Fidelity European Dynamic Growth: Análise de algumas posições fora do MSCI Europe e últimas alterações ao portefólio

Fidelity European Dynamic Growth, Fidelity European Dynamic Growth: Análise de algumas posições fora do MSCI Europe e últimas alterações ao portefólio
Fabio Riccelli. Créditos: Cedida (Fidelity International)

O FF European Dynamic Growth é um dos principais fundos de ações europeus no mercado ibérico. O produto, que este ano goza do Selo FundsPeople 2021, com as classificações Favorito dos Analistas e Blockbuster, é gerido por Fabio Riccelli. A sua visão do contexto económico não sofreu grandes alterações. Na sua opinião, o impacto da pandemia criou um ambiente cíclico sobrecarregado que favorece os valores cíclicos e de beta elevado. “Grande parte disso já está a ser atualizado e o mercado está a descontá-lo”, afirma.

Riccelli é da opinião de que as expetativas são bastante elevadas neste momento. A seu ver, a evolução futura dos mercados de ações será provavelmente mais determinada pelos ganhos do que por múltiplos ou pelo sentimento de mercado. “A carteira mantém-se bem posicionada para gerar rentabilidades absolutas consistentes. Mantemos em carteira empresas que apresentam uma qualidade consideravelmente superior à média do mercado (rentabilidades empresariais/barreiras de entrada elevadas) e perspetivas de crescimento substancialmente melhores”, sublinha.

Posicionamento e vieses atuais da carteira

Riccelli continua focado em encontrar investimentos a longo prazo. Prefere empresas com motores de crescimento interno, poder de geração de ganhos e cash flows duradouros. Quanto ao posicionamento setorial, procura empresas onde as perspetivas de crescimento não dependam de variáveis macroeconómicas. Isto permite-lhe usar as suas habilidades em análises fundamentais. “Este viés traduz-se numa sobreponderação natural em setores propícios à seleção de valores, como a tecnologia, a indústria e os cuidados de saúde”, afirma.

Isto conduz também, geralmente, a evitar setores sensíveis a variáveis macroeconómicas, como a banca e a energia. “Procuramos sempre empresas com características de crescimento de qualidade, como as presentes em setores que registam crescimento estrutural e têm elevado poder de fixação de preços, uma posição competitiva forte, um balanço e cash flows saudáveis, bem como equipas de gestão apoiadas por um brilhante histórico de geração de rentabilidades para os acionistas e os premeia com estruturas de incentivo adequadas”,  detalha.

Posições fora do MSCI Europe

O fundo detém posições que não pertencem ao MSCI Europe, mas que estão cotadas em bolsas europeias (em vez de posições em empresas não europeias). Muitas delas estão fora do âmbito abrangido pelo índice, uma vez que são valores de média capitalização. “Uma destas posições é a AAK, uma empresa de ingredientes especializados com exposição a equivalentes de manteiga de cacau, que substituem gorduras de baixa qualidade por ingredientes vegetais de alta qualidade”, revela.

Outra é a Spectris, uma empresa britânica que detém vários ativos que o gestor considera interessantes no nicho de equipamentos para testes (mas que pertence ao setor das tecnologias da informação), bem como marcas conhecidas nas áreas de medição e controlo de qualidade. “Anteriormente, a empresa era um conglomerado de negócios de engenharia, mas especializou-se e abandonou produtos não rentáveis”.

Na carteira está também a Homeserve, uma empresa que oferece serviços de apoio às famílias por subscrição no Reino Unido, EUA e Europa. “A empresa está a expandir-se para novas áreas, como plataformas digitais para profissionais de reparação domiciliária (na sequência das aquisições da Checkatrade, Habitissimo e eLocal), instalações de aquecimento, ventilação e ar condicionado e soluções inteligentes de casa”.

A força da abordagem da equipa reside na aplicação sistemática do processo de investimento. “A isto temos de acrescentar a avaliação rigorosa e o respeito por uma margem de segurança. Todas as posições da carteira devem ter o potencial de gerar pelo menos uma taxa interna de retorno de 10% anual”, explica.

Últimas alterações na carteira

As adições recentes ao portefólio incluem um fornecedor de software de engenharia, design e gestão de informação. “Este negócio oferece uma oportunidade atrativa para o crescimento a longo prazo e sinergias de ganhos antecipados decorrentes das suas aquisições recentes.” Não venderam quaisquer posições atuais durante o mês, embora tenham realizado mais-valias na Novo Nordisk após a recente boa performance das ações.

A equipa tem o cuidado de não ir atrás dos valores de crescimento mais caros do mercado. “Na forte recuperação que o mercado tem experimentado durante o último ano, vimos como algumas áreas com valores de crescimento de qualidade subiram para níveis extremos de valorização. Em vez de perseguir estes valores, acreditamos que o mais prudente a fazer é realizar mais-valias e reinvestir em oportunidades que satisfaçam os seus critérios de investimento e ofereçam uma margem de segurança", conclui o gestor da Fidelity International.