Fundos perfilados defensivos: alocação a obrigações sobe desde o início do ano

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Créditos: Daniel Kudela (Unsplash)

Num contexto em que assistimos a uma mudança na correlação entre ações e obrigações, como têm os gestores dos fundos perfilados defensivos nacionais adaptado as carteiras desde o início do ano? Com base em dados da Morningstar, de março de 2022, analisamos uma vez mais a evolução média da alocação dos 13 fundos que compõem este universo em 20221.

Janeiro: coberturas de risco

Num trimestre muito atribulado nos mercados, a tendência geral que se verifica ao nível da alocação é uma diminuição da exposição a ações e um aumento na alocação a obrigações. Este foi um movimento que o NB Conservador, gerido por João Zorro, seguiu. "O fundo diminuiu o peso na componente acionista, reduziu substancialmente a maturidade dos ativos de obrigações e temos coberturas de risco caso os mercados continuem a desvalorizar", comentava o profissional na ficha mensal de janeiro.

Verificou-se também, de dezembro a março deste ano, em média, uma diminuição da liquidez nas carteiras dos perfilados defensivos. Este decréscimo foi mais concretamente de 1,3 pontos percentuais.

Fonte: FundsPeople e Morningstar. Dados com referência a 31 de março de 2022.

Neste primeiro trimestre de 2022, face a todos os acontecimentos inesperados que afetaram o sentimento dos investidores, o gestor do BPI Reforma Obrigações PPR/OICVM, na ficha mensal de fevereiro comentava que "a atuação na carteira tem se caracterizado pela mitigação dos riscos do portefólio e capturar as oportunidades que surgem".

Aumento da exposição a ações da América Latina

Dado o enquadramento e o contexto de mercado em que se tem navegado, no que toca à alocação geográfica da componente acionista, a região da América Latina ganhou preponderância nas carteiras. Enquanto isso, outras regiões como a Europa ou a América do Norte, não verificaram um acréscimo da percentagem de exposição.

Fonte: FundsPeople e Morningstar. Dados com referência a 31 de março de 2022.

Na ficha mensal de fevereiro, o gestor do BPI Reforma Obrigações PPR/OICVM mencionava que, "nos mercados acionistas, o trimestre foi marcado por fortes oscilações, com o principal índice de referência global a recuar mais de 5%. O contexto de guerra penalizou mais a Europa, que desvalorizou cerca de 6,5% dada a sua elevada dependência de matérias-primas provenientes da Rússia".

Obrigações soberanas: o refúgio do trimestre

"Nas obrigações, todos os segmentos apresentaram performances negativas, principalmente as emissões de países e empresas mais expostas à Europa de Leste. Com quedas menores, as dívidas soberanas americana e alemã, atuaram como refúgio às fortes quedas dos restantes ativos financeiros", sentenciava os gestores do Optimize Capital Reforma PPR Moderado na ficha mensal de fevereiro.

Neste contexto, verificou-se uma rotação da alocação dos fundos perfilados defensivos nacionais para as obrigações soberanas. Em média, estes ativos aumentaram a sua preponderância em 2 pontos percentuais, detendo agora uma exposição média no agregado de 28,4%. Mas apesar de as obrigações corporativas terem registado uma perda de interesse, esse movimento foi marginal, perdendo apenas 0,8 p.p. desde o final de 2021.

Fonte: FundsPeople e Morningstar. Dados com referência a 31 de março de 2022.

Também o gestor do fundo perfilado defensivo da BPI Gestão de Ativos referia que, "no período, reforçou se o peso da dívida pública e de emissões de melhor qualidade, em particular, em maturidades de curto prazo".

Já Cristina Iza, gestora do Santander Select Defensivo, na ficha mensal referente ao mês de fevereiro da estratégia de investimento, indicava uma aposta no high yield europeu, em detrimento do high yield americano.

Alocação geográfica de fixed income

No caso da alocação geográfica desta componente, tanto se verificou, desde dezembro de 2021, um aumento da exposição à Europa Desenvolvida, como à América do Norte.

Fonte: FundsPeople e Morningstar. Dados com referência a 31 de março de 2022.

A profissional da Santander Asset Management deixou claro que a equipa de gestão aproveitou "os fluxos de compra de dívida soberana para reduzir a duration aos EUA e à Europa".

E, em termos de expectativas, em março, o profissional da GNB Gestão de Ativos, João Zorro, comentava que continuam cautelosos "até que seja possível ter uma maior visibilidade quanto à orientação das futuras políticas monetárias, inflação, dados sobre o crescimento do PIB e claro perceber o que as empresas vão apresentar de resultados a partir de abril".


1De recordar que, em 2022, incluídos nesta análise estão os seguintes fundos perfilados: Bankinter 25 PPR/OICVM, BPI Reforma Obrigações PPR/OICVM, Caixa Defensivo PPR/OICVMCaixa Wealth DefensivoCaixa Seleção Global Defensivo, NB Conservador, IMGA Alocação Conservadora, Montepio Multi Gestão Prudente, Optimize Capital Reforma PPR/OICVM Moderado, Optimize Selecção Defensiva, Santander Private Defensivo, Santander Select Defensivo e o Smart Invest PPR/OICVM Conservador.