Três frentes de performance no IMGA Alocação Conservadora

IMGA alocação conservadora, Três frentes de performance no IMGA Alocação Conservadora
Pedro Vieira. Créditos: Cedida (IMGA)

Pedro Vieira, CFA, é um dos co-gestores - com Fernando Nascimento - da gama IMGA Alocação. Deste conjunto, o IMGA Alocação Conservadora foi um dos fundos de investimento de gestão nacional que se destacou em 2021 pelo seu retorno ajustado ao risco. Esta estratégia de cariz mais defensivo deste conjunto de fundos mistos perfilados pode investir até 35% do seu património em ações e usufruiu, em larga medida, dessa possibilidade. “Entrámos no ano positivos para esta classe de ativos e essa visão espelhou-se na carteira”, conta Pedro Vieira à FundsPeople, especificando que ao longo do ano as ações pesaram sempre mais de 25% do portefólio.

Mais genericamente, e como explica o gestor, o fundo é gerido com minúcia e perícia na relação com o benchmark e com os orçamentos de risco que definem a estratégia. “Temos, por um lado, uma alocação estratégia central que contempla a exposição às principais classes e sub-classes de ativos. Por outro lado, temos liberdade para acrescentar posições fora do benchmark e, dentro da alocação estratégica, liberdade para refletir vieses de estilo, setoriais ou geográficos. E usufruímos dessa liberdade”, exclama. Pedro Vieira destaca como exemplo a exposição a alternativos, que se materializa em fundos de retorno absoluto, real estate e commodities. 

O ano de 2021

No ano passado, segundo o gestor, foram várias as vertentes da carteira que correram bem.  “Perante uma percepção, cedo no ano, de que as taxas poderiam subir reduzimos a duração do portefólio. Associado a esta perceção, durante o ano, sobreponderámos high yield, não só tinha menos duração do que investment grade e governos, como apresentava um carry mais interessante, num contexto em que as taxas de default se iriam, expectavelmente, manter em níveis controlados”, expõe. 

Por outro lado, Pedro Vieira releva a subponderação aos segmentos menos arriscados como outra decisão que permitiu colher frutos. “Ao nível dos governos, demos mais peso a periferia do que ao core”, diz. Para o gestor, com yields negativas e perante um risco de subida de taxas, a dívida soberana core não se mostrava atrativa e isso refletiu-se na carteira. Já ao nível das ações, a classe de ativos que mais contribuiu para a performance, “o enviesamento geográfico não foi, em nenhum momento, muito acentuado. No entanto, escolhemos ter alguma exposição ao estilo value e a financeiras dos Estados Unidos”, aponta. 

A componente mais alternativa da carteira, foi, segundo o gestor, uma componente importante do sucesso. “Agregaram mais de 10% da carteira ao longo do ano, através de uma diversidade de estratégias long-short, market neutral, merger arbitrage ou CTA. Fundos que, perante o contexto de mercado que enfrentávamos, tinham todas as condições para gerar alfa. As commodities também tiveram um importante contributo, especificamente a exposição a petróleo. Uma posição tática que resultou de um deslocamento pronunciado do mercado que nos deu a convicção para assumir o risco”, esclarece. Foi, portanto, um ano de performance em três frentes para o IMGA Conservadora. 

O ano de 2022

De olhos no que está para vir, o gestor e a equipa entram em 2022 com confiança e positivismo.  “Achamos que a recente subidas de taxas de juro foi muito pronunciada e poderá prolongar-se ao longo do próximo ano, mas a um ritmo muito mais moderado, o que deverá beneficiar as ações. Por outro lado, as perspetivas macroeconómicas são positivas e achamos que isso se vai traduzir num crescimento de resultados acima do que se está à espera”, explica.

O gestor continua a não ver valor em investment grade, mas vê-o em high yield. “Não é tão evidente como no ano passado, em virtude dos spreads mais estreitos, mas como esperamos taxas de default baixas vamos ainda usufruir do carry”, explica. 

“Numa perspetiva geral estamos otimistas. Os retornos das ações não deverão ser tão bons como no ano passado e teremos, provavelmente, um ano com mais volatilidade, mas estamos confiantes para assumir mais risco do que o benchmark”, conclui.