Índices verdes e obrigações azuis são só alguns dos projetos no caminho da Euronext

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O Grupo Euronext é a infraestrutura de mercado de capitais líder no espaço europeu, com presença em Portugal, França, Bélgica, Holanda, Irlanda, Noruega e Dinamarca e, como comenta à FundsPeople Isabel Ucha, a CEO da Euronext Lisbon, “com mais projetos de crescimento significativos”.

Isto significa, segundo a profissional, que a Euronext é atualmente a maior bolsa por capitalização de mercado das empresas cotadas, bem como a maior em termos de listing de obrigações, fundos de investimento e ETFs, resultando assim, também, na “maior pool de liquidez na Europa, com mais de oito mil milhões de euros transacionados diariamente”. “Temos numa mesma plataforma, um conjunto de investidores europeus com acesso a liquidez e a uma formação de preços centralizada que faz com que o mercado funcione de forma muito mais eficiente do que antes, quando estava mais fragmentado”, comenta Isabel Ucha.

ISabel_Ucha_Euronext_2Especificamente sobre a listagem de organismos de investimento coletivo, sejam eles ativos ou passivos, a CEO acrescenta que a entidade tem globalmente o maior número de fundos listados (principalmente fundos fechados), mas destaca especialmente o crescimento que têm vindo a verificar no universo de ETF listados nas suas plataformas. “É um produto que tem enfrentado uma procura, e um crescimento dessa procura significativos, o que se tem traduzido num crescimento muito intenso no universo da Euronext, nomeadamente mais de 15% por ano ao longo dos últimos anos”. E sobre as vantagens de veicular as transações de fundos nas plataformas da entidade Isabel Ucha comenta que não só a listagem é “um processo bastante fácil, rápido e eficiente, como se queremos ter mais investidores individuais nesses produtos, o facto de estes negociarem em bolsa por natureza, faz com que o acesso seja mais facilitado”. Mas não fica por aqui. Uma visibilidade e transparência maiores, o acesso a canais de distribuição mais eficazes e o acesso a uma infraestrutura automática de transação são outras das vantagens às quais a profissional dá destaque.

Tendências de mercado

Para a atual CEO da Euronext Lisbon, existem duas tendências bem claras que marcam a evolução do negócio do grupo para o qual trabalha, para a unidade que lidera e para o mundo de gestão de ativos: a gestão passiva e a sustentabilidade no financiamento e investimento. Sobre a primeira, e capitalizando o crescimento que referia anteriormente, estão a investir no sentido de facilitar ainda mais a listagem de fundos e ETF, em particular para facilitar o acesso aos investidores individuais, por exemplo. “Estamos em processo de criar uma plataforma europeia de negociação alternativa, centralizada, mais eficiente e mais barata para o trading de ETF, a que todos os emitentes possam aceder e não só aqueles listados nas praças da Euronext”.

Já a sustentabilidade é outro tema que veio para ficar e que para Isabel Ucha será central nas atividades desenvolvidas. “As bolsas em geral têm aqui um papel cada vez mais crítico, especialmente quando estamos a falar da gestão de portefólios. Os investidores quem ver não só os seus investimentos executados de forma responsável, mas querem também minimizar os riscos associados às alterações climáticas, conflitos sociais e problemas decorrentes de um mau governo das sociedades. Querem ter a certeza que os portefólios são resilientes”.

Posto isto, “como há cada vez mais portefólios linkados a índices, e a grande maioria dos que não o estão têm algum índice como benchmark, as entidades como a Euronext, produtoras desses índices de referência, enfrentam uma grande responsabilidade”, comenta a profissional. “Os critérios e a ciência por detrás da construção dos índices que orientam essa poupança são determinantes neste grande objetivo que é canalizar os investimentos no sentido de cumprir os objetivos de desenvolvimento sustentável do Acordo de Paris”, acrescenta.

Na Euronext, e como diz a CEO, como não são “especialistas e produtores de ciência sobre o tema”, a abordagem tem passado por desenvolver parcerias com entidades especialistas, internacionalmente reconhecidas. “Estes temas não são estáticos. A ciência está em constante evolução pelo que o melhor que podemos fazer para a construção dos nossos índices é trazer para o processo a melhor ciência – ciência state of the art – para abordar os mercados com toda a responsabilidade que o processo exige”.

Ao nível dos emitentes

Já há um par de anos que estão a trabalhar em proximidade com as empresas emitentes no sentido de manter “alguma pedagogia sobre a sustentabilidade, para que percebam porque são ou não incluídas nos índices”. Para isso, diz, lançaram recentemente “um guia de reporte ESG, para ajudar as empresas a perceber e reportar todos os seus indicadores não financeiros, cada vez mais relevantes”. Adicionalmente, expandiram “o alcance do serviço de Investor Relations Advisory, cujo propósito é apoiar a atividade de investor relations, lançando o ESG IR Advisory, focado na temática da sustentabilidade”.

Outro aspeto interessante e que realça a profissional passa pelo alargamento da oferta de obrigações sustentáveis. Além das já bem estabelecidas green bonds, a CEO da Euronext Lisbon destaca outras estruturas que vêm satisfazer a cada vez maior exigência dos investidores. Fala, por exemplo, das social bonds, ligadas a projetos de cariz social, as sustainable bonds, com um enfoque mais alargado na sustentabilidade, as blue bonds, focadas em projetos relacionados com a economia dos oceanos, ou as Sustainable Developmente Goals (SDG) linked bonds. Estas últimas diferem das restantes, segundo Isabel Ucha, por não financiarem projetos em específico, mas sim financiarem as atividades da empresa com uma remuneração condicionada ao cumprimento de métricas relacionadas com os SDG. O não cumprimento implica uma penalização nos juros. Uma autêntica paleta de cores que define uma oferta cada vez mais alargada de instrumentos financeiros orientados para uma abordagem mais sustentável ao investimento e financiamento.