Os fatores por detrás do excelente ano do Caixa Ações Oriente

Caixa Ações Oriente, Os fatores por detrás do excelente ano do Caixa Ações Oriente

O Caixa Ações Oriente - FIAA, foi um dos três fundos de ações de ADN português que melhor rentabilidade proporcionaram aos seus participantes em 2020. Foram 13,42% de retorno no ano, segundo dados da Morningstar, que representam 0,69% por cada unidade de risco assumido. Um sucesso que se deveu, neste caso, não só ao universo de investimento, mas também ao trabalho de seleção de fundos da equipa da Caixa Gestão de Ativos liderada por Guilherme Piedade. Contudo, esta é uma situação relativamente recente na história do fundo, que até ao primeiro trimestre de 2019 via a sua gestão mandatada a um gestor externo e se baseava no investimento direto. Em entrevista à FundsPeople, o responsável pela equipa de seleção de fundos da entidade gestora, explica a decisão de internalizar a gestão desta e de outras estratégias da casa - agora num formato de fundo de fundos. Posteriormente, em meados de 2019, deu-se também a fusão deste fundo com o Caixagest Ações Japão, fusão essa que deu origem àquela que é hoje a abordagem a ações asiáticas da Caixa Gestão de Ativos.

E as razões do sucesso em 2020? Guilherme Piedade explica o processo que está por detrás da construção da carteira. “Sendo um fundo de ações do Oriente é composto, fundamentalmente, por cinco países - Japão, Austrália, Hong Kong, Singapura e Nova Zelândia. Optámos por abordar a seleção numa metodologia de blocos geográficos (ações Pacífico ex-Japão, ações Japão, ações Pacífico), decompusemos o universo e procurámos encontrar aqueles gestores que acreditamos que são os melhores”, comenta. Os veículos selecionados são então conjugados numa carteira de 11 veículos de investimento - fundos e ETF - que melhor refletem as convicções da equipa a longo prazo. Os ETF, segundo o responsável, são um recurso importante, por exemplo, no caso da alocação a ações australianas, em virtude de limitações fiscais que impactam o potencial de rentabilidade para investidores internacionais no país.

Vieses na carteira

Para Guilherme Piedade, as decisões de alocação geográfica foram um dos grandes mobilizadores da rentabilidade conseguida no ano. A título de exemplo, aponta, “nós acreditamos que os mercados emergentes têm um perfil de risco e retorno mais interessante a longo prazo do que as ações do Japão, pelo que inclinámos a alocação nesse sentido”. Desta forma, são incluídas na carteira estratégias de investimento focadas em geografias que não fazem parte dos 5 países referidos anteriormente de forma a adicionar o tão desejado alpha. O selecionador de fundos aponta, por exemplo, exposição às ações da China continental e pequenas posições em Índia, Coreia do Sul ou Taiwan. O objetivo último: “uma carteira diversificada e com baixo turnover, em que damos aos gestores selecionados alguns graus de liberdade”.

Fontes de retorno em 2020

A alocação tática e estratégica referida foi uma das fontes de outperformance do fundo em 2020, mas não só, segundo Guilherme Piedade. “Se por um lado vimos um significativo contributo da sobre exposição a Ásia emergente e sub exposição a Japão, por outro, dentro de cada bloco também a seleção de ações individuais teve um forte contributo, nomeadamente nos nossos fundos de ações Japão”, comenta. Salienta, assim, o investimento em empresas fora do universo central de investimento e o viés para small caps, e momentum/growth da abordagem dos gestores do bloco Japão.

Já de olhos postos no futuro, Guilherme Piedade acredita que as sobre-exposições estratégicas e os vieses que beneficiaram o fundo em 2020 podem continuar a fazê-lo em 2021, muito embora “talvez não seja na mesma magnitude”.

Finalmente, e não esquecendo que a Caixa Gestão de Ativos foi uma das entidades gestoras nacionais que aderiu aos PRI das Nações Unidas, os critérios ESG, segundo o profissional, são algo que está embebido em todo o processo de seleção de fundos, sendo que recorrem a um fornecedor especializado em análise ESG para o efeito.