Após anos de um desempenho inferior ao do índice de referência, o Carmignac Patrimoine ressurge com uma estratégia renovada sob a cogestão de Guillaume Rigeade, gestor da componente de obrigações. Ao longo dos últimos 18 meses, o fundo posicionou-se estrategicamente para o novo ciclo económico, com uma carteira mais diversificada que reflete as suas perspetivas de mercado. “No ano passado, a forte recuperação das ações beneficiou os gestores com estratégias passivas, mas este ano, com os mercados mais dispersos, a nossa abordagem ativa tem mais vantagens”, explica o gestor da Carmignac.
O fundo mantém atualmente 45% em obrigações e 44% em ações. A estratégia combina posições curtas em obrigações europeias e posições longas em obrigações norte-americanas indexadas à inflação. Além disso, um dos pontos-chave da estratégia do fundo é a sua capacidade de ajustar a duração da carteira num intervalo alargado, de -4 a +10, o que proporciona flexibilidade para se adaptar a diferentes cenários de mercado. Por outro lado, Guillaume Rigeade refere que o fundo também adotou uma postura cautelosa no crédito corporativo, devido aos spreads de crédito estreitos oferecidos atualmente pelas obrigações.
Emergentes: uma abordagem diferenciada
O Carmignac Patrimoine mantém uma exposição tática e seletiva aos mercados emergentes, analisada sob três perspetivas: divisas, taxas e crédito. Nas divisas, o fundo reforçou as suas posições em divisas latino-americanas, como o peso mexicano, que está a beneficiar da depreciação do dólar e da evolução da guerra comercial. "Adotámos uma visão claramente bearish do dólar face ao euro e a outras moedas emergentes. O México, que foi um alvo inicial das tarifas, beneficia agora da sua parceria estratégica com os Estados Unidos".
Em dívida local, identifica oportunidades especialmente no Brasil e no México, onde as taxas reais rondam os 10% e os 5%, respetivamente. "No ano passado, os receios de riscos fiscais e políticos fizeram subir as taxas, criando pontos de entrada atrativos". Consequentemente, o fundo aumentou a sua duração em ambas as geografias. No entanto, no crédito dos mercados emergentes, o fundo mantém uma abordagem mais cautelosa. "Os spreads estão muito ajustados após um bom ano de 2024. Vemos um valor limitado e preferimos uma postura cautelosa".
Renovação baseada na gestão ativa
O Carmignac Patrimoine tem sido historicamente um dos principais fundos da Carmignac, chegando a gerir 30.000 milhões de euros. Atualmente, o fundo gere cerca de 8.000 milhões de euros, o que continua a ser um valor significativo na indústria. Para melhorar o seu desempenho, o gestor do fundo procedeu a alterações na sua equipa de gestão. A partir de setembro de 2023, Guillaume Rigeade assumiu a liderança da vertente de obrigações, juntamente com Eliezer Ben Zimra, enquanto Kristofer Barrett é agora responsável pela carteira de ações. Além disso, foi integrada uma equipa de gestão de ativos cruzados, composta por Jacques Hirsch e Christophe Moulin, cuja tarefa consiste em ajustar a exposição às ações em função dos fatores macroeconómicos.
Embora os fluxos líquidos do fundo continuem negativos, a tendência melhorou nos últimos meses. "Estamos a assistir a um melhor equilíbrio entre entradas e saídas de capital. Estamos confiantes de que, se continuarmos a demonstrar a nossa capacidade de resistência, a tendência poderá inverter-se", afirma Guillaume Rigeade. “Estamos perante um novo regime em que a análise macroeconómica volta a ser fundamental”, explica. Para fazer face a esta situação, o fundo reforçou a sua abordagem baseada na flexibilidade. “A chave é poder ajustar a exposição às ações e a duração da carteira de obrigações de acordo com as condições do mercado”, acrescenta. Olhando para o futuro, Guillaume Rigeade está confiante de que o atual ambiente de volatilidade e incerteza irá funcionar a favor de estratégias como o Carmignac Patrimoine.

