição definida, vão conseguir aumentar as suas alocações a este tipo de ativos”.
  • Taxas zero - A terceira tendência relaciona-se com o problema do momento enfrentado pelos investidores institucionais, devido ao atual ambiente de taxas zero. “Os investidores institucionais nunca foram tão mal pagos pelo risco que assumem no fixed income”, comentou o profissional. Na opinião do especialista da Schroders este problema impulsionará, sem dúvida, a procura por ativos privados.

Georg Wunderlin não tem dúvidas de  que os mercados privados estão num ponto de inflexão. É, na sua perspetiva, uma classe de ativos que alcança  públicos cada vez mais amplos, e que se estão a  tornar cada vez mais diversos. “Esta expansão levará a uma crescente procura por investimentos especializados e estratégias enraizadas em capacidades profundas para identificar, melhorar, construir ou alterar ativos de investimento”, refere.