Gonçalo Almeida (Haitong Bank): “Como em todos os inícios de ano, muitas incertezas se levantam, mas oportunidades também”

Haitong Agressive, Gonçalo Almeida (Haitong Bank): “Como em todos os inícios de ano, muitas incertezas se levantam, mas oportunidades também”
Gonçalo Almeida. Créditos: Vítor Duarte

O Haitong Agressive, fundo de domicílio luxemburguês e sob a alçada da equipa do Haitong Bank em Portugal, mais concretamente, de Gonçalo Mendes de Almeida, foi o multiativos agressivo do universo de gestão nacional com melhor retorno em 2021. Um fundo de cariz agressivo, com foco na Europa e uma inclinação para as ações - embora procure oportunidades em todas as classes de ativos -, que procura resultados absolutos positivos no médio e longo prazo, sem assumir um benchmark. Resumidamente, é assim que Gonçalo Mendes de Almeida o define: “O portefólio é construído usando uma visão top down para definir o nível de risco e bottom up para selecionar os investimentos individuais. É por natureza uma estratégia contrarian que gosta de questionar consensos e contrariar movimentos de manada, com a flexibilidade de uma estratégia de investimento desligada de um benchmark”, detalha o gestor.

Sobre 2021, o “bom comportamento do fundo, tanto em resultado como em risco incorrido, deve-se essencialmente ao facto de o termos posicionado em setores e empresas que mais beneficiariam do cenário de reabertura, recuperação e normalização económica”, explica o profissional da equipa de gestão de ativos do Haitong Bank. Esta visão revelou-se bastante consistente desde o início do ano, o que acabou por permitir colher bons frutos.

No entanto, realça também dois outros motores de performance. Por um lado, a inevitabilidade do início de uma normalização da política monetária, “como estamos a assistir de forma muito vincada neste início de ano”, e que “trouxe também significativos ganhos ao fundo”. Por outro,  a contribuição do “ângulo chinês”, característico da abordagem da casa, que implementaram na seleção de investimentos na Europa. “A equipa de investimentos tem vindo a acumular um know-how específico na economia e mercados chineses, fruto da íntima colaboração com os nossos pares em Shanghai. Esse know how permite-nos identificar as empresas europeias melhor posicionadas para tirar partido do crescimento da economia chinesa – o maior contribuinte para o crescimento do PIB mundial. Este filtro tem tido uma contribuição muito significativa para os resultados obtidos”, explica.

Como se navegou 2021

“Num ano tão agitado como foi o ano de 2021 a nossa estratégia foi invulgarmente estável”, comenta. “A rotação que efetuamos foi muito abaixo da nossa média histórica porque fomos efetivamente muito consistentes com a visão que desenhamos no início do ano”, acrescenta.

Segundo o gestor, o tema que mais levou a alterações do posicionamento surgiu e ocorreu dentro da componente acionista. “Antecipámos, como coerente, uma subida dos preços de energia, nomeadamente o preço do petróleo. Somos fortes adeptos da transição energética, mas estamos conscientes das ondas de choque que o processo pode produzir e nesse sentido das oportunidades que pode gerar”, exclama.

De olhos em 2022, por seu lado, o profissional é assertivo ao afirmar que “como em todos os inícios de ano, muitas incertezas se levantam, mas oportunidades também”. “O cenário macroeconómico que conseguimos vislumbrar nesta fase parece-nos bastante positivo para ações - traduzido aliás na expectativa de crescimento de resultados na Europa no intervalo de 8 a 10%”, ilustra o gestor. 

Contudo, lembra o impacto que poderá ter nos mercados a entrada num novo ciclo de política monetária, com consequências muito relevantes para a valorização dos ativos. “Os anos de taxas de juro a zero parecem estar a chegar ao fim um pouco por todo o mundo, ainda que não imediatamente na Europa. Desta forma, o nosso posicionamento atual é fortemente balanceado para empresas que beneficiem de taxas mais altas e que tenham a capacidade de subir preços sem prejudicar rentabilidade”, expõe.

Sustentabilidade como oportunidade

Todas as nossas estratégias têm recebido excelentes classificações em termos de rating de sustentabilidade. Isto deve-se ao facto de a nossa abordagem ser há já muitos anos focada na gestão dinâmica dos riscos dos portefólios e também ao facto dos riscos relacionados com ESG terem vindo a ser integrados nas nossas decisões”, introduz Gonçalo Mendes de Almeida. Para o gestor, neste âmbito, as capacidades quantitativas da casa têm sido “uma excelente ajuda através da utilização de modelos próprios para a integração deste tipo de riscos”. Sendo assim, considera que será um “processo natural, a adesão, a médio prazo da maioria das nossas estratégias, e certamente deste fundo, ao artigo 8 da SFDR”.

Numa nota final, relembramos que na segunda metade do ano passado nasceu a sociedade gestora de organismos de investimento coletivo do Haitong Bank em Portugal com o nome Haitong Global Asset Management.  “Em termos estratégicos, a Haitong Global Asset Management irá posicionar-se como o veículo europeu de gestão de organismos de investimento coletivo do Grupo Haitong, capitalizando no elevado know-how do grupo em ativos asiáticos e no sólido track-record do Haitong Bank em ativos europeus”, diziam então da instituição financeira.