Investir em empresas na interseção de três caraterísticas importantes

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Encontrar empresas na interseção de três caraterísticas: robustez fundamental, vantagens competitivas sustentáveis e uma valorização convincente. Em termos muito resumidos, esta é a forma que David Powell, CFA define a filosofia de investimento que orienta o Brown Advisory U.S. Sustainable Growth Fund. O gestor, em conjunto com Karina Funk, CFA, está ao leme desta estratégia de investimento de ações norte-americanas da Brown Advisory – representada em Portugal pela MCH Investment Strategies – com Selo FundsPeople pelas classificações de favorito dos Analistas e Blockbuster. “Acreditamos que se acertarmos nestas três características, podemos ser competitivos e adicionar uma boa performance ajustada ao risco acima do Russel 1000 Growth Index. Gerimos esta estratégia com uma carteira de muito longo prazo, de elevada convicção e muito concentrada”, comenta o gestor em entrevista à FundsPeople, sendo que as somente 33 posições em carteira e o turnover superior a três anos são o melhor reflexo dessa convicção e horizonte de investimento.

“Gostamos de um bom equilíbrio entre as empresas que crescem de uma forma consistente e constante e outras que evidenciam um crescimento mais interessante”

Já no que se refere àquela que é a sua definição de empresas de crescimento, o gestor é bastante assertivo ao afirmar que não são “as empresas que mostram o crescimento mais rápido do mercado”. “Gostamos de um bom equilíbrio entre as empresas que crescem de uma forma consistente e constante, mesmo que a uma taxa de crescimento inferior aos EPS – tipicamente entre os 10% e 14% -, e outras que evidenciam um crescimento mais interessante”. Este equilíbrio, segundo David Powell, acontece sensivelmente e historicamente nos  dois terços de ponderação no primeiro caso, e um terço no segundo.

Processo dirigido pelo research

A equipa e como ela está estruturada é um dos fatores mais importantes em que se suporta o processo de investimento do fundo. “Temos uma equipa de research fundamental muito grande cujo papel é identificar, em cada setor, as empresas melhor posicionadas fundamentalmente. Empresas com fortes vantagens competitivas, modelos de negócios únicos, um valor acrescentado singular e uma equipa de administração com qualidades comprovadas. E, claro, empresas que mostram estas caraterísticas costumam mostrar também muito boas margens e cash-flows”, explica.

Num segundo nível, entra a equipa de analistas ESG e de sustentabilidade, desta feita focada na “estratégia de sustentabilidade que torna as empresas ainda melhores”. “Acreditamos que empresas com excelentes fundamentais podem utilizar a sustentabilidade para fazer crescer mais rapidamente as suas receitas. Um bom exemplo são as empresas que providenciam produtos ou serviços que ajudam os seus clientes a tornarem-se mais eficientes e produtivos, poupando água, eletricidade, matérias-primas… O papel desta nossa equipa de analistas é perceber como as empresas o fazem e quantificar o melhor possível”, comenta o gestor da Brown Advisory.

Por fim, a empresa tem ainda uma equipa de analistas de investigação que não são alocados a um tema ou setor em particular, mas que colaboram numa base de projeto a projeto. “Estes analistas, quando necessários, investigam de forma muito profunda temas como o ambiente competitivo da empresa ou temas regulatórios da indústria, para que os possamos compreender melhor”.

Ilustrando o processo

Quando questionado sobre o melhor exemplo de uma empresa que reflete o seu processo, o gestor destaca a American Tower, um REIT focado no investimento em infraestruturas essenciais para a instalação de redes como as 4G e 5G, por exemplo. “É, basicamente, um senhorio das empresas de telecomunicações e um excelente exemplo de uma empresa com uma performance de baixo crescimento, mas muito consistente e positiva. Tem um modelo de negócio recorrente e uma visibilidade de muito longo prazo”. Por outro lado, David Powell destaca a Tesla como um exemplo de um ativo com elevada “octanagem” que têm evitado, dados os seus múltiplos e como se tem posicionado no sentimento investidor.

Ilustrando o processo

Sobre o atual contexto de mercado, em que momentum e a euforia dirigem muito do comportamento do mercado, o gestor não se mostra preocupado. “Os investidores, hoje em dia, estão mais focados no curto prazo, e nós tipicamente aproveitamos esses momentos para adicionar novos nomes ao portefólio ou reforçar nomes existentes. No primeiro trimestre do ano passado, por exemplo, adicionámos três novas empresas à carteira. Temos um horizonte de investimento muito longo e podemos utilizá-lo para nossa vantagem”, conclui.