Como a Amundi se prepara para tirar partido da inflação em ações e obrigações

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Créditos: Tobias Reich (Unsplash)

Os especialistas da Amundi reuniram-se para, num evento digital, revelarem as suas perspetivas para este novo ano. Inflação, política monetária ou riscos geopolíticos foram alguns dos temas abordados.

Monica Defend, responsável global de Análise do Grupo, começou por falar do crescimento e de como espera que este abrande lentamente em 2022, enquanto a inflação será mais estrutural e irá manter-se mais alta por um longo período durante o ano. “Isto deve-se aos aumentos dos custos laborais e da energia. Também os bottlenecks na cadeia de fornecimento se vão impor novamente na dinâmica dos preços, já que a variante Ómicron está a causar um prolongamento do problema”. Para a especialista, estes são os temas que vão dominar as narrativas nos mercados financeiros.

A profissional da Amundi acrescenta ainda que não veem uma recessão no horizonte porque até agora o crescimento continua acima da média. “Porém, este cenário pode mudar no caso de alguns dos riscos como uma nova variante resistente à vacina ou erros de política monetária, se materializarem”.

Segundo a especialista, a tendência para vermos os bancos centrais a adotar uma postura mais hawkish é um dos temas principais que esperamos ver este ano. Para a profissional, esta sincronização vai continuar. Já vimos o Banco de Inglaterra a aumentar as taxas. Também a Fed seguiu o mesmo caminho e, conforme explica Monica Defend, “foi mais hawkish do que se esperava, não só na subida de taxas, mas também no quantitative tightening, o que ainda não está a ser descontado no preço e que pode ter enormes consequências no fixed income e nos ativos de risco”. 

Como navegar no mar das obrigações em 2022

Onde podem os investidores encontrar oportunidades no universo do fixed income? Para Amaury D’Orsay, diretor de Obrigações da Amundi, há três linhas que os investidores devem seguir.

Em primeiro lugar, devem manter-se afastados da duration em 2022. E enumera três estratégias para o conseguir: crédito global sem exposição à duration; high yield, em particular, na Europa; e securitizações como ABS ou CLO.

Em segundo lugar, devem tirar partido do persistente ambiente de inflação alta. Neste caso, os participantes do mercado devem considerar duas estratégias: “Investir em obrigações ligadas à inflação global, cuja performance é dominada pela inflação e não pela duração; e investir em obrigações subordinadas value, especialmente, financeiras”.

E, em terceiro lugar, devem abraçar a transição. Para isso Amaury D’Orsay, indica que se deve “considerar green bonds; social bonds; e estratégias alinhadas com o Acordo de Paris”.

O que esperar das ações

Para Vafa Ahmadi, responsável de ações temáticas, da CPR AM, parte do Grupo Amundi, atualmente, a principal questão que está a animar o mercado de ações é a inflação. O quão sustentável é, qual é o nível que vai atingir… E, acima de tudo, qual será a resposta dos bancos centrais, principalmente da Fed que lançou uma resposta muito hawkish.

“Consideramos que no início deste ano e os próximos meses serão a continuação do que vimos em 2021. Os mercados estão preocupados com a inflação, com a subida das taxas de juro e com o quantitative tightening. Isto abrandou muito os investimentos em ações growth”, comenta o especialista.

Porém, na Amundi consideram que a segunda metade do ano será mais promissora. “No segundo semestre devemos testemunhar um alívio da inflação, o que vai deixar margem para as ações growth como um todo, e para os investimentos temáticos em particular, voltarem a um nível de investimento mais sólido”, explica.

Ahmadi destacou uma research recente da CPR AM onde conseguiram isolar e identificar o prémio temático que "permite otimizar a alocação temática através de uma abordagem estratégica e tática nas carteiras e destaca o importante papel que o investimento temático poderá para desempenhar nas carteiras".

Posicionamento da Amundi

Coube a Victor de la Morena, diretor de Investimentos da Amundi Iberia, explicar o posicionamento da Amundi. Para o especialista, as fortes correções do início do ano confirmaram o que já tinham previsto: “Será necessário manter alguma cautela nos ativos de risco”.

“O que vimos em janeiro foi uma forte correção dos ativos com valuations mais exigentes e estilos mais sensíveis às taxas de juro: growth e Estados Unidos. Por isso, em ações mantemos o nosso posicionamento neutral, mas com preferência pelo value face ao growth e com um viés geográfico a favor da Europa e China face aos Estados Unidos”, explica o profissional.

Retirando a China da equação, na Amundi consideram que se deve ter muita cautela no mundo emergente. “Alcançámos num mês praticamente a parte alta da faixa que tínhamos previsto para todo o ano, devido principalmente à precipitação da mensagem da Fed, aos picos de inflação e aos preços das matérias-primas”, refere. Contudo, considera que a tensão continua e não descartam que se continue a tencionar a curva a curto prazo. “Por isso, mantemos posições curtas de duração por um tempo, tanto nos EUA como na Europa”, diz.

Para a entidade, o crédito está a ser a tábua de salvação das obrigações. Conforme explica Victor de la Morena, as boas perspetivas económicas de estímulos mantiveram as taxas de incumprimento em níveis mínimos. “Neste início de ano o mercado está muito forte e com objetivos de cobertura muito altos, o que nos motiva a manter as nossas posições em crédito, tanto em investment grade, como em high yield, especialmente na Europa”, afirma.

Em ações, a empresa francesa mantém-se neutral, apesar de observarem oportunidades no value americano e europeu. "Os investidores devem manter-se seletivos e atentos ao crescimento de lucros, valuations, força do modelo de negócio e balanços, e evitar empresas demasiado alavancadas ou com cash flows não consolidados", comenta.