Tudo sobre o Schroder ISF Global Sustainable Growth: o fundo que investe em empresas com karma positivo

Charles Somers e Scott MacLennan - Schroders
Charles Somers e Scott MacLennan. Créditos: Cedida (Schorders)

O Schroder ISF Global Sustainable Growth é um fundo sustentável da Schroders com Rating FundsPeople 2023. Gerido por Charles Somers e Scott MacLennan, a filosofia desta estratégia baseia-se na crença de que as empresas que demonstram características positivas de sustentabilidade, definidas como a gestão do negócio a longo prazo e o reconhecimento das suas responsabilidades para com um amplo grupo de partes interessadas, conseguirão manter o seu crescimento e rentabilidade a longo prazo. A isto chamam de karma corporativo.

Além disso, mostram-se convencidos de que, quando alinhado com sólidos fundamentais subjacentes, isto pode dar lugar a um crescimento dos lucros consistentemente mais forte, que é muitas vezes subvalorizado pelo mercado. A carteira é gerida pela equipa de ações globais e internacionais da Schroders. Charles Somers e Scott MacLennan contam com o apoio dos especialistas setoriais globais desta equipa e dos analistas de ações locais da Schroders para a produção de ideias e análise de ações. 

De facto, a estratégia representa uma estreita colaboração entre as equipas de Ações Globais e Internacionais e a de Sustentabilidade da Schroders. Coletivamente, os principais representantes de cada equipa reúnem-se no Grupo de Investidores em Crescimento Sustentável, uma equipa que proporciona uma análise e supervisão adicional das características de sustentabilidade das componentes da carteira, interações com as empresas e as atividades de compromisso empresarial.

Abordagem de investimento

A sua abordagem é bottom-up e está baseada na própria análise fundamental. Incorporam uma avaliação temática para oferecer uma maior visibilidade e convicção em torno das tendências de crescimento estrutural a longo prazo das empresas. “Isto permite-nos captar tanto o crescimento estrutural, frequentemente subestimado a partir de uma abordagem puramente bottom-up, como o crescimento cíclico, muitas vezes ignorado num quadro temático”. Focam-se em empresas com as credenciais de sustentabilidade mais sólidas, maior poder de fixação de preços e com as estruturas mais fortes.

“Continuamos a acreditar firmemente que as empresas que operam com karma corporativo, tratando de forma justa todas as suas partes interessadas, são beneficiadas a longo prazo, e ainda mais na atualidade. A nossa abordagem baseada na consideração de todas as partes interessadas na hora de abordar a sustentabilidade ajudou-nos a evitar empresas sobrevalorizadas ou oversold, e a nossa mentalidade a longo prazo, focada na durabilidade das rentabilidades compostas do investimento ao longo do ciclo, também nos ajudou a encontrar algumas oportunidades vantajosas que surgiram após a recente volatilidade do mercado”, explicam.

A seleção de ações baseia-se na análise por parte do especialista setorial global de uma fonte positiva de crescimento e do risco fundamental de possuir a ação em carteira, que, combinado com o seu nível de convicção na empresa, o consideram cuidadosamente juntamente com as diretrizes da carteira e os objetivos de risco e retorno para construir uma carteira de elevada convicção composta por cerca de 40 ações. 

Posicionamento atual

Qualquer viés regional, setorial ou industrial costuma ser um resultado secundário derivado do seu processo bottom-up de seleção de ações. Em termos de alocação de ativos, o fundo está atualmente sobreponderado nos setores da tecnologia da informação, saúde, financeiro e industrial.

Por regiões geográficas, mais de 40% da carteira está exposta aos Estados Unidos, seguido do mercado britânico e da zona euro. A Microsoft, com um peso de 5,9%, a Schneider Electric (3,7%), a Booking (3,5%), a Alphabet (3,3%) e a Toronto-Dominion Bank (3,1%) são, atualmente, as cinco maiores posições que mantêm em carteira.

Valorização dos resultados obtidos a três e cinco anos

Consideram que a rentabilidade global do fundo tem sido impressionante. No entanto, satisfaz-lhes mais que a rentabilidade em cada um dos últimos cinco anos civis também tenha sido sólida, apesar de fases muito diferentes, e muitas vezes difíceis, do ciclo de mercado. “Isto é prova do nosso quadro de sustentabilidade multilateral, que visa empresas que podem manter o seu crescimento ao longo do tempo. Uma boa seleção de ações tem sido, por isso, o motor dominante da superior rentabilidade durante este período”, revelam.

Além disso, destacam que a sua visão holística da sustentabilidade permitiu-lhes ajustar dinamicamente as exposições da carteira para refletir melhor as alterações nos contextos económicos e de mercado e, o mais importante para eles, garantir que não são encurralados em zonas menos atrativas do mercado exclusivamente em função de uma avaliação ESG. “A separação da análise da sustentabilidade, que sustenta a criação e manutenção do próprio universo de investimento do fundo e a decisão de investir são elementos importantes do nosso processo de investimento”, sublinham.

Embora a abordagem do fundo se baseie na seleção de ações, supervisionam de perto a exposição aos fatores do fundo para garantir que não dominam o risco da carteira. “À luz de um contexto macroeconómico incerto e em mudança desde a pandemia, que deu lugar a um comportamento divergente e volátil dos fatores, procurámos amortizar e diversificar intencionalmente o risco dos fatores dentro da carteira para manter o equilíbrio. Uma abordagem que também ajudou a oferecer uma rentabilidade consistente”, afirmam. 

Visão de mercado

Charles Somers e Scott MacLennan concordam que a retoma dos mercados globais de ações é apoiado por uma maior confiança do mercado nas perspetivas económicas. De facto, a maioria dos analistas prevê um contexto mais positivo. Os dois gestores subscrevem esta opinião, mas acreditam que os mercados globais de ações continuam expostos a notícias dececionantes, riscos geopolíticos e a dados económicos mais débeis.

“Embora os fundamentais das empresas tenham resistido razoavelmente bem até à data, esperamos um contexto mais difícil para os retornos e lucros nos próximos trimestres, especialmente nas áreas do mercado mais expostas ao ciclo. O menor crescimento já é evidente nas previsões das empresas e as revisões já se tornaram negativas. Mas, na nossa opinião, as estimativas de lucros devem baixar ainda mais”.

Embora isto possa não parecer necessariamente construtivo para as ações a curto prazo, os gestores salientam que os mercados de ações estão sempre virados para o futuro, descontando normalmente um mínimo nos lucros entre seis a nove meses antes do mínimo real. “Isto sugere que a recente subida das bolsas não carece de fundamento, embora sejam possíveis novas deceções a curto prazo à medida que as pressões sobre a rentabilidade se tornam mais evidentes”, concluem.