A “pujança” do mercado laboral inglês ainda tem espaço para melhorias

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Mathieu Soete, Flickr, Creative Commons

Numa das suas últimas notas, a J.P. Morgan Asset Management debruçou-se sobre os mais recentes resultados económicos emitidos pelo Reino Unido. A análise do último relatório referente ao mercado de trabalho inglês tem uma mensagem clara: a economia por terras de sua majestade está no caminho da recuperação, com o desemprego a cair para o nível mínimo dos últimos cinco anos. A juntar-se a estes dados positivos estão ainda o número de pessoas empregadas. Segundo o gabinete de estatísticas nacional do país, o número de pessoas a trabalhar nos últimos três meses cresceu cerca de 345 mil, atingindo assim os 30.54 milhões de pessoas no ativo, o que configura o maior aumento desde que os records tiveram início, em 1971.

Mas nem tudo são boas notícias. A gestora realça que o crescimento dos salários permanece em queda, abaixo das expectativas de mercado.

Emprego a recuperar em vários sentidos

Os principais pontos de discussão destacados pela J.P. Morgan AM são, em primeiro lugar, o facto de nos três primeiros meses do ano a taxa de desemprego ter caído mais do que o esperado. Em abril era de 6,6%, abaixo dos 6,8% do trimestre anterior.

Surpreendente, na perspetiva da J.P. Morgan AM, foi também o registo de pedidos de subsídio de desemprego, que caíram cerca de 400,000 nos últimos 12 meses. “Este é um indicador que demonstra a força que o emprego está a ganhar no Reino Unido, e prova que os indicadores do mercado laboral vão continuar a reforçar-se durante os próximos meses”, pode ler-se. Por outro lado, a queda no crescimento dos lucros médios “significa que os salários continuam a crescer a um ritmo mais lento do que o índice de preços no consumidor, que atualmente está nos 1,8%”.

Implicações para os investidores

Perante os dados, a primeira pergunta que surge à gestora tem a ver com o futuro aumento das taxas de juro no Reino Unido. No documento que a J.P Morgan elabora pode ler-se que “o declínio acentuado do desemprego e a recuperação no emprego, assinalam que a folga adicional no mercado de trabalho está rapidamente a desaparecer”. Na opinião da entidade, “à medida que o mercado de trabalho continuar a apertar, a pressão irá começar a inclinar-se para no Banco de Inglaterra (BoE) no sentido de aumentarem as taxas de juro o mais cedo possível, de forma a prevenir-se um superaqueciemnto da economia”.

Ainda assim, para a J.P. Morgan AM, é provável que Mark Carney e o Comité de Política Monetária mantenham as taxas neste nível até ao próximo ano, tendo como justificativa o contínuo enfraquecimento do crescimento dos salários. Historicamente, dizem, as ações globais, tendem a prosperar em situações onde as taxas de juro estão a crescer a partir de uma base baixa. Fica outro conselho: “Os investidores devem diversificar os seus investimentos em obrigações, com uma maior alocação em ativos com maturidades mais curtas, que são menos susceptíveis ao risco de subida das taxas de juro”.