Elena Domecq (J.P. Morgan AM): “O nosso cenário é de cautela, não de pessimismo”

Elena Domecq. Créditos: Cedida (J.P. Morgan AM)

Estamos num contexto de incerteza, o que, ao nível do investimento, requer prudência e preparação das carteiras para terem um bom desempenho em diferentes cenários macro. Isto é o que a J.P. Morgan Asset Management está a fazer. “Estamos a procurar ativos que possam registar uma evolução favorável em diversos contextos. E, neste momento, o ativo que melhor cumpre essas características é ter duração em carteira. Antes estávamos neutros. Agora, estamos longos em duração”, revela Elena Domecq, responsável de Estratégia para Espanha e Portugal.

No tradicional pequeno-almoço trimestral com os meios de comunicação, a especialista recordou que, embora a diversificação não tenha funcionado no ano passado, num contexto em que os investidores se focam mais no crescimento e menos na inflação, “deveremos ver as correlações entre ações e obrigações a cair e a diversificação a voltar a funcionar”. Por isso, neste momento, as carteiras multiativos da gestora estão mais longas em duração. “No início era mais duração americana, mas nas últimas semanas também temos estado a comprar obrigações europeias”, afirma. 

Por outro lado, em ações a entidade mostra uma postura cautelosa. “Não temos feito uma redução brutal do risco. Começamos o ano ligeiramente subponderados e, atualmente, continuamos ligeiramente subponderados nesta classe de ativos. Basicamente por duas razões. Em primeiro lugar, porque quase todos os índices estão a rondar a sua média histórica em termos de valorização. Não há nada de muito atrativo. Em segundo, porque no que diz respeito aos resultados empresariais, num contexto de menor crescimento, as estimativas dos analistas são demasiado elevadas. Deveriam baixar”.

Na sua opinião, “não é momento de fazer reduções acentuadas do risco das carteiras”. Isto não é aconselhável. “O nosso cenário é de cautela, não de pessimismo. É importante esclarecer isto, porque, por vezes, os dois conceitos são confundidos”, sublinha. No mercado de ações, o principal foco da casa são as apostas de valor relativo. Uma das suas principais estratégias tem sido a de estar longos em grandes empresas americanas em detrimento de pequenas empresas americanas. O segmento onde mantêm uma visão um pouco mais positiva é no de mercados emergentes.