Invesco Euro Corporate Bond: posicionamento atual e últimas alterações realizadas na carteira

Julien Eberhardt. Créditos: Cedida (Invesco)

O Invesco Euro Corporate Bond é um fundo com Rating FundsPeople 2023 que investe fundamentalmente em obrigações corporativas europeias investment grade, embora possa manter até 30% da carteira em emissões high yield ou governamentais. Julien Eberhardt é o gestor da estratégia. A sua abordagem foca-se em investir unicamente em obrigações onde o retorno compensa adequadamente o risco assumido. 

“A gestão é muito ativa, tanto na distribuição por ativos como na duração da carteira. Tentamos manter uma carteira diversificada que ofereça um atrativo retorno ajustado ao risco, fazendo com que o perfil retorno-risco seja moderado”, explica Julien Eberhardt à FundsPeople. Classificado com cinco estrelas pela Morningstar, tem um track record de mais de 15 anos e situa-se consistentemente no primeiro quartil do seu grupo de comparáveis (em todos os prazos).

Posicionamento atual

Quanto à carteira, a maioria mantém-se em obrigações corporativas de investment grade. A equipa gestora tem exposição a dívida sénior e subordinada do setor financeiro, tanto de bancos como de seguradoras, bem como a obrigações híbridas de utilities e telecomunicações, para aproveitar as yields que ambos os ativos apresentam atualmente, de entre 6% e 11%.

Além disso, tem 7% em crédito corporativo high yield, onde estão cautelosos, e 11% em posições de quase-liquidez para aproveitar potenciais oportunidades: cash, obrigações com vencimento inferior a um ano e uma pequena percentagem de obrigações governamentais. A duração situa-se nos 4,8 anos, ligeiramente acima do índice de referência. A yield to maturity ultrapassa os 4,2% e o seu rating médio é BBB+.

Últimas alterações relevantes realizadas na carteira

A principal alteração adotada nos últimos tempos foi a redução da parte high yield da carteira para aumentar o crédito investment grade. A equipa estima que, com as atuais yields, há mais valor na parte de investment grade do que na de high yield, uma vez que os “atuais spreads do primeiro segmento do mercado descontam uma situação muito pior do que a mais grave que esta classe de ativos já experienciou, durante a crise financeira, algo que descartamos. O high yield pode sofrer mais numa situação de clara desaceleração económica como a atual”.

Outra das alterações é que a equipa integrou obrigações governamentais pela primeira vez em vários anos. “Graças ao aumento das taxas de juro, voltaram a ser atrativas”, considera Julien Eberhardt. “De qualquer forma, foi uma integração modesta, inferior a 5% da carteira”, esclarece. 

No caso da duração, a equipa aumentou-a até a situar acima da duração do índice de referência, 4,8 anos face a 4,6 anos. “É uma alteração significativa porque o fundo tinha mantido uma duração inferior à do benchmark desde meados de 2019, aumentando o spread progressivamente até abril de 2022, quando a equipa fez uma mudança radical nesta estratégia”.

Visão de mercado de Julien Eberhardt

É consensual na equipa que, embora existam áreas de resiliência a maiores taxas de juro - como os mercados de trabalho e a inflação do setor dos serviços -, os dados em geral apontam de forma cada vez mais clara para um abrandamento económico e que a volatilidade do setor financeiro apenas servirá para exacerbar essa tendência. “Estamos perto da parte mais alta do ciclo de taxas de juro e devemos estar conscientes de que, neste cenário, a volatilidade tende a ser mais elevada do que o habitual”. 

A equipa está consciente de que taxas de juros mais elevadas num contexto de menor crescimento económico pode pressionar as obrigações corporativas high yield. “Os rácios de default já começaram a aumentar e é provável que esta tendência se mantenha, embora também seja óbvio que os investidores esperam que isto aconteça, tendo em conta os atuais spreads que se pagam no mercado”, conclui o gestor da Invesco.